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| | Abrigo dos horrores
A reportagem 'Abrigo dos Horrores' denuncia o confinamento de animais em más condições no Abrigo de Animais de Imbituba, SC, e a negligência dos responsáveis pelo projeto que se negam a fazer campanhas de esterilização e educação. Reportagem completa, fotos e mais infomações no blog: olatido.blogspot.com
Abrigo dos horroresPrograma de controle de animais em Imbituba fracassa por recolher animais e tentar esconder o problema da população O ambiente é úmido, escuro e fede a urina, mesmo depois de ter sido limpo. As condições insalubres do abrigo de animais de Imbituba, litoral sul de Santa Catarina, se agravaram de um ano para cá. Dos 110 animais poucos estão em condições que podemos chamar de saudáveis. Não que falte comida ou assistência veterinária, é que na nova política do projeto só os animais em más condições são recolhidos. A mudança evidencia o fracasso do projeto que ao invés de diminuir, aumentou o número de cães nas ruas pelo abandono. A precariedade do abrigo é tanta que o veterinário responsável pelo programa de controle de cães e gatos nas ruas, Édio Souza de Oliveira, proíbe imagens. - Ele não está do jeito que eu gostaria, justifica. Paulo Botafogo, presidente da Ong Fundo Vira-lata de Garopaba, visitou o lugar: - O abrigo é tudo menos um abrigo. É um lugar frio e triste, com cães amontoados deitados no cimento frio, desesperados e apáticos. Cães trancafiados em celas minúsculas, sem sol, sem espaço, é resultado de uma política que tenta esconder o problema da população. O serviço terceirizado da Clínica Veterinária Clinvet pode até tentar, mas não é capaz de cuidar do projeto sozinha. Tirar os animais das vistas da população não é uma medida eficaz: o problema parece resolvido, mas foi só mascarado. O próprio veterinário admite: - Pensei que fosse limpar as ruas de Imbituba em um ano, mas pelo contrário, aumentou o número de cães na rua, cada vez as pessoas soltam mais. O repasse mensal é de R$ 5.500. O custo de alimentação, medicamentos, funcionários, transporte e manutenção da área onde está o abrigo, geralmente ultrapassa esse valor, segundo o veterinário. De fato manter um abrigo de animais não é barato e não resolve o problema da superpopulação animal. Por esse motivo, as organizações de proteção animal aconselham a não recolher. Paulo Botafogo foi um dos protetores que tentou alertar Édio. - Recolher e recolher seria uma coisa sem fim, desperdiçando o dinheiro público com um processo sem resultados práticos e que só produz sofrimento. Enquanto as campanhas de educação e de esterilização em massa de cães e gatos não forem feitas, essas fábricas de tristeza só refletem nossa incapacidade de lidar com a vida no planeta. Édio é bem intencionado, mas lhe falta a experiência que os protetores tentaram e ainda tentam passar. Ele não quer ouvir. - Não comento sobre Garopaba. Em Garopaba o controle de animais é feito pela Ong Fundo Vira-Lata que trabalha com esterilização a baixo custo. Em seis anos de existência, a Ong sozinha tirou mais animais das ruas com esterilização do que qualquer canil que se tem notícia nessa região. A Organização Mundial de Saúde, OMS, recomenda a esterilização como a única forma de atacar eficazmente o problema da superpopulação de animais nas ruas. Apesar disso, Édio não concorda em oferecer esterilização a baixo custo. Ele acha que seria antiético com a clínica dele e do outro veterinário da cidade cobrar mais barato pela cirurgia de esterilização. Na ética financeira, talvez. Talvez ele não saiba que a maioria das pessoas que trabalham pela causa animal não ganham um tostão, pelo contrário, usam o próprio dinheiro e se enchem de dívidas por não conseguir negar ajuda aos seres que sofrem. Há protetores em Imbituba que não levam mais seus animais em clínicas daqui. Quando precisam de castração, enchem um carro e vão a Garopaba. Desde o início do projeto Édio promete que vai construir um novo abrigo, orçado em 30 mil reais. O município não tem planos de bancar a construção. Se o abrigo for construído por Édio, será no terreno dele, com o dinheiro dele, ou seja, será particular. E não se pode basear um programa público de controle de animais em um canil particular. Talvez ele planeje tocar o canil sozinho caso o poder público abandone o projeto, o que pode ocorrer, mas parece que ele está contando