América Latina vive atualmente um processo de grandes transformações que colocaram no cenário como protagonistas destes fenômenos sociais, políticos e econômicos novos atores que surgiram das comunidades indígenas e originárias, bairros pobres, desempregados e que em sua maioria são uma população com diversidade étnica e cultural, mas também são jovens e mulheres.

Bolívia não está a margem desse processo, que a partir do ano 2000 está sacudindo os cimentos do sistema neoliberal e que em outubro de 2003 viveu uma insurreição social que mudou a situação política do país, ao impor uma agenda para reconfigurar o Estado diante do aprofundamento do abismo entre ricos e pobres e os altos níveis de exclusão sócio-cultural e política.

Este processo de acumulação histórica se extendeu até as mobilizações de maio e junho de 2005, dando lugar aos resultados das eleições presidenciais de 2005 (a vitória eleitoral de Evo Morales), para confluir finalmente na Assembléia Constituinte.

E a