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| | Povos indígenas realizam ato em Fortaleza
No dia 21 de agosto, será realizado, a partir das 16h, partindo da Praça José de Alencar em direção à praça do Ferreira, um ato contra a violação dos direitos indígenas. Com o lema 'Nossos direitos estão sendo violados! Vamos lutar juntos! Não nos rendemos, nem nos vendemos!', os Povos Indígenas do Estado, juntamente com diversos movimentos sociais, ONGs, grupos de pesquisa das Universidades e de assessoria jurídica popular, advogados/as e militantes dos Direitos Humanos irão às ruas para denunciar e dar visibilidade às problemáticas que vêm sendo enfrentadas pelos índios no Estado. Nos últimos anos, tem-se vivenciado um processo de tentativa de retirada de direitos conquistados por essa população e garantidos constitucionalmente após anos de perseguição, violência e negação da existência e da cultura indígena. No Ceará, a situação é evidenciada pelos conflitos existentes entre interesses privados e diversas etnias, tais como: o conflito entre os Tremembé de São José e Buriti e o grupo Nova Atlântida, que pretende construir um grande empreendimento turístico imobiliário nas terras habitadas secularmente pelos índios (atualmente a construção da obra está embargada por uma liminar concedida pela Justiça Federal e confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região de Recife); em Caucaia, a oligarquia Arruda, há décadas no poder municipal local, entrou com um mandado de segurança pedindo a anulação do processo demarcatório das terras dos Tapeba, que já lutam há três décadas pela sua demarcação; em Aquiraz, os Jenipapo-Kanindé estão em conflito com o grupo Ypióca, por conta da poluição e retirada da água da Lagoa da Encantada nas terras da Aldeia; em São Gonçalo do Amarante, desde a construção do Porto do Pecém, a situação dos Anacé vem agravando-se (o empreendimento já ocasionou a expulsão de três comunidades e ameaça grande parte das terras por eles ocupadas, além de gerar fortes impactos ambientais); em Maracanaú, os Pitaguary estão ameaçados judicialmente de perder parte de suas terras para um posseiro que ocupa indevidamente um espaço de 600 ha no meio da aldeia Santo Antônio dos Pitaguary. LEIA MAIS
PANFLETO DO ATO POVOS INDÍGENAS NO CEARÁ: NÃO NOS RENDEMOS NEM NOS VENDEMOS! ?Teve um tempo que nós para viver precisamos nos calar, e, hoje, nós para viver precisamos falar?. (Pajé Luiz Caboclo) A história dos índios no Ceará é marcada por um intenso processo de lutas e resistências. Lutas contra as invasões que tentam expulsá-los de seus territórios. Resistências contra as diversas tentativas de negação de suas existências e culturas. Após décadas utilizando-se do silêncio como forma de resguardarem-se de perseguições, estereótipos e preconceitos diversos, os povos indígenas decidiram, no início dos anos de 1980, assumir uma nova forma de resistência: a afirmação de sua identidade indígena, dando continuidade à luta de seus ancestrais por terra, reconhecimento étnico-cultural e dignidade. Ao romper o silêncio, eles desafiaram não apenas os posseiros, latifundiários, empresários e políticos locais, que há anos praticam invasões em seus territórios, mas também a própria história oficial que afirmava não haver mais índios no Ceará. Ao mesmo tempo, as elites locais e internacionais impõem à sociedade cearense um projeto de modernização capitalista que está modificando completamente a paisagem do Estado. Sob a máscara do velho discurso do progresso, prometem emprego e desenvolvimento, mas, na verdade, tratam-se de projetos nitidamente elitistas e concentradores de renda, uma nova colonização que não respeitam o meio ambiente nem a dignidade das pessoas, com fortes impactos negativos no modo de vida das populações tradicionais, tanto do sertão quanto do litoral. É neste contexto que presenciamos hoje uma forte ofensiva contra os povos indígenas e uma intensa campanha de negação de suas