com a boa vontade eterna dos políticos. Outro problema de um canil particular é que ele tira da população a responsabilidade e a possibilidade de vigiar o que está sendo feito com os animais e com o dinheiro público. O abrigo Quando o projeto começou, em outubro de 2006, os responsáveis insistiam em recolher todo animal que vagasse pelas ruas, achando que dessa forma acabariam com o problema. Não houve preocupação em construir um abrigo. Foi cedido um dos prédios abandonados do ICC, que, toscamente adaptado, logo começou a receber animais. Os canis são todos na parte interna, sem acesso ao ar livre. No salão central, são dez baias, de dois por três metros, onde fica a maior parte dos cães. Sem luz solar direta, o piso está sempre molhado. São até oito cães em cada baia que tem um estrado de madeira onde eles se amontoam para dormir. Os latidos ensurdecedores ecoam nas paredes cobertas de azulejos brancos. As janelas altas não são suficientes para ventilar o forte odor de urina. Como não há pátio, os tratadores colocam coleiras e correntes nos cães e os levam em grupos para tomar sol do lado de fora do prédio. Além de ser trabalhoso, isso às vezes rende problemas. Em uma das vezes que visitei o canil, um dos tratadores misturou os cães ao levá-los para o sol e colocou-os em baias trocadas. Os outros funcionários levaram a tarde toda para corrigir a confusão. Qualquer coisa diferente gera algazarra entre os moradores do pavilhão central. Quando algum deles foge, os latidos dos que ficam presos é ensurdecedor. De vez em quando dá briga e o tratador tem de ir separar. O último que saiu separava os animais a pauladas. Não há voluntários, os responsáveis pelo projeto não aceitam ajuda. No pavilhão central alguns cães latem e se jogam contra as grades desesperados, mendigando atenção. Outros permanecem deitados, com ar depressivo, acompanhando de longe os visitantes. Do lado oposto às baias, algumas salas também receberam portões de madeira, já reforçadas com tela devido às mordidas dos mais aflitos. Na última sala do pavilhão central, fica a 'solitária', onde estão os cães agressivos. Presos em pequenas celas de um metro por um e meio, eles raramente saem para tomar sol. O mais veterano dos cães na solitária é um Pitbul amarelo que está preso há quatro meses. Depressivo, não esboça reação, nem quando chamado. Parece ter perdido a noção de que é um cachorro, num lugar onde só vê paredes, acabou se confundindo com uma. Outro que está na solitária é um vira-lata preto enorme. Ele olha desconfiado pelas frestas da porta e late raivoso como quem cobra a presença do advogado. O tratador mostra dois cães que tiveram os olhos perfurados na rua. Um deles ainda não enxerga, mas vem cambaleando até o portão de sua baia atraído pelas vozes humanas. Mesmo cegos, os cães continuam amigos do homem. O outro já recuperou parte da visão. É um cãozinho peludo minúsculo, daqueles de colo. Deve ter sido abandonado por uma dessas madames que os compram para enfeitar o colo e quando percebem que eles fazem cocô, descartam-nos como a uma roupa fora de moda. É uma noção invertida de valores que se afirma no comércio de animais e na proliferação das lojas pet shops. A vida do animal é reduzida a um valor estético tal qual um bicho de pelúcia. No fim, uma parte desses cães-objetos vai parar nas ruas, onde procriam, gerando mais animais errantes, sofredores de um sistema onde a vida tem valor de mercado e até desconto para os mestiços. A legislação brasileira é uma das mais avançadas do mundo em proteção animal. A lei de proteção aos animais existe desde 1934 - Decreto-lei nº 24645 -, e foi complementada com a Lei 9.605 de 1998 - Lei dos Crimes Ambientais. Pelo menos a Lei Municipal nº 3.223/06, sancionada em 12 de setembro de 2006, garante que os animais saudáveis não podem ser mortos como forma de controle populacional. Os cães e gatos recolhidos ficam no abrigo até que sejam adotados ou morram naturalmente. No segundo andar fica o gatil. São seis gatos presos em um antigo banheiro com os mictórios ainda na parede. Eles ficam deitados em meio às fezes e urina misturados na areia espalhada pelo chão. Gatos são bichos muito higiênicos, aprendem sozinhos a usar a caixinha de areia. Normalmente não deitam na areia que usam para fazer cocô. Mas no lugar não há outro lugar para deitar além do piso frio de cerâmica. A areia é trocada a cada 15 dias. Não