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| | Manu Chao e Bnegão - espaços para a resistência musicada Por Diguilim e Nigganark - Imagens de Sirac 23/01/2008 às 14:19 Como podem a música e o ativismo trilhar um caminho conjunto? O artigo seguinte busca discutir, a partir das experiências de Manu Chao e Bnegão, as possibilidades de uma música politizada circular pelo mainstream mantendo sua mensagem e envolvimento iniciais. A proposta é, em síntese, pensar uma ação midiática que contamine as estruturas do sistema dentro e contra ele... 
Quem compareceu no Arena Futebol Clube na noite do dia 16 de janeiro em Brasília, pôde apreciar um grande momento experimental de músicos reconhecidos internacionalmente. Estavam no palco um poderoso trio de artistas brasileiros, compondo uma formação muito rica em criatividade e com uma pegada contagiante - Bnegão, Bi Ribeiro e Bidu Cordeiro. Somando à apresentação do embrionário 3Brio, nada menos que o cosmopolita cantor Manu Chao, com sua marcante presença e músicas que buscam representar uma visão dos/das imigrantes, precários/as, clandestinas/os e algumas outras realidades das ruas e subúrbios globais. Mais além do excelente espetáculo musical, algo único, interessa apontar outras características que fizeram e fazem de shows como este uma grande oportunidade de atuação política e espaço para projeção e visibilidade de lutas diversas de resistência contra a opressão capitalista e o seu alcance, seja em nossas comunidades ou mesmo em uma perspectiva globalizante. É importante dizer que, longe de vangloriar artistas ou mesmo projetá-los/as em uma relação fetichizada, convém aqui apresentar a força que indivíduos com certa notoriedade e exposição podem contribuir em causas às quais eles apóiam, mesmo à distância. Causas estas que necessitam romper o bloqueio midiático corporativo e alcançar mais pessoas e grupos. Manu Chao e Bnegão já são reconhecidos por suas posições divergentes e antagônicas ao Modus Operandi artístico do chamado Mainstream. Bnegão e o grupo Seletores de Frequência lançaram seu álbum Enxugando Gelo utilizando uma licença livre - Copyleft, um trocadilho com a palavra Copyright - disponibilizando o trabalho na internet. É uma concepção diferenciada de como a produção artística e a sua difusão e compartilhamento devem se dar em um mundo que busca romper com o domínio pleno do capital. É uma afirmação clara de que o lucro e o acúmulo não devem preceder o criar artístico e nem ditar os rumos a se tomar. Atualmente o músico está desenvolvendo um projeto de fazer shows em presídios do Rio de Janeiro: ocorreram 10 apresentações no ano passado e pra este ano, além dos shows existe uma proposta de construção de bibliotecas nos presídios. Por sua vez, Manu Chao têm sido desde o lançamento de seu primeiro trabalho solo Clandestino uma referência musical para novos/as ativistas e militantes altermundistas que emergiram desde Seattle, em 1999. Tocou em momentos chaves dos dias de ação global como em Gênova, em 2001, e em Fortaleza, durante as manifestações Anti-BID em 2002. Está envolvido atualmente com a rádio La Califata, na Argentina, que é um projeto de trabalho com internos/as de um hospital Neuropsiquiátrico. Além de seu trabalho solo, todavia, Manu Chao tem como antecedente o grupo Mano Negra, importante referência na cena underground política mundial. Foi necessário contextualizar um pouco a trajetória de ações políticas dos músicos em questão para não parecer totalmente desconexos discursos e posturas como o que aconteceu em Brasília. Algumas horas antes do show, os dois receberam jornalistas independentes e ativistas do CMI para um bate-papo e entrevista. O CMI é um projeto de resistência midiática anticapitalista, e tanto Bnegão quanto Manu Chao sabem muito bem disso. Liberaram o registro de algumas partes do show e sua subsequente divulgação. Na entrevista os dois músicos trataram de seu envolvimento com música e ativismo, falaram sobre seus projetos políticos e sobre como vêem que a música pode ser uma maneira de canalizar a raiva contra as injustiças do mundo em influências positivas rumo a uma sociedade justa. Acima de tudo a Esperança, falaram em uníssono os músicos. Durante a apresentação, Manu Chao entrou vestido com uma camiseta do Movimento Passe Livre (MPL) - um movimento autônomo anticapitalista que luta por transportes efetivamente públicos servindo à população - que tinha ganhado de militantes poucas horas antes. Obviamente estava ali demonstrando seu apoio à luta. No final da primeira parte do show, o cantor chamou ao palco um ativista que apóia a resistência do Santuário Indígena dos Pajés, que sofre com a ameaça de despejo do Governo do Distrito Federal, atendendo às demandas infinitas da especulação imobiliária na capital. É bom que se diga também, que o vice-governador do Distrito Federal é Paulo Octávio, o maior investidor (especulador) imobiliário da região.  