TV PÚBLICA E TV PRIVADA
Mauro de A. Madeira
A oposição do PSDB/PFLDEM andou fazendo algum barulho contra a aprovação pelo Congresso da TV Pública, que, ainda bem, acabou aprovada. Ao que parece, não vai haver muita diferença em relação à tve ou tv cultura da Radiobrás, que já existia (canal 2). Dizem que o prestígio de Tereza Cruvinel quebrou as barreiras.
O que não entendo é a má vontade daqueles senhores contra uma televisão pública(e não estatal). Só pode ter televisão privada? Só a Globo e congêneres, de propriedade de empresários ou pastores evangélicos, podem existir? Nós, o público, temos que nos restringir aos programas de auditório de Faustão, Silvio Santos etc., aos bigbrothers, aos filmes de terceira categoria de Hollywood, e outros programinhas medíocres, além de novelas e dos noticiários pasteurizados quando se trata de assunto sério, ou inflados de crimes e acidentes, para atender ao sadomasoquismo das maiorias mal acostumadas?
Uma tv pública que tente fugir dos esquemas comerciais, da ditadura dos anunciantes e do ibope da mediocridade e do mau gosto, que tente apresentar programas de cultura, que dê voz aos valores regionais, esquecidos nas províncias distantes do eixo Rio/São Paulo, que apresente debates e entrevistas de alto nível, enfim, que fuja da rotina mercantil que dopa o público com besteirol interno ou importado, essa não pode? Só pode tv privada, submetida à ditadura do mau gosto da maioria que não teve oportunidade de se educar, se informar, se refinar para além do bigbrother e do grid de largada?
Já há exemplos de televisões públicas (nos canais pagos), como a TV Câmara e TV Senado, que mostram a diferença de qualidade e alternativas de bom gosto (não estou falando das longas horas de debates parlamentares, por vezes interessantes, mas quase sempre enfadonhos e prolixos). Até os debates parlamentares são úteis, para quem tiver a pachorra de vê-los. Se não são melhores, a culpa é nossa, de eleitores mal equipados de informação e debate, que elegemos mensaleiros e picaretas (como outrora dizia Lula).
Parece que as tevês privadas estão com medo do fim do seu monopólio. O que é bobagem, porque o grande público vai demorar de fugir da sua rotina de ver a Globo, Record, TVS etc, de ler Veja, Caras e ouvir CBN. A ideologia conservadora que eles impõem vai continuar a ser dominante, vai continuar a moldar os corações e mentes de quase todos. E, ademais, não se sabe bem que cara vai ter a tv pública. É apenas uma opção para o fastio da mesmice mercantil que nos avassala.
