| Cotas, Um "Mau" Exemplo! Por Júnior Silva 02/05/2008 às 03:23 Crítica ao artigo de Diogo Minard sobre a política de cotas do governo federal. Júnior Silva ? 02/05/2008
Diogo Mainard, articulista da Revista Veja (sempre achei essa palavra um imperativo pretensioso) publicou mais um de seus lamentos reacionários, dessa vez criticando o sistema de cotas para negros nas universidades públicas tentando desqualificar a palavra Quilombo, uma experiência das mais caras para a nossa história das lutas populares contra o elitismo e suas políticas e economias desumanas. Reacionários e ingênuos como Mainard há aos montes por aí, inclusive aqueles que apontam que o sistema democrático criou mecanismos como o vestibular para possibilitar o acesso à educação de maneira justa, pois estaria avaliando os méritos e o potencial do indivíduo. Ora, é claro que o computador que faz a leitura dos cartões de respostas e os professores que corrigem as provas discursivas não estão vendo se o candidato é negro ou branco. No entanto, a discriminação não está aí, e sim no caminho percorrido pelo candidato até chegar ao vestibular. Como podemos falar que o vestibular não é discriminatório se ele leva em conta apenas o conhecimento adquirido pela educação formal. Na verdade não está sendo avaliado o potencial do indivíduo, mas sim a qualidade de acesso que ele pode ter a informação e formação. Quantos filhos da classe média branca precisam trabalhar para que a família não passe dificuldades, até mesmo de sobrevivência. Quantos filhos de negros podem apenas estudar, dedicando todo seu tempo apenas a se formar e informar. Sabemos que todas as estatísticas nunca mostraram os negros com renda e poder aquisitivo maior que os brancos, por isso não é difícil concluir que os filhos dos negros têm menos acesso a internet, aquisição de livros, viagens que ampliem as experiências cognitivas e concretas sobre a história e geografia e até mesmo assistir aulas melhor alimentado, o que também faz grande diferença na qualidade do aprendizado. É claro que uma parte significativa da população branca também sobre todas essas privações, mas a segregação gera uma potencialização ainda mais nefasta desse quadro. É necessária sim uma reparação social aos negros pelo que a elite branca desse país fez e continua fazendo. Não se trata de querer cobrar uma dívida que foi feita pelo seu ou pelo meu tataravô por que ela não é uma dívida individual, mas sim porque somos herdeiros de uma mentalidade que julga as pessoas pelo seu acesso a bens de consumo e sua cor, assim como no passado se julgava e se dava poder e importância social a quem era branco e tinha terra. Se os defensores dessa nossa democracia burguesa, que é responsável por esse modelo de vestibular acreditam realmente nela, deveriam como bons burgueses democratas assumir esse ônus que é social. E é exatamente por isso que neste momento existe uma elite branca amedrontada com a proporção que a discussão sobre cotas têm tomado. É um grupo que historicamente sempre esteve no poder, e que pela primeira vez foi ?convidada? a dividi-lo. O texto de Minard, ao tentar satanizar o termo Quilombo reflete exatamente esse medo. No passado, o Quilombo de Palmares se tornou o pesadelo de todos os donos de escravos e terras do nordeste brasileiro, tanto que foi feito um dos maiores esforços econômico e políticos da época para acabar com o Quilombo. O recém empossado governador da capitania de Pernambuco reuniu toda a força militar presente no nordeste naquele momento e contou com o apoio (ou, quem sabe a exigência) de donos de terras e escravos da Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Maranhão e contrataram o mercenário Domingos Jorge Velho para liquidar com Palmares. Esse enorme esforço tinha um bom motivo. Palmares se tornava cada vez mais conhecido não só por ser um refúgio, mas também por ter se tornado um exemplo de comunidade coletiva, sem propriedade privada, com uso coletivo das terras de maneira equilibrada e sem discriminação. Em uma colônia onde a propriedade privada e concentração das terras nas mãos de uma pequena elite branca lhes garantia privilégio e poder político Palmares se apresentava como um mal exemplo que poderia levar toda a sociedade a questionar aquela concentração de riquezas. É por essas questões que as cotas hoje se apresentam como um novo Palmares, pois elas são um ?mau? exemplo que já colocaram em xeque o discurso da competência e dos méritos individuais. Como podemos julgar méritos e competências em uma sociedade onde não existe igualdade de acesso a informação, educação, alimentação de qualidade, e além dessas privações ainda ser segregado.
Júnior Silva é graduado em filosofia e cursa como aluno especial o Mestrado em Artes na Universidade Federal do Espírito Santo. É professor de filosofia e história no ensino médio e ministra as disciplinas de Filosofia da Arte e Estudo Sócio Político Econômico Brasileiro na Faculdade Novo Milênio.
Email:: medro59@yahoo.com.br >>Adicione um comentário Está provado que existem muitas famílias negras ricas nesse país (em menor número que as brancas, concordo) e que existe uma classe média negra muito expressiva também.
Agora, querer simplificar dizendo que todo o negro vestibulando é pobre e todo o vestibulando branco é rico é difícil de engolir.
Se fosse dito que todo o pobre está em desvantagem em relação ao rico aí eu concordaria, e nesse caso levaria-se em conta a grande parcela de brancos pobres.