Após a intervenção do militante, Bnegão assumiu o microfone e emendou um discurso irônico indagando o porque uma pessoa como o Arruda conseguiu se eleger no DF mesmo após tantas denúncias e até mesmo provas de corrupção como o caso do painel do senado, e na sequência cantou acompanhado de percussão a música "Candidato Caô Caô" de Bezerra da Silva, que tem em sua letra o trecho - "Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer / Hoje ele pede seu voto amanha manda a polícia lhe bater...", muito aplaudida ao final. Tudo isso pode soar superficial ou mais um artigo ou release artístico, o que não é a intenção. É preciso que criemos um ambiente saudável de resistência proveniente do meio artístico também. Utilizar estas estruturas massivas taticamente e buscar construir outras relações neste caminho, contando com maior adesão popular destes meios. Não há como negar que a produção local, descentralizada e que atenda às diferentes realidades talvez seja mesmo o ideal, com relações mais aproximadas e alcance limitado, não gerando um distanciamento surreal e intangível entre os produtoras/es de conteúdos simbólicos e artísticos e suas virtuais consumidoras/consumidores. Alguém próximo realiza a crítica direta, intervém, participa, soma. O que não podemos é negar as estruturas reais e determinantes em que estamos inseridos/as e como elas nos são apresentadas como as únicas viáveis, mesmo que não sejam. E dada a urgência desta realidade, ficar simplesmente à margem pode representar um mero subterfúgio. Ocupar de forma consciente estes espaços parece uma tática viável e que pode gerar frutos como a difusão em um maior nível de abrangência. Isso sem contar o valor artístico da produção, como o caso destes excelentes músicos. Vale lembrar que os dois ativistas da música participaram de cenas underground antes de realizarem estes trabalhos, mantendo vínculos com essas cenas até hoje. Poderíamos arriscar dizer que se trata de uma das possíveis formas de trabalhar a cultura underground. Uma forma heterodoxa, ousada, mas não por isso menos válida. Manu Chao e Bnegão não são os primeiros/as primeiras artistas a participarem do mainstream a assumirem uma postura política dentro e fora dos palcos. Se remontarmos à história teremos diversos nomes de relativo peso, como Rage Against the Machine, Asian Dub Foundation, Le Tigre, Public Enemy, System of a Down, Bikini Kill, Bjork, Chumbawamba, Atari Teenage Riot, além de bandas e cantores de outras gerações como Quincy Jones, Tupac, Bob Dylon, Joan Baez, Café Tacuba, Afrika Bambaataaa, Jonh Lennon, Gill Scott Heron, Fela Anikulapo Kuti, entre outros. No Brasil, bandas como Mundo Livre S.A., Nação Zumbi, boa parte dos grupos do movimento Hip Hop (Racionais MC's, GOG, Facção Central, Consciência Humana, DRR, DMN, entre uma infinidade de outras), Bezerra da Silva, e uma série de musicistas e bandas envolvem-se com projetos políticos e colocam-nos nos conteúdos de suas músicas, de modo que fazer uma lista completa e representativa seria praticamente impossível (sequer tratamos decentemente das bandas vinculadas ao Punk e Contraculturas em geral). Na América Latina dos anos 60 aos 80 tivemos ao menos uma centena de grandes nomes ligados aos movimentos de base diversos e em processos e estágios de luta únicos, como é o caso da Nueva Canción Chilena e as/os musicistas que apoiaram a resistência sandinista na Nicarágua, pra citar alguns exemplos. O importante é perceber que a vinculação entre música e ativismo/militância política aconteceu e acontece em diferentes momentos da história, em lugares e ocasiões muito diferentes, demonstrando que essa associação é um caminho válido na construção de movimentos sociais e lutas contra a opressão, seja ela qual for. Existem também projetos de militância entre músicos, como o Axis of Justice, idealizada por Tom Morello (RATM e Audioslave) e Serjei Takan (System of a Down). Trata-se de uma organização não-lucrativa com o propósito de fazer uma ponte entre artistas e fãs com organizações ativistas que lutam pela justiça social. Há sempre uma banca da Axis of Justice nos shows das bandas que apóiam o projeto. Além disso, militantes das organizações locais, onde os shows são realizados, sobem ao palco pra falar de suas lutas e como os/as fãs podem integrá-las. O projeto faz uma interessante conexão entre as bandas, fãs e ativistas.  