Um dos grandes desafios dos deficientes físicos nas cidades é a acessibilidade.
No município de Niterói (Estado do Rio de Janeiro)essa questão também não é diferente, pois apesar de ser considerada a quarta cidade em qualidade de vida, deixa muito a desejar no que diz respeito à inclusão e acessibilidade à portadores de necessidades especiais.A exclusão se faz presente no cotidiano.Há severas falhas de infra-estrutura que impedem os deficientes físicos de exercerem seus direitos de ir e vir,como o acessoà áreas públicas.Não há a presença de rampas apropriadas para a passagem de um cadeirante na maioria dos estabelecimentos,e quando há, esta normalmente se encontra sem qualquer manutenção,o que dificulta a passagem.Mesmo para se pegar um elevador há uma grande dificuldade,pela demora ou insuficiência do serviço.Muitas vezes, os deficientes dependem de outras pessoaspara auxiliar sua locomoção. Há ainda quem precise do transporte da prefeitura para dar continuidade ao tratamento.Mas infelizmente isso está cada vez mais difícil. Maria Penha da Conceição mora no Fonseca e tem uma filha com paralisia cerebral. Depende do transporte da prefeitura para levar sua filha para a fisioterapia, mas diz que é realmente complicado: "Já faz umas duas semanas que o carro não vem. A gente liga pedindo, mas nem assim. E quando vem, é um carro todo quebrado, desconfortável sem as mínimas condições. É humilhante."O descaso da prefeitura com o transporte especial ocorre principalmente desde 2007. O transporte, que deveria ser oferecido para tratamentos médicos entre outras atividades das quais os deficientes necessitam de auxílio de um veículo especial, não é oferecido.
Maria Penha da Conceição mora no Fonseca e tem uma filha com paralisia cerebral. Depende do transporte da prefeitura para levar sua filha para a fisioterapia, mas diz que é realmente complicado: "Já faz umas duas semanas que o carro não vem. A gente liga pedindo, mas nem assim. E quando vem, é um carro todo quebrado, desconfortável sem as mínimas condições.É humilhante."
O descaso da prefeitura com o transporte especial ocorre principalmente desde 2007. O transporte, que deveria ser oferecido para tratamentos médicos entre outras atividades das quais os deficientes necessitam de auxílio de um veículo especial, não é oferecido. Eles oferecem apenas um banco logo na porta do veículo, mas não é suficiente para a quantidade de deficientes, além de muitas vezes esse espaço não ser respeitado pelas outras pessoas.Mesmo as instituições que tratam dessas pessoas encontram dificuldade para transportar os deficientes para atividades externas, o que é de suma importância para o desenvolvimento do tratamento e para a inclusão. Mas até hoje, nem a prefeitura, nem as empresas de ônibus se manifestaram a respeito.
Ney Andrade Carvalho trabalha com instituições de ajuda a portadores de deficiência há vinte anos, e diz que o transporte sempre foi um problema: "Antes de 2007 o transporte funcionava, não 100%, pois não supria todas as necessidades, mas pelo menos funcionava. Depois disso, esse transporte simplesmente parou. Foram tiradas fotos das vans, dos coletivos, mas nenhuma providência foi tomada. Isso já é uma forma de exclusão".
A falta de consciência das pessoas também é algo que dificulta. Muitas pessoas não respeitam o espaço reservado que facilitam o acesso dos deficientes, tais como vagas de carro. Ney atribui isso à falta de abordagem do tema ?deficiência? nas escolas, além do egoísmo das pessoas.Muitas instituições ajudam esses portadores, com aulas especializadas para atender a deficiência da pessoa, mas falta verbas para a continuidade do trabalho, e muitas vezes prejudica o andamento do tratamento por causa de maus profissionais.O preconceito ajuda a manter o abandono que deixa a situação como está. Enquanto nada for feito, a inclusão de deficientes em Niterói continuará a ser um grande desafio.

Renata Machado Seti Rodrigues
e Lilian da Conceição Neto
UNESA - Niterói - RJ / Junho de 2008