A Iniciativa Merida, conhecida como Plan Mexico por suas semelhancas com o Plan Colombia, foi proposta por George Bush em Outubro de 2007, como um plano de apoio financeiro a "luta anti terrorista, anti drogas e pela seguranca fronteirica" no Mexico. O governo dos Estados Unidos pretende destinar US$1400 milhoes em 3 anos, sendo que US$550 mi ja neste ano.
O governo mexicano nao recebera nada em efetivo do governo estado unidense, e sim treinamento de suas forcas armadas pelas forcas armadas americanas e por empresas belicas como Black Water, conhecida mundialmente pelas violacoes de direitos humanos na invasao do Iraque e em Nova Orleans, nos operativos pos- furacao Katrina.
A PFP (Policia Federal Preventiva), responsavel pela repressao em Oaxaca e em Atenco, recebera o grosso do dinheiro, e o demais sera dividido entre "aduana, migracao e comunicacao", alem da parte destinada a consolidacao do "estado de direito" no Mexico.
Nao se pode entender bem o Plan Mexico sem conecta-lo a Alianca para seguranca e prosperidade da America do Norte e consequentemente ao Tratado de Livre Comercio da America do Norte. A ASPAN, uma tentativa de reforcar o NAFTA, faz parte da estrategia dos EUA de empurrar seus socios comerciais a formar uma frente comum que teria como dever lidar com as "ameacas terroristas", difundir a ideia e o ideal do livre comercio e reforcar o controle estado unidense sobre o mundo.
Partindo da ideia de que, como espaco economico compartido, a America do Norte deve ser protegida (segundo Thomas Shannon - Secretario Assistente de Estado para Assuntos do Hemisferio Ocidental, dos EUA), a ASPAN recebe "recomendacoes" da CCAN (Conselho da Competitividade na America do Norte, grupo de empresarios mais poderosos dos 3 paises), que orientam a alianca para garantir seus interesses. Alem disso, a Aspan nao e um tratado e portanto sua aprovacao nao esta submetida a votacao nos congressos de nenhum dos 3 paises envolvidos. Nao ha maneiras de controlar-la ou restringir-la. E um passo ainda mais anti-democratico para aprofundar o Nafta, ja aprovado sem nenhuma participacao popular - apesar de haverem algumas manifestacoes.
O Plan Mexico se insere nesse contexto como uma estrategia adotada por 2 governos fracos, como uma tentativa de aprovar a todo custo uma alianca impopular e de "fortalecer o presidencialismo", em um pais onde o Presidente atual fraudou as eleicoes e governa sempre na corda bamba (Felipe Calderon) e em outro onde o Presidente e seu partido (George Bush) perdem cada vez mais popularidade. Alem do que e uma tentativa clara de impor a Mexico os interesses americanos como se fossem seus como o combate ao terrorismo, a chegada de drogas aquele pais e a criminalizacao crescente da imigracao.
PORQUE LUTAR CONTRA O Plan - no Mexico?
1- Primeiro de tudo, porque o Plan promove uma militarizacao sem controle do ja militarizado e autoritario Estado mexicano. Se atualmente os grupos organizados sofrem constantes ataques e repressao por parte do governo, o Plan tende a aumentar drasticamente essa situacao, impulsionando uma volta a "guerra suja" dos anos 70.
A entrada de mais recursos na policia piora a corrupcao ja constante e reforca o estado policial mexicano. Considerando que 90% das armas usadas pelo crime organizado e pelos grupos paramilitares no Mexico vem do exercito dos estados unidos, a tendencia e que os grupos paramilitares se sofistiquem ainda mais sua atuacao, intensificando os ataques a movimentos sociais como o movimento zapatista.
Historicamente, a guerra antidrogas e antiterrorismo foi e é, utilizada por governos de direita como desculpa para o combate a oposicao. Bush e Uribe sao apenas 2 exemplos.
Tampouco podemos esquecer as ditaduras na America Latina foram antecipadas por uma militarizacao fora de controle e apoiada e mantida pelo treinamento dos exercitos latino americanos por parte do Exercito Estado Unidense nas chamadas "Escolas das Americas".
2- Porque o modelo guerra contra as drogas nao funciona. Estudos mostram que o modelo de prevencao, reducao de danos e reabilitacao sao 20 vezes mais eficientes no combate ao vicio que a ideia de impedir a chegada das drogas aos seus consumidores. Sete anos de Plan Colombia - planejados para serem 2 -, com investimento total de 6 bilhoes de dolares, nao adiantaram para que Colombia deixasse de ser fonte primaria de cocaina e que o narcotrafico continuasse crescendo, agora com metodos mais sofisticados de atuacao. Alem do que, os recursos e as forcas militares na Colombia sempre foram usados pelo governo para combater a dissidencia e as guerrilhas. Nao da pra imaginar que no Mexico vai ser diferente.
3- Tudo é detalhadamente pensado de forma a atender os interesses estado unidenses. Os Estados Unidos "doam" dinheiro para "combater o crime" no Mexico - fazendo com que a agenda de combate a migracao, ao terrorismo e as drogas seja adotada pelo Mexico como se fosse sua propria agenda. O dinheiro vai ser todo investido em empresas e orgaos dos proprios EUA, complentando o ciclo que faz os EUA darem dinheiro a si mesmo. Alem do que, o governo Estadounidense propagandea seu modelo de combate ao terrorismo e "democracia", como e o caso da chamada Lei Gestapo, que permitiria a entrada sem mandato judicial da policia na casa de "suspeitos-as", muito parecida com a lei Patriotica aprovada nos EUA depois do 11 de Setembro.
PORQUE LUTAR CONTRA O PLAN- no resto da America Latina e do Mundo
1- Porque o Plan é um passo a mais na repressao dos movimentos sociais e em resistencia no Mexico e nao podemos deixar que nossos companheiros e companheiras sigam sendo presos-as, torturados-as e desaparecidos-as, como ja acontece, mas pioraria com o Plan. Quanto mais comum forem essas situacoes, mais os governos vao justifica-las argumentando combate ao crime organizado para sufocar dissidencias e lutas. Quanto mais comum for, mais governos, de outros paises, usarao os mesmos argumentos e as mesmas inspiracoes para fazer o mesmo com movimentos sociais e organizacoes de outros lugares.
2- Porque o Plan Mexico e a ASPAN sao um experimento dos EUA, um jogo de tentativa e erro em busca da melhor maneira de integrar-se economica e militarmente com paises sub desenvolvidos, e assim disputar uma hegemonia politica e superar sua crise economica. Dando certo - a seus olhos- o proximo passo é expandir esse tipo de iniciativa para o resto da America Latina e tambem dar um passo a mais para a consolidacao, na pratica, da ALCA. Tanto é assim, que no orcamento desse ano do Plan Mexico, us$50 milhoes sao destinados para a America Central e o Congresso Americano sugeriu a inclusao de outros US$ 10 milhoes para Republica Dominicana e Haiti.
Barrar esse Plano é dar mais uma mostra de resistencia a ALCA e a qualquer outro projeto que o neoliberalismo nos pode trazer.
Alguns outros links para entender melhor o Plan:
Un compendio sobre el Plan Mexico:: US congress aproves Plan Mexico:: Material de Casa de La Paz sobre o Plan Mexico
