[Itália] À mesa com a revolução: "Cozinhas do Utopista"
[Em memória do inesquecível "anarco-enólogo" (como ele se definia) Luigi Veronelli, uma vez mais, música, comida e sábias relações caracterizaram o original encontro, na província de Reggio Emilia, nos dias 4 e 5 de outubro. 1.000 pessoas na conferência, 300 no "jantar vermelho". A conferência "Cozinhas do Utopista" acabou de modo brilhante.]
O evento foi precedido por uma série de encontros com vários grupos locais e nacionais, o que tornou possível concretizar a dimensão horizontal e autogestionada que desde sempre tem caracterizado os eventos das Cozinhas do Povo.
Esse dado, somado ao grande fluxo de público, à qualidade dos participantes, à dimensão dos momentos de convívio e a uma cozinha única no gênero, garantiu o êxito dos dois dias.
Tudo começou na sexta-feira à noite, como manda o costume de nossas reuniões, com uma excelente bebida propiciatória, um momento de convivência reservado aos convidados, aos anfitriões e aos conferencistas para que entrassem plenamente em sintonia com o evento, para além das fronteiras da gastronomia burguesa, e afrontassem assim o fascinante mundo das utopias que foram e serão no presente próximo, vale repetir, o fermento da emancipação.
Numeroso o público que participou no sábado, às 16:00 horas, do brinde proposto por Gianandrea Ferrari em memória do nosso inesquecível anarco-enólogo Gino Veronelli, que "ensinou" ao mundo "o prazer da liberdade e a liberdade do prazer".
Das 16:30 horas em diante, ocorreram várias intervenções literárias livres: as performances deslumbrantes dos escritores Caliceti, Bertoldi e Nori, e um belo dia de sol envolveram o público em uma tarde que será dificilmente esquecida, quando se organizava os preparativos para o jantar: bolinhos, frios variados, queijo e um excelente "lambrusco" (vinho da região) proibido para todos, tudo isso para ser desfrutado após o jantar. Muitos companheiros e companheiras se deixaram envolver, de fato, pelas suaves notas das canções históricas do movimento operário e anarquista repropostas por Mara Redeghieri e Lorenzo Valdesalici, para, em seguida, apreciar a exibição do cantante Alessio Lega acompanhado por Rocco Marchi.
O domingo foi aberto pela irrefreável propulsão de Gigi Pascarella, ao meio-dia, sobre a tensão utópica nas cozinhas do povo, seguido do mágico almoço preparado pelo Barão Vermelho da lunigiana, chef de fama internacional, e de seu incansável staff. Um prato único, pobre, à base de cebolas, batatas, limão, especiarias desconhecidas e filetes de arenque inteiramente banhados por rum, retomado e reelaborado pelos antigos receituários da pirataria.
Às 15 horas se deu início à conferência de estudos históricos com a palestra de Natalia Caprili Natalia e "A fome de Spartacus" contra os romanos; depois, Daniele Barbieri e "A alimentação da ficção científica" seguida de Michela Zucca com a pesquisa sobre "As receitas das bruxas"; foi lido o estudo de Luisa Cetti "New York, 1842: Piero Maroncelli e i Pik Nik falansteriani". À continuação, a performance de Alessio Lega "A dispensa dos piratas" caracterizada pelo acompanhamento musical do artista; e depois ouvimos Federico Ferretti falar de grandes geógrafos franceses, e Alberto Ciampi sobre a "Mesa futurista, para concluir com Franco Schirone, "Os refeitórios dos vizinhos antifascistas" e Alfredo Gonzales "A cozinheira de Durruti".
A conferência encerrou com o "Jantar Vermelho", retomado com base em um menu socialista de 1902 à base de cappelletti em caldo e no vinho, cozidos e molhos do campo, sopa inglesa e um bom vinho tinto, que contou com uma poderosa participação (esgotado). Mas o momento mais significativo foi alcançado quando os cozinheiros da Massenzatico, na presença de uma verdadeira ovação de aplausos e cumprimentos, marcharam entre as mesas fartas do Teatro Artigiano.
Agradecemos a todos os conferencistas, Giorgio Sacchetti, o nosso fotógrafo oficial Francesco (vulgo Frenk), Chicco Aiello, os participantes, e em especial os suíços, os imoleses, os lunigianos, nosso irmão Alfredo Gonzalez de Madri e os companheiros e as companheiras de Massenzatico que durante dois dias nos fizeram viver a utopia sonhando de olhos abertos.
Saudações, irmandade e fraternidade para todos e até breve com o próximo evento internacional em Massenzatico.
Centro de Estudos "Cozinhas do Povo"
Via Don Minzoni 1/D Reggio Emilia
www.cucinedelpopolo.org
Tradução > Gleiton Lentz
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agência de notícias anarquistas-ana
Muitos ventos sopram.
Dentro e fora de mim uivam
lobos que não sou.
Urhacy Faustino

