O Proletários Armados para o Comunismo (PAC), grupo de que Battisti participou na década de 70, fazia parte do movimento da "nova esquerda italiana" ou ainda "Autonomia operária", a qual se opôs ao processo de composição do governo, numa aliança entre o PCI (Partido Comunista Italiano) e partidos tradicionais. Assim, os "anos de chumbo" configuraram-se num choque entre esquerda extra-parlamentar e a esquerda parlamentar. Atualmente, a rejeição por setores ortodoxos da esquerda em apoiar Battisti é devido ao fato da sua participação nesse movimento, o qual representou uma deserção em massa ao PCI e sua composição governista. Dessa forma, estes não só usam os mesmos jargões - terrorista, torturador e criminoso - que a direita utiliza para atacar os militantes de esquerda, como também a legitimam politicamente em sua "caça às bruxas" em todo o mundo.

Os quatro crimes aos quais tentam associar Battisti foram revindicados por pessoas que diziam fazer parte dos PAC - uma sigla que todo mundo podia se apropriar - e a única ligação de Battisti com os crimes é fundamentada no depoimento de um ex-membro do grupo, Pietro Mutti, que teve diminuição de sua pena pelas delações premiadas. Mutti forneceu tantas versões aos magistrados, em constante contradição com a dos outros "arrependidos", que ele foi ameaçado de voltar a prisão com aqueles que ele havia delatado caso não maneirasse nas invenções.