A nova página dessa história é o Projeto de Lei 0238/2008, encaminhada pelo governo do estado de Santa Catarina, que institui o Código do Meio Ambiente Estadual.

Segundo a Procuradora da República Ana Lúcia Hartmann, fere a Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, o Código Florestal brasileiro, reduzindo matas ciliares a uma linha de 5m de largura. Ameaçaria Unidades de Conservação na área afetada pela enchente, e afogaria o processo de licenciamento, autorizando automaticamente os empreendimentos não vistoriados pelo órgão ambiental em 60 dias.

O projeto que permite ainda mais a ocupação de áreas vulneráveis (encostas, margens, nascentes, restingas, mangues) está em toque de caixa pela Assembléia Legislativa, e com votação prevista ainda para este ano, tem apoio da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Sindicatos da Construção Civil (SINDUSCON) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (FETAESC), que consideram a legislação atual muito restritiva ao desenvolvimento.

Enquanto o povo catarinense ainda chora seus mortos soterrados pela lama, mais lama vem da classe política com apoio da classe empresarial, e vice-versa, catarinense que apressa em meio a uma crise a votação de um projeto questionável e que coloca em risco a vida de mais centenas de pessoas.