O representante da ACNUR no Brasil, Javier Lopez-Cifuentes, em mais um ato de intimidação e desrespeito, disse que só tem como realizar a assistência médica se eles saírem da rua. E vão para onde? Como pergunta Kamal: "Sair da rua somente para sermos esquecidos de novo?". Já são cinco meses nesta agonia. Os palestinos vieram de Mogi das Cruzes (SP) onde vivem os demais refugiados, em razão de que para eles não houve assistência devida. Com dificuldade em aprender o português, eles ainda têm que conviver com o preconceito dos próprios funcionários do órgão humanitário: "Nunca dão bom dia e não nos ajudam nem com água", reclama o palestino Kamal.

O descaso em relação ao problema é total. "Eu não gosto de dormir na rua. Mas, a ACNUR nos trata como animais." O mais velho do grupo, Senhor Handam, possui problemas de saúde crônico e desde maio não recebe o benefício de assistência pelo ACNUR-Brasil, nem assistência médica nem medicamentos. Funcionários do ACNUR agem com pouca cordialidade com os palestinos. Praticam atos de intimidação permanente, e suspenderam o pagamento do beneficio de assistência para alimentação e interromperam o médico do Sr. Farouk e do Sr. Handam. Dentre os vários atos de desrespeito, no dia 18 de agosto passado Farouk conta que houve uma tentativa de atropelamento por parte da funcionária da ONU, Sra. Margarida F.F. Fawke, e que constantemente chamam a polícia como se fossem bandidos perigosos. O protesto é pacífico e em nenhum momento houve qualquer ato de violência por parte dos palestinos.

O ACNUR está localizado no bairro Lago Sul, que tem IDH igual a de países como Noruega e Suécia. O acampamento se encontra na pequena calçada em frente a confortável sede da ACNUR no Brasil. Outra reclamação refere-se ao dinheiro que deve ser repassado para os refugiados. Segundo Kamal, que pertence ao grupo, o pagamento de um salário mínimo foi cortado como forma de pressão para que os palestinos acabem o acampamento. Parte do dinheiro é repassado para instituições como a Cáritas Brasileira, que de acordo com os palestinos não tem aplicado o que recebe. A situação pode se agravar ainda mais caso completem-se dois anos, e assim os palestinos tornam-se cidadãos brasileiros, sem o conhecimento da língua e alguns com idade avançada, e reféns da miséria.