COMUNICADO DO CCRI-CG DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL NOS 15 ANOS DE SEU LEVANTE ARMADO.

(Transcrição da mensagem lida em castelhano pelo Comandante David e em tzotzil pelo Comandante Javier). Divulgada através do La Jornada, 02/01/2009.

Nós zapatistas, povos indígenas que nos propusemos a lutar por um mundo melhor e mais humano, começamos a ser mais perseguidos e golpeados em todos os aspectos pelos maus governantes de nosso país, pelos poderosos e pelos partidos políticos.
E assim, durante 15 anos, temos sofrido ameaças, hostilidades, perseguições, ataques militares e paramilitares. O mau governo, os partidos políticos e seus aliados, ainda que sejam pessoas pobres, não cessam seus ataques de muitas formas a fim de
deter o avanço de nossa luta e destruir nossa base que são todos os povos em resistência.
Durante 15 anos, o mau governo tem fundado, financiado e treinado grupos paramilitares em todos os povoados, e estes têm a tarefa de provocar, ameaçar e dividir nossos povos.
Para debilitar e destruir nossas bases sociais, o mau governo tem distribuído esmolas através de seus programas assistenciais às famílias filiadas aos partidos políticos a fim de contentar, calar e acalmar a fome da gente pobre.
O mau governo tem tratado de convencer e comprar a consciência de nossas bases de apoio, prometendo-lhes melhores condições de vida para esquecer seus mortos e suas justas demandas. Infelizmente, há irmãos indígenas que têm caído nas tramóias do mau
governo acreditando que com isso vão melhorar suas condições de vida sem lutar.
Contudo, nós zapatistas não nos levantamos em armas para pedir migalhas ou para que nos tratem como pedintes. Nós lutamos por uma verdadeira democracia, liberdade e justiça para todos. Lutamos pelo bem da humanidade e contra o neoliberalismo.
Lutamos por outro mundo mais justo e mais humano. Por um mundo onde caibamos todos nós que habitamos o nosso planeta. Mas os maus governantes, os poderosos, os que se consideram senhores e donos de tudo, se empenham em saquear as riquezas de nossos povos, em destruir a natureza e em destruir a humanidade.
É necessário e urgente que nós e toda a gente boa e honesta de nosso país e de todos os países do mundo unamos nossa palavra, nossas lutas, nossa resistência e nossa digna raiva. Temos esperança de que outro mundo é possível.
Por isso, a todos os irmãos e irmãs, companheiros e companheiras do México e do mundo pedimos e os convidamos a organizar-se e unir-se cada um em seus povos contra um inimigo comum. Mas devemos procurar a forma e os mecanismos de como unir e globalizar nossas lutas, nossas resistências e nossa rebeldia.
Mas isso só será possível se nos propusermos a caminharmos juntos e lutarmos juntos sem que para isso importem os tempos e as distâncias em que nos encontremos.
Irmãos e irmãs, companheiros e companheiras, levemos, pois, adiante nossas bandeiras de luta, façamos forte e grande nossa luta, nossa resistência, nossa digna raiva e rebeldia.
Nós zapatistas, povos originários dessas terras, vamos seguir adiante na luta que temos iniciado. Vamos continuar resistindo com dignidade e rebeldia aos golpes do
mau governo.
Nos 15 anos em que vêm nos golpeando temos aprendido a resistir e a sobreviver, mas é também porque contamos com o apoio e a solidariedade de muitos irmãos e irmãs do México e do mundo.
É assim que temos começado a construir nossas autonomias nos vários níveis, como na saúde, na educação, na comercialização e no autogoverno de nossos povos.
Com esforço e dificuldade temos tratado de dar alguns passos, mas ainda não tem sido suficiente para resolver os problemas e as grandes necessidades de nossos povos.
Nossas autoridades têm tratado de resolver os problemas de nossos povos e algumas das múltiplas necessidades de nossas comunidades, mas a grande parte de nossas necessidades continua sem solução. A fome, a miséria e as doenças vêm aumentando dia após dia.
Apesar disso tudo seguimos adiante em nossa luta porque não trairemos o sangue de nossos caídos, que lutaram até dar a vida por democracia, liberdade e justiça. Seguiremos o exemplo deles e delas e a nossa consigna de lutar pela pátria ou morrer pela liberdade.

Comitê Clandestino Revolucionário Indígena, Comando Geral do Exército Zapatista de
Libertação Nacional.
Do Caracol 2, Oventik, zona Altos de Chiapas, México.
1º de janeiro do ano de 2009.