Mais artistas devem assumir posturas mais firmes nas trincheiras da resistência cultural. Reservar à atuação possível apenas a gravação de músicas com conteúdo crítico não basta, isso é muito facilmente absorvido pelas ânsias de bens consumíveis pelo mercado, e a cultura é uma oceano de possibilidades para a nova fase do capitalismo, na qual a informação assume posição fundamental e decisiva. Não existem saídas certeiras ou respostas corretas para uma atuação nesta área, isso deve ser buscado no cotidiano e nas situações onde a/o artista se envolve diretamente ou observa com certo cuidado à distância. O que deve ser dito aqui é que artistas como Manu Chao e Bnegão merecem nosso respeito e apoio por suas posturas e produções. Estes caminhos lembram, por fim, da estratégia zapatista em relação ao espetáculo das comunicações: foi a partir do uso inteligente de uma série de ferramentas de comunicação aparentemente "burguesas" ou viciadas que o movimento constituiu, em boa parte, sua guerrilha comunicacional. Uma série de ações em apoio ao Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) ocorreram em várias partes do mundo, organizadas por artistas que transitavam no mainstream, cenas underground, militantes de movimentos sociais diversos, entre outras. Por perceberem nestas iniciativas a possibilidade de abrir espaços de diálogo e divergência da ordem instituída, o movimento trabalhou essas ferramentas contaminadas contaminando-as. Não se trata de seguir paradigmas, mas este é um caminho que parece ser interessante de ser investido. Uma série de artistas - e dentre eles Manu e B - parecem estar experimentando-o, até agora com bons resultados. Valerá darmos um passo a mais? Expor a urgência da existência de mais músicos assim talvez justifique este texto e desperte algumas sensibilidades ainda dormentes por aí...
Email:: nigganark@riseup.net URL:: http:// >>Adicione um comentário Precisamos criar linhas de fuga, confundir, fingir que está aqui mas está ali,velha mandiga em novas ondas sonoras que quebrem o bloqueio mental e midiático. Podemos ainda rachar as fissuras, inventar, recriar, destruir, sermos iconoclastas. Paulo Octávio e Arruda lobotomizam Brasília com tal setor Noroeste,misturando o discurso dos bandeirantes com as práticas do Capitão do Mato.Ordem, progresso, desenvolvimento econômico,pa lavras sempre repetidas,behavorismo governamental,colo nização do pensamento, chegou a hora de matar o coloni zador. A música não vao mudar o mundo, assim como a 'pedagogia libertária'. Que músicos e professores, no âmbito de suas profissões e ganha-pão busquem aumentar o nível de consciência das pessoas numa perspectiva socialista, muito bem. Mas é só isso. Muito bom o texto, o lance é construir esse laços para tornar a luta efetiva.
A música sozinha não mudará o mundo, assim como nada sozinho muda. mas que é um grande motor para construção de outra concepção de mundo é sim.  | No cenário underground musical as coisas fluem com um sentimento de liberdade mais sincero e unido. Não que a música seja a ferramenta pra tudo, mas é uma verdadeira arma de inspiração pra pensar e colocar em prática.
Aqui no DF não temos muitas bandas dessa temática, mais aos poucos vem surgindo no Hardcore/Metalcore e até em movimentos musicais mais populares.
Talvez usando eventos como esse como um dos pontos de partida sirva de força para os braços que faram a diferença.
Afinal muitos como eu foram pras ruas depois de escutar Rage Against The Machine ou outras bandas. A música é parte do pensamento de qualquer que seja a pessoa.
Temos muitos exemplos de shows na Europa dessa temática, divulgando trabalhos e movimentos juntamente com letras de protesto. Talvez um desses shows aqui em Brasília possa realmente valer a pena, assim acredito e espero fazer.  | "Se eu não puder dançar, então esta não é minha revolução!" Mto foda o Manu Chao com a camiseta do MPL! Mto foda Bnegão criticando o setor noroeste e a irresponsabilidade do governo para com o Santuário dos Pajés e as famílias residentes na Reserva Indígena... Mto foda os caras terem recebido o CMI e trocado uma idéias com movimentos legítimos do DF! Parabéns a tod@s @s envolvid@s! Qual será o próximo artista a colar junto? hehhehe Gostei muito do texto e confesso que até me abriu os olhos pra certas opiniões...
