BRIGA DE PIT BULL
*Geuza Leitão

No Brasil, brigas de cães da raça pit bull e outras raças consideradas ferozes, acontecem na clandestinidade, em casas particulares. As apostas correm soltas sem que os organizadores sejam incomodados pela polícia ou por qualquer outro órgão a quem incumbe promover o cumprimento das leis e zelar pelos bons costumes. A luta é cruel deixando os bichos mortos ou estraçalhados.
Os animais treinados para se confrontarem e ficarem agressivos, são utilizados para campeonato e apostas e vivem abrigados no escuro, deitados sobre os próprios excrementos. Para descarregar a tensão constante eles mordem a correia que os aprisionam. O treinamento é terrível: antes de tudo os cães são obrigados a correr durante duas horas por percursos longos ou sobre esteiras rolantes. São obrigados a vencer obstáculos e, para fortalecer os músculos do maxilar, são ofrçados a puxar com os dentes charretes com 800 quilos de ferro. Isto durante horas.
O treinamento é carregado de agressões e incentivo ao ataque. Além dos animais viverem aprisionados em cubículos e afocinhados, passam por seções de exercícios forçados e, para ficarem mais ferozes e sanguinários, desde filhotes se alimentam de pequenos animais vivos (cães e gatos), que recebem como recompensa depois do treinamento cotidiano. O cão é treinado para agredir e matar depois de receber determinados sinais, tais como ter uma ponta de cigarro apagada em sua testa. Tal treinamento consiste em colocar dois cães pit bull terrier, previamente treinados, para se confrontarem em uma luta sangrenta. A regra é simples: vence o animal que sobreviver a 30 minutos de assalto. Se ambos desistirem o juiz decide quem venceu. A briga dura de dois a três combates. O cão campeão, depois de costurado, é preparado para novo combate, que costuma ser fatal, pois o pit bull ataca a vítima mordendo sua jugular e a solta depois de morta, se não houver intervenção. A capacidade de nunca retroceder por medo, desenvolvidos na raça através de seleção da criação, prepara um exemplar de ?boa linhagem? para continuar lutando por duas ou mais horas, independentemente da desidratação, exaustão, fadiga muscular ou qualquer outra sensação de desgaste. Dependendo de sua disposição para lutar, um cão pode valer até U$ 85.000. O critério de seleção de um cão é sempre testado em um combate.
Projetos de lei prevêem, em todo o País, o controle da importação, venda e procriação desses cães e de todos cuja raça seja considerada agressiva. Contudo, a agressividade não está no animal e sim atrelada ao tipo de ?educação? que o treinador ou o proprietário lhe repassam. Um pit bull nas mãos de uma pessoa responsável não tem nenhum desejo de lutar e é dócil e fiel companheiro. Mas, acontece que, a menor demonstração de agressividade, seus proprietários se assustam condenando-os a viver em correntes curtas e cubículos ou desfazem-se dele.
Por esta razão, a grande maioria das sociedades protetora de animais do Brasil já se manifestou a favor de projetos de lei que tramitam no país regulamentando a criação dessas raças e o seu controle populacional. O primeiro projeto de lei em defesa desses animais, foi em 1922, na Inglaterra, de autoria de Richard Martin, que pretendia proibir as brigas entre pit bull e touros, que cresceram muito depois de 1835, quando se proibiram as arenas de touros. Não logrou aprovação.
Quando em São Paulo e Rio de Janeiro foram aprovadas leis municipais de controle populacional de cães e gatos de rua e de propriedade de pessoas de baixa renda, isto não suscitou protestos. Portanto, somos levados a concluir que os protestos contra o controle populacional de pit bull são movidos por interesses econômicos.
Alegam alguns advogados que projetos de lei que pretendam controlar a importação, a venda e a procriação destes animais, ferem o direito de propriedade. Isto porque não prevêem o confisco ou abate dos animais. Tais projetos pretendem impor uma limitação administrativa no exercício do direito de propriedade, o que não gera direito a qualquer indenização. Mesmo porque segundo a Constituição Federal, a propriedade tem uma função social e o direito à mesma deve ser cotejado com os demais direitos nela contidos, como os direitos dos animais e a segurança da população.

*Presidente da União Internacional Protetora dos Animais - Uipa