chega a ter mau cheiro, mas um cocô feito fora da areia denuncia que nem os gatos consideram mais a areia apropriada para isso. Além disso o contato com as fezes de outros animais, pode transmitir doenças, como a toxoplasmose, e verminoses. O gatil é um retrato do improviso do abrigo. Culpar a população tornou-se um hábito Édio atribui os problemas do programa à população. Sabe que para que o povo participe, deveria haver educação, mas admite que esse trabalho não existe. Édio diz que no projeto redigido por ele há a participação da secretaria de educação, para o envolvimento das escolas. -Talvez seja falha minha por não cobrar, não ter levado o projeto e dito o que precisa ser feito. Talvez seja mesmo. Mas, a secretaria de educação fica a trezentos metros do abrigo de animais. Impossível não ouvir os latidos desesperados dessa distância. Se nem como cidadã, a secretária de educação, Leda Pamato de Souza, se interessou pelo abrigo, difícil esperar uma iniciativa mais ousada que um seco 'não é comigo'. Ela afirma não poder fazer nada, pois não foi solicitada. Falha mesmo está em querer resolver o problema acreditando na auto-suficiência do serviço terceirizado. - O povo tem de fazer parte da solução - deduz a coordenadora da Vigilância Sanitária Sandra Mara Leal. Ela atribui o aumento de animais na rua à falta de consciência da população, não só da cidade, mas dos municípios vizinhos. - Sabemos que eles enchem carros, kombis, até barcos e vêm despejar tudo aqui, no Portinho, na rodoviária, em locais já conhecidos de abandono de animais. Nesse jogo de empurra é muito fácil responsabilizar a população, que realmente tem sua parcela de culpa. Mas, não se pode esperar que as campanhas se façam sozinhas e sem envolvimento da população. Os protetores que trabalharam pelo primeiro projeto continuam com dificuldades em castrar animais e não vêem melhoras na situação dos animais. Os coordenadores do projeto sabem que a população deve participar. Sabem que o problema é de todos. Mas, continuam batendo a cabeça na parede, varrendo o problema para baixo do tapete, escondendo os animais no abrigo, mascarando com os números de adoção, isentando a população de conhecer a realidade ao mesmo tempo em que a culpa de abandonar. Édio não queria que eu descrevesse o abrigo na matéria, porque iriam criticá-lo, chegou a dizer que poderia abandonar o projeto, pois não estava tendo lucro e só se incomodava. Enquanto esse tipo de atitude continuar o projeto está fadado ao fracasso. Paulo Botafogo, que não recebe nada pelo seu trabalho, coloca a necessidade da luta pelos animais acima das críticas e dos problemas. - O que choca é a indiferença geral. Isso é grave. Posse responsável, a importância da castração no controle de animais, direitos dos animais, conhecimento da lei, devem ser divulgados para toda a população para que o canil não se torne apenas um depósito de animais. Que se espalhe a idéia do voluntariado, ao invés de se buscar o lucro em cima de um problema público. Se o abrigo não for construído em uma área pública, com uma associação ou um grupo representativo de vários setores da sociedade que ajude a gerenciar o projeto, corre o risco de ficar a mercê das mudanças políticas. Quem espera não somos nós, mas os pobres animais confinados naquelas pequenas celas frias. Vida e quase morte de Africano Em uma rua da Vila Nova, um cão preto é deixado agonizante na calçada. De tão desnutrido nem fica em pé. Um morador o encontra a tempo de ver o carro se afastar com os criminosos que o abandonaram. Ele leva água e comida. De tão fraco o bicho come deitado. Ele está tão magro que dá pra contar os ossos da coluna. Temendo pela vida do pobre animal, os moradores acionam o canil da prefeitura. Foram pelo menos sete tentativas ao longo de duas semanas e nem sinal do carro branco da Clinvet. Comovidos com a situação, outros moradores cuidam dele também. Um leva ração, outro o resto do almoço e ele vai se recuperando, ganha peso e até um nome: Africano. Seis meses depois, Africano é um belo cão preto, enorme e manso, com pinta de cão de raça e hábitos de vira-lata. Mora na rua mesmo, mas todos se sentem um pouco responsáveis por ele. Sem que ninguém viesse mostrar como, os moradores aprenderam a cuidar de uma vida que, desde o início, dependeu da boa vontade e da compaixão. Hoje, eles agradecem que o carro do canil não tenha vindo buscá-lo.
