Ponto de Cultura Invenção Brasileira em defesa do Santuário Sagrado dos Pajés
O Ponto de Cultura Invenção Brasileira, organização sediada em Taguatinga/DF, vem a público declarar seu apoio à permanência integral da Reserva Indígena do Bananal e do Santuário dos Pajés na área em que se encontram há quase 40 anos.
Também nos posicionamos contra a construção do Setor Noroeste, projeto que entendemos como uma movimentação para atender os desejos de grandes lucros dos empresários do ramo da construção e especulação imobiliária. Brasília e o Distrito Federal demandam sim projetos de moradias com dignidade, mas os contemplados dessa necessidade primeira devem ser as famílias de baixa renda e de sem-teto, e não a classe média alta e ricos, que apenas tratam o tema como investimento e futuro faturamento.
O Governo do Distrito Federal e demais órgãos competentes à questão não podem executar a destruição de uma área de preservação ambiental que também serve como "Área Tampão" ao Parque Nacional de Brasília. Além disso, não pode ser desconsiderada a possibilidade de destruição de importante desaguadouro que condensa um lençol freático que abastece o Ribeirão Bananal, um dos alimentadores do Lago Paranoá.
A idéia de implantação de moradias de luxo para mais de 50 mil pessoas, com todo a infra-estrutura necessária para atender esse padrão de vida e de consumo, sob o rótulo de "Bairro Verde e ecologicamente correto" também nos soa muito estranho e questionamos a sua real possibilidade.
A área que abriga as famílias indígenas e um Santuário Sagrado tem sido preservada por estes, justamente por uma relação e um modo de vida onde o respeito à terra e à natureza são fundamentais. Essa relação simbiótica com a natureza tem muito a ensinar a nossas sociedades consumistas e negligentes com o planeta e sua preservação se apresenta como algo primordial para as nossas e as futuras gerações.
A Reserva Indígena do Bananal também serve como ancoradouro e abrigo para os índios que estão em trânsito por Brasília. Espaços como os oferecidos pela FUNAI ou FUNASA cada vez mais demonstram ser imcompatíveis e insuficientes. Como triste ilustração desta incapacidade de acolhimento pelos órgãos responsáveis, podemos apontar o caso do índio Galdino, barbaramente queimado e assassinado por filhos "abastados" da cidade, e da jovem índia xavante recentemente assassinada, que se encontrava na Casa de Apoio à Saúde do Índio.
Ao contrário da reparação histórica com dignidade, algo mais que merecido para os povos massacrados em 508 anos, o que assistimos no Distrito Federal é uma gigantesca campanha de difamação e calúnia aos indígenas e a implementação cruel de um racismo institucional. A imprensa da capital parece estar cega pela ganância financeira e cada passo dado se apresenta como a mais vergonhosa cooptação ideológica e econômica, com matérias carregadas de puro preconceito e desinformação.
A Classe artística e cultural do Distrito Federal não pode se silenciar diante deste absurdo. Esperando que a verdadeira justiça seja cumprida, nós dizemos em alto e bom som - "O Santuário dos Pajés não se move"!
Ponto de Cultura Invenção Brasileira - Taguatinga, 01 de julho de 2008
