De minha parte, pretendo expor o fato político, primeiramente pela ótica de seus protagonistas. O presidente Lulla, a ex ministra Marina Silva, e o ministro convidado Carlos Minc. Além de algumas interpretações publicadas sobre a demissão da ministra.
Ao meu ver, Lulla pensou que ia levar esta disputa no ?banho maria?, sem a exposição da contradição que a sua política impõe, sempre favorecendo os projetos lesivos ao país, só agindo amenizando-os sob nítida pressão. A inércia é sempre contra o Povo.
É bom que se diga e se afirme que a ministra sai do governo sem criticar, em absoluto, a política ambiental do governo Lulla, da qual foi a gestora nos últimos cinco anos. Diz-se apenas sem condições, neste momento de aglutinar. Da mesma forma, o presidente Lulla disse que ?sai a ministra, mas a política ambiental continua como está?. Assim, delimitam bem, para o público interno e externo ao PT e ao governo federal, até onde vão as suas divergências.
Já o ministro convidado Carlos Minc dá uma entrevista onde destaca como sua tarefa prioritária a ?desburocratização dos licenciamentos ambientais?, coisa que a ministra em sua entrevista negou existir, justificando algumas demoras pela complexidade dos projetos analisados. Mas, também diz o ministro convidado que as condições que impõe como mínimas para que aceitasse o convite, ?em tese? foram acordadas por Lulla, mas restando a conversa pessoal para que tudo fique acertado (entrevista para O Globo).
Como secretário do meio ambiente do RJ, recebeu muitas críticas pelo ?toque de caixa? na aprovação de inúmeros projetos em tempo recorde. Inclusive o do Polo Petroquímico de Itaboaraí, com uma decisão política e não técnica, sobre o lugar. Além da aceitação da introdução do plantio de Eucalipto no noroeste do RJ, de acordo com a estratégia da FIRJAN em atrair uma fábrica de celulose para o Estado.
Assim, ficam desautorizadas qualquer palavra de oposição ou de discordância às diretrizes do governo federal, em relação ao meio ambiente, por parte dos protagonistas citados. E não poderia ser de outra forma, pois fazem parte do esquema de Poder no Brasil, hoje.
A ex ministra se diz vitoriosa pela ?redução de 140 para 26 m2 /seg, de vazão de água no projeto de transposição do Rio São Francisco, achando assim que é o possível a ser feito. Disse também que a licença da Hidroelétrica do Rio Madeira ela conseguiu, através de suas gestões, a adequação do projeto, com grande redução de impactos ambientais e sociais. E Carlos Minc, endossou a sua atuação no ministério.
Portanto, é importante ressaltar que eles, como é óbvio, fazem parte daqueles que pensam que o possível agora, é a política de concessões, com redução de danos. No máximo.
Estranhou-me que outros que, mesmo dizendo que ela deveria ter saído a mais tempo e sendo críticos do governo (embora tenham votado na reeleição de Lulla), a elogiam em artigos e até acabam por considerá-la a última baluarte dentro do governo federal, uma perfeita mártir-heroína, em clara transfiguração onírica do que realmente sucedeu. Tacitamente, acabam por concordar com esta visão da minimalista pela redução de danos, em vez da mudança de modelo de desenvolvimento. E. para mim, é isto que está em jogo.
Portanto, creio que se há possibilidades de alguma pressão em cima do presidente Lulla e de seu ministro convidado para o meio ambiente, Carlos Minc, esta nasceu e se fortaleceu a partir das corajosas críticas que alguns abnegados continuaram a fazer, inclusive sem aliviar a postura da ex ministra Marina Silva, que logrou muito mais em descaracterizar como plausíveis as críticas feitas de fora, e em oposição do (des)governo federal, estendendo para muito tarde esta crise, agora exposta. As posições conciliatórias ou de preservação da ministra Marina Silva, ao meu ver, contribuíram mais para a deseducação política, do que para qualquer outra coisa. E atrasando em muito a exposição desta contradição do discurso com a prática do (des)governo federal.
E, ainda teve a ex ministra, como a gota d' água para a sua atitude demissionária, um motivo de desprestígio pessoal, dentre tantos descalabros do (des)governo Lulla em relação ao meio ambiente.
Pessoalmente, penso que a gestão da ex ministra Marina Silva, frente ao ministério do meio ambiente, justamente devido às excessivas concessões feitas, trouxe muito mais prejuízos do que bônus para o país. Além da descaracterização como inconseqüentes, inúmeros movimentos críticos, reivindicatórios e de oposição política ao Modelo de Desenvolvimento em curso.
Penso que a manutenção das críticas e mobilização, sequer sem ?período de adaptação? ao novo ministro, é o que vai garantir a não mais concessão de um nada para este modelo desigual e predador de desenvolvimento, permitido e incentivado pelas políticas do (des)governo Lulla.
Ou então, que o ministro Carlos Minc saiba que a sua biografia será marcada pela adesão aos ideários da predação do Planeta. Algo que nem golpes midiáticos poderão esconder.
