Reconhecida como principal ameaça, a ambição estrangeira pela Amazônia, definiu-se no EB que entre os cenários possíveis haverá o confronto militar.
Os dois subcenários mais prováveis: A secessão de terras indígenas apoiadas pelas grandes potências ou a simples tomada a "manu militari" para se apoderar de matérias primas, sempre nas desabitadas e altamente mineralizadas serras do norte da Amazônia.
Obviamente que, em qualquer dos casos, enfrentaríamos um inimigo superior, que contará com supremacia aérea e naval e ainda terá ao seu lado as tribos indígenas industriadas pelas ONGs, porém, o Vietcong (nós, no caso) venceu os USA nessas mesmas condições.
No caso de secessão de terras indígenas, mesmo apoiadas militarmente por países desenvolvidos, a guerra provavelmente se circunscreveria às terras do norte da Amazônia (Roraima, Amapá e Calha Norte).
No caso de agressão militar aberta, numa tentativa de quebra da vontade nacional podemos esperar bombardeios seletivos como das hidrelétricas, tomada ou destruição das plataformas de petróleo, bloqueio naval, bombardeios e mesmo tomada de cidades, centros industriais e de decisão. Em ambos os casos, o tamanho do território nacional impede uma ocupação total, o que significa que sempre teremos uma base para contra-atacar.
Com reduzidos recursos o Exército Brasileiro faz grande esforço para manter o poder de combate. Tal como na maioria dos Exércitos atuais, a brigada e a divisão são os tipos de Grande Unidade permanente. A estrutura é flexível; seria adaptada para o combate campal se fosse dotada de material atualizado. Convencido que não teria inimigos à altura na América do Sul, o Exército deu mais ênfase à mobilização do que ao pronto emprego.
Mesmo carente de recursos, o Exército preparou como pôde tropas de pronto emprego e criou uma aviação própria. Para enfrentar a hipótese de confronto com forças muito superiores, especialmente nas serras do norte da Amazônia, estudos do Estado Maior mostram nossas dificuldades não só de efetivos como, principalmente, de armamentos e tecnologia, os quais o Estado nos negou.
Podemos agüentar bombardeios em nosso território, por muito prejuízo que cause. Havendo invasão de espaço povoado, até poderemos responder com guerrilhas rurais e urbanas, se as tivermos preparado com antecedência; e a tão necessária mobilidade aérea, indispensável face ao tamanho do nosso território, é completamente inútil quando o inimigo tem a supremacia no ar.
Caso o inimigo se limite a estabelecer uma "Zona de Exclusão" no estilo que houve nas Malvinas abrangendo apenas as reservas indígenas da fronteira (Ianomami, Raposa Serra do Sol, Uai-Uai, Atroari e outras), a reação inicial é possível somente com as tropas existentes no local da invasão ou com as que conseguirmos levar até lá.
No momento, para evitar a atuação de inimigo superior em apoio à independência de nações indígenas, o Exército aposta na dissuasão que possa ser provocada pela certeza de que faríamos uma guerrilha infindável na selva, estratégia denominada "de resistência"; transfere toda a tropa que pode para a Amazônia, nas proximidades das serras da fronteira, o verdadeiro teatro das prováveis disputas, onde se encontram as jazidas de minérios estratégicos.
Considera-se a supremacia aérea inimiga, pois nos foram negados os meios aéreos necessários pelo Estado, o bloqueio aéreo dos rios e estradas nos impedirá de levar para lá um só batalhão sem atravessar centenas de quilômetros de selva. Isto significa que deveremos estar lá antes da guerra.
O Exército tem boas condições de superar hipóteses de Guerra e de atuar eficazmente na segurança interna, mas ainda está com efetivo e equipamento inadequado para enfrentar todas as ameaças que podemos vislumbrar na selva.
As situações evoluirão com muita rapidez e as comunicações não serão confiáveis, tal o espectro de interferências. Em conseqüência dificilmente haverá oportunidade de se informar novos dados para recebermos ordens.
As selvas e as cidades, que reduzem de muito a eficiência dos equipamentos superiores são reconhecidamente locais adequados à defesa. Nas cidades contaríamos com o auxílio da população. Na selva, nossa superioridade de conhecimento do terreno ficará prejudicada se o inimigo tiver ao seu lado as tribos indígenas industriadas pelas ONGs estrangeiras.
Também concluímos que haverá dificuldades em deslocar tropas para o local da invasão. Sabemos também que é impossível uma ocupação total do território nacional, e que sempre teremos uma base para contra-atacar. Articulando com antecedência, se pode conseguir nas serras da Amazônia, a cooperação de umas poucas tribos indígenas e principalmente dos garimpeiros.
Já que nossos meios e nosso procedimento se mostram insuficientes para enfrentar as ameaças que identificamos em Roraima, devemos adaptá-los o quanto antes. Conseguindo em tempo útil, talvez até possamos evitar a guerra.
Enquanto nossas forças forem reconhecidamente insuficientes, deixam de ser um elemento de dissuasão e passam a ser mais um atrativo.
ALTERAÇÕES NOS ARMAMENTOS E EQUIPAMENTOS
Nessa situação, o armamento ideal de uma esquadra de três homens seria um míssil portátil, um fuzil 7,62 mm de precisão e uma metralhadora leve em 5,56 mm para poder de fogo. Com o homem do míssil, ainda uma submetralhadora de 9 mm, que continua sendo a melhor arma para o combate aproximado em selva. O tiro de precisão a longa distância é o mais mortífero e o que causa maior efeito moral no inimigo.
O rumo da adequação passará pela camuflagem, pelo uso de túneis e subterrâneos, pelos alvos simulacros para atrair o fogo inimigo, pela mobilidade e pelas armas distanciadas das guarnições, neste caso aceitando sua destruição depois de cumprida sua tarefa.
Para enfrentar a ameaça aérea, mísseis adequados e dispersão. Veículos maiores serão armadilhas mortais. Podem ser usadas motocicletas, dentro do "conceito dragão", isto é deslocamento motorizado e combate a pé. A maior viatura imaginada para o ambiente descrito é o "boogie", armado com um poderoso míssil.
Levar a guerra onde a superioridade inimiga possa ser reduzida ou neutralizada por fatores ambientais, ou seja, as cidades e as florestas. É necessário o intenso uso de minas e de armas acionadas a distância. Contra elas é difícil à defesa, destruirão armas e causarão baixas.
O uso de lança-chamas, napalm, envenamentos e técnicas de tortura serão instrumentos de uso inevitável.
Artefatos nucleares táticos são meios extremos, mas alcançáveis e de conhecimento das FFAA.
Para o nosso País, destinado a ser potência; não é por sua vontade que seja objeto de cobiça, isto tudo é uma imposição da geografia. O desafio com que hoje nos defrontamos é o de escolher entre defender o que é nosso, ou desistir de desfrutar as riquezas que possuímos, e que nos definirão como superpotência global.
Direitos, sabemos que o Brasil tem sobre seu território. Mas aqui cabe uma expressão de Ruy Barbosa:
"PAÍSES QUE CONFIAM MAIS EM SEU DIREITO DO QUE EM SEUS SOLDADOS, ENGANAM A SI MESMOS E CAVAM SUA RUINA