Venho de um Estado do Brasil (RS) onde negros e pardos não chegam a 13% da população. Portanto deixam de ingressar na universidade muito mais brancos que negros. É uma questão social e não racial.
Porque um negro rico ou de classe média teria maiores benefícios em relação a um branco pobre? Apenas por ser negro? Aí sim seria racismo.
Outra coisa muito interessante, quem entrará pelo sistema de cotas (e talvez nem precisasse) serão os negros de familias ricas e de classe média.
O negro pobre, esse continuará fora da universidade, junto com seu colega branco e pobre também.  | Num país multi-racial como o nosso, fica muito difícil determinar com exatidão o que é ser negro ou pardo no Brasil. Existem comumente irmão que poderiam ser classificados de raças diferentes para o sistema de cotas e isso ocorreu em Brasília. Se utilizarmos o teste de DNA aí a bronca é maior.
Creio que uma política de inclusão, não deve ser pela cor da pele, porque você gera mais discriminação e interpretações divergentes que possivelmente vão contra a nossa constituição. E se alguém ainda apoia esses sistema de cotas com o argumento de inclusão racial positiva, apenas esta jogando cortina de fumaça no problema.
A melhor idéia de inclusão seria a de Universidades Federais reservassem 50% das vagas para egressos de escolas públicas, baseados nos resultados no ENEM por exemplo. As Faculdades privadas também deveriam ter estas reservas em menor percentual, por exemplo 30%, tendo o governo federal, estadual e municipal como avalista.
Para estimular a melhoria da qualidade de ensino nas escolas públicas, através de algum sistema de bonificação às escolas e aos professores.
O bolsa família, apesar de assistencialista e eleitoreira, deveria continuar, como base de sustentação da presença do aluno na escola e também do ponto de vista de segurança alimentar.
Um outro ponto não menos importante, é trabalhar fortemente a visão do empresário privado, na identificação de sua empresa com a diversidade racial da região onde ela está localizada.
Do ponto de vista da constituição, cotas para negros ou amanhã para índios, orientais, árabes, europeus, etc. é absolutamente inconstitucional. É preciso se repensar em uma forma mais justa, que eliminem preconceitos ou dogmas de que quem tem pele parda a escura possa ter QI inferior a outras raças.
Sistema de cotas não fortalece a democracia que a duras penas se arrasta para se consolidar.  | Qualquer idéia defendida por um bossal da estirpe do tal de Mainardi, não pode ser boa para a sociedade brasileira. E qualquer idéia que seja rejeitada por aquele bossal, tem grande chance de ser uma ótima idéia para a nossa sociedade. Este tal de Mainardi é visivelmente um alienado quanto à natureza das questões sociais em nosso país, e ademais não tem cultura humanista que lhe faça pretender o bem de nossa sociedade.  | Dr... é mais ou menos por aí.
Eu me referi ao seguinte: o discurso esquerdista (vitimista) sobre as cotas só reforçará uma elite negra (rica) usando como "cavalo de batalha" o negro pobre.
Eu, em meu tempo de faculdade, tive vários colegas negros que lá estavam por terem boa formação escolar e esforço próprio. As cotas irão favorecer esses mesmos alunos, talvez um pouco mais.
Agora, o que eu acho uma grande demagogia é ficar falando em negro pobre (coitadinho) e branco rico (vilão).
Reforçando: o negro que entrará na universidade pelo sistema de cotas (rico e de classe média) estará tirando a vaga do negro (pobre) que foi usado como argumento e justificativa na implantação do sistema.
Pura demagogia... nada mais.  | Houveram muitos erros do passado. Triste e lamentável. Mas temos que nos unir num caldo cultural e multi-racial em que somos formado de fato. O que nos diferencia em matizes da cor da pele, pode nos ser útil em competitividades e negócios como todos os países do mundo. Temos chineses, temos africanos, temos latinos, temos europeus, temos russos, temos japoneses, temos árabes, temos judeus, temos índios, temos de tudo e não nos matamos por isso. Precisamos apenas criar condições justas para todos, independentes da cor da pele, religião ou raça. A escola pública pode nivelar a todos nós. Cada um pode lutar pelo seu espaço. É essa a sociedade que eu visualiso é a que eu sonho...
 | A descriminação no brasil,ao contrário do que os governos sugerem não é voltada contra negros,viados,e afins, mas, sim contra os pobres.Negro rico sempre foi respeitado, viado rico também, agora se for pobre tanto faz que seja branco,preto ou viado,é discriminado em qualquer lugar. Vá ao banco de sandálias japonesas e mal vestido e você verá a diferença no tratamento dispensado, e não só em bancos mas em todo lugar. Vinicius já dizia que beleza é fundamental e com dinheiro no bolso fica mais fundamental ainda. Parabéns ao autor deste artigo. Acertou na mosca ao demonstrar que o problema não está no vestibular, mas sim na disparidade das oportunidade de negros e brancos no Brasil. Isso é que importa, o resto é papo reacionário travestido de democracia. O princípio da justiça é tratar desigualmente os que recebem tratamento desigual da sociedade. Abs, Fábio
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