identidades e direitos constitucionais. No Ceará, o Governo Cid Gomes e a iniciativa privada local e internacional ameaçam os territórios habitados tradicionalmente pelas comunidades indígenas. Em Itapipoca, o grupo empresarial internacional Nova Atlântida nega a existência dos Tremembé de São José e Buriti e alega a posse das terras ocupadas secularmente por estas populações, apesar de uma liminar que embarga a construção de um grande complexo hoteleiro e imobiliário por este grupo, concedida pela Justiça Federal e confirmada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) 5ª Região do Recife. Em Caucaia, a oligarquia Arruda, há décadas no poder municipal local, entrou com um mandado de segurança pedindo a anulação do processo demarcatório das terras dos Tapeba, que já lutam há três décadas pela sua demarcação. Em Aquiraz, o grupo Ypióca, além de poluir e retirar água da Lagoa da Encantada, nas terras da Aldeia dos Jenipapo-Kanindé, criminaliza os defensores dos direitos indígenas. Em São Gonçalo do Amarante, desde a construção do Porto do Pecém, a situação dos Anacé vem agravando-se em razão de toda a infra-estrutura que o complexo vem trazendo àquela região (termelétrica, usina, etc). O empreendimento já ocasionou a expulsão de três comunidades e ameaça grande parte das terras por eles ocupadas, além de gerar fortes impactos ambientais. Em Maracanaú, os Pitaguary estão ameaçados judicialmente de perder parte de suas terras para o posseiro Fernando Façanha, que ocupa indevidamente um espaço de 600 ha no meio da aldeia Santo Antônio dos Pitaguary. Tais fatos somam-se à problemática dos índios do sertão que, em municípios como Crateús, Monsenhor Tabosa, Poranga, Quiterianópolis, Novo Oriente e outros, vivem situações de intenso conflito, por conta do da identificação indígena desses povos e da demarcação de seus territórios. Neste sentido, nós, movimentos sociais do Ceará e sociedade civil organizada, nos solidarizamos com a luta dos povos indígenas e nos unimos para denunciar os abusos do poder público e da iniciativa privada! Exigimos também o imediato reconhecimento da identidade indígena desses povos e a urgente demarcação de suas terras tradicionais! Artigos antigos ja publicados. http://brasil.indymedia.org/media/2008/06/422362.pdf Editorial antigo: Movimentos sociais denunciam danos socioambientais da empresa Ypióca em ato público http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2007/08/392169.shtml?comment=on YPIÓCA TENTA INTIMIDAR PARA CALAR OS MOVIMENTOS SOCIAIS http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2007/07/388962.shtml Fortaleza - Ato contra a Ypióca http://brasil.indymedia.org/eo/blue/2007/08/391902.shtml Panfleto do Ato contra a Ypióca http://www.brasil.indymedia.org/pt/blue/2007/08/392143.shtml [Caso Jeovah/Daniel] Fotos Manifestação na Praça do Ferreira http://brasil.indymedia.org/es/blue/2007/08/391909.shtml Brasil! Ainda em processo de colonização? É com grande tristeza que leio esta noticia. Ela reforça o pensamento de que o Brasil ainda é um país que não evoluiu em termos de cidadania, comportando-se da mesma forma que comportar na era da barbárie ou colonização.
Alguns autores têm afirmado que o Brasil ainda não terminou a guerra que Portugal declarou aos índios, em abril de 1500 (leiam na publicação eletrônica ? Jus Navigandi: Brasil 500 anos de guerra contra os índios). Depois de ler a notícia acima, não há como não concordar com os autores responsáveis pela publicação referida neste comentário. Um país que vive sob o domínio de grupos corporativos e oligárquicos não pode ser uma nação soberana e independente. Enquanto existir um brasileiro oprimido, com ainda vivem os índios , não poderemos dizer que vivemos em um país livre. Do jeito que o Brasil vem sendo conduzido desde sua independência no século XIX, precisaremos de pelo menos mais 500 anos para começar a respirar liberdade.
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