Assustado, Charles subiu com a moto na calçada, no sentido da contra mão da rua, buscando fugir dos tiros (várias marcas de tiros no muro da empresa situada no número 355 podem ser vistas). Entretanto, praticamente em frente à entrada da empresa Farmoquímica (que fica do outro da rua), ele caiu e foi executado a tiros pelos policiais. Duas grandes poças de sangue seco ainda podiam ser vistas ontem (11/07) no local exato da execução. Policiais colocaram o corpo numa das viaturas e ainda demoraram muito e sair em direção ao hospital Salgado Filho.

O padrasto de Charles e amigos do jovem, inclusive testemunhas, foram ao hospital, e ao se certificarem de sua morte, dirigiram à 23a DP para registrar queixa e acusar os PMs de assassinato. O delegado também tomou depoimento de alguns dos policiais envolvidos (que aparentemente registraram o caso como mais um auto de resistência) e solicitou a prisão de dois deles, autuados como em flagrante.

Ontem, 11/07, foi realizada uma manifestação no local mesmo do crime. Por quase meia hora moradores fecharam a Rua Viúva Cláudio, gritaram por justiça e deram declarações à imprensa presente. Além da mãe e da irmã de Charles, Neusa e Sheila, muito revoltadas, estavam ainda presentes a Associação de Moradores, membros de igrejas, a Rede contra a Violência, e Dona Julieta, mão de Leandro Silva Davi ( http://www.redecontraviolencia.org/Casos/2007/167.html), cuja morte durante operação policial no Jacarezinho completou ontem exatamente 1 ano. Uma faixa usada na manifestação dizia: 11 de Julho... 1 ano sem Leandro... 1 dia sem Charles. Aliás, o local onde aconteceu o assassinato de Charles foi praticamente o mesmo em que Bruno Ribeiro de Macedo ( http://www.redecontraviolencia.org/Casos/2006/204.html)foi executado por PMs em 03/11/2006, quando buscava um táxi para socorrer o pai que estava tendo um ataque, e que acabou morrendo no mesmo dia por demora de socorro.