Passem o email do prefeito Passem o email do prefeito para a gente. Burros Esses caras de Imbituba são tão burros que não sabem nem fazer um canil. pego mal a legenda da última foto pego um pouco mal,,, Cachorrada Nem os judeus foram tratados tão mal. Resposta Fico muito decepcionada com a falta de responsabilidade, de seriedade e de respeito que atualmente observamos nas pessoas. Em uma época como essas onde as informações chega com mais rapidez, observo que em um ramo como o de vocês ainda anda em passos lentos. Fiz uma introdução para informar-lhes às últimas noticias sobre o CANIL. Qual a intenção que existe por trás dessas informações maldosas, é difícil saber, mas devemos em nome da verdade, explicar mais uma vez as pessoas que desconhecem as informações que o Veterinário Édio disse na ocasião em que foi pedido para falar sobre o projeto sem saber que havia má intenção das pessoas que lhes perguntavam.Todo projeto tem uma parte teórica e uma parte prática e foi justamente esta parte pratica onde se observou como funciona de fato um projeto como esse. Começamos com intuito de fazer o melhor pelos cães e pela cidade, mas logo percebemos que estávamos diante de algo muito grande e que exigiria de nós mais atenção e modificações para atender de fato as necessidades que surgiam, não pensamos em fatores que a prática nos levou a conhecer, mas não fomos irresponsáveis, com todo esse conhecimento que adquirimos nessa área, começamos a pensar como melhorar de fato, modificamos toda a estrutura do canil, que poderá ser confirmada com a visitação, já que o canil é aberto ao público e poderá confirmar nossas informações. Isso mostra que essas pessoas que tentam denegrir nossa imagem estão mal informadas. Partimos também para a segunda parte do projeto que é fazer as castrações nas comunidades carentes e após devolvemos para seus donos. Estamos concluindo o bairro Aguada e iremos para outras comunidades, já que as castrações são e sempre foram nossas metas principais, tanto é que em menos de dois anos já ultrapassamos de quinhentas castrações. Trabalhamos nesse ramo a mais de vinte anos e as pessoas que falaram neste site em nosso nome, não nos conhecem, não dizem a verdade, distorcem as informações e não são da nossa comunidade e de nossa cidade. Iremos enviar as fotos do canil para que os responsáveis por este site as publiquem e dê oportunidade das pessoas conhecerem a verdade. Tudo o que foi feito no canil está registrada e é feito um relatório mensal e enviado para as autoridades do Município. Podemos informar também que os cães recolhidos são castrados, medicados quando necessário, antes da doação. Infelizmente vivemos em um país que achamos que podemos falar sem conhecimento e muitas vezes achamos que sabemos, mas os que nos dá direito de falar com responsabilidade, duas coisas são importantes: a educação porque nos permitem o respeito pelo próximo e o conhecimento científico que nos dá a condição de falar do que conhecemos e isso fica claro que falta para essas pessoas. Portanto encerro essa resposta dizendo que é uma pena que ainda diante de tantas informações e conhecimentos existem pessoas que preferem denegrir o trabalho dos outros, a informar seu próprio trabalho, se é que existe.
Responsável CANIL
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