A música não vai mudar o mundo, mas a persuasão que ela provoca vai. Mesmo achando que usar as ferramentas viciadas do poder, assim como depender do judiciário e seus gorilas é uma péssima tática ao alcance da liberdade e democracia; importante sempre é estarem pautando uma trilha paralela à que os poderosos nos apontam. Avante à Luta! Levante Libertário! Muito bom este artigo. A música, como qualquer outra forma de expressão artística, pode tanto sintetizar como mobilizar. Uma canção pode não mudar o mundo, mas a trilha sonora dessa utopia está feita. E como Eduargo Galeano mesmo já disse, por mais que nunca se alcance essa utopia, a utopia nos faz caminhar.
Mas muito mais que ser coadjuvante, é fato que expoentes artistas da contracultura sempre obtiveram credibilidade na hora de reunir grupos e propagar idéias. O sentimento e a ação de um mundo justo circulam dessa maneira: a arte, a ciência e o espírito em harmonia. vcs esqueceram de falar do primordio dessa pratica de musico com ativismo q foi o john lennon divulgando a luta pacifista nos seus shows
acho q eh importante dar um destauqe ao john lennon pq ele q começou a parada e teve um peso mto grande. foi tão importante q qteh o FBI começou a monitora-lo. vcs o citam mto brevemente. mas o artigo tá muito bom, parabéns e mto grato pela citação do meu blog.
Reformismo pelego na música.
Ingenuidade ou marketing?
A verdade é que a classe artística está nas mãos do governo Lula e dos governos locais, de quem depende para obter suas leis de incentivo.
A lei de incentivo é uma das mais eficientes ferramentas de dominação cultural e censura no país.
Bnegão pode dizer que é libertário mas não tem autonomia pra dizer o que quer nos palcos, como nenhum artista que depende do governo tem.
É preciso mais esclarecimento e honestidade para discutirmos estas questões como verdadeiros livres-pensadores de esquerda.  | Massa o texto.
Mas precisamos avançar mais no entendimento dessas formas especificas de transformação que se dão pela arte. Elas sao muito mais importantes do que as pessoas imaginam.
Vejam o conceito de liberdade dos comunicados zapatistas:
liberdade = lutar = criar = reviver os mortos antepassados = reviver os mortos em vida que somos nós
Se arte é pura criação, é pura luta!
A militacia tipica ocidental pode ser mera reprodução de coisas já criadas, entao a militancia tradicional é que é mera propaganda de falas e práticas (e não a música como muitos dizem nos comentários acima). A música feita com o coração, esta sim, é pura luta e liberdade.
É por isso que uma das grandes virtudes que vejo no movimento de rádios livres é a libertação da circulação do que há de bom no mundo musical!
 | acredito que existem muitas palavras e poucas açoes, os artistas citados fazem parte do cast dos grandes conglomerados de entretenimento, majors,grandes gravadoras, as mesmas que transformam e sempre transformaram rebeldia em dinheiro, portanto o ativismo deles é hipocrita,paradoxal e sem muito valor, assim como o de varias bandas citadas pelo autor do texto...devemos sim pensar em revoluçao e nao apenas em resistencia...mp3 já!!!! freware já!!!! so assim a classe musical ficara livre das amarras das leis de incentivo e das multicorporaçoes da diversao e poder enfim ser livre.  | Muito boa a matéria.
Concordo plenamente que críticas fundamentadas podem entrar através de múltiplos canais. A música é capaz de provocar sensações e também pensamentos. E pessoas com o poder de fazer músicas que inspiram a sensibilidade também tem acesso ao pensamentos dos que ouvem. Fui no show do Bnegão sábado passado. Ele recomendou o site e eu, que por vários motivos nunca conheci realmente, entrei e pirei. Muito foda a matéria!  | Detesto essas opniões restritivas de que a musica não vai mudar o mundo ou que é impossivel ser rebelde a partir do momento que se move dinheiro com isso. O mundo não é estático para se resumir a uma questão de mudar ou não mudar, e o dinheiro não define tudo como aponta a opinião 8 ou 80 dos que fazem esses comentários. A mudança é lenta, constante e está acontecendo diariamente tanto para o bem quanto para o mal. Cabe a nós parar de especular e agir, ao invés de criticar as poucas pessoas que independente de não "mudarem o mundo" ou de ganhar dinheiro com isso, estão contribuindo de forma muito mais positiva do que negativa. Como é o exemplo do B- negão e Manu Chao na música e de tantos outros em diversas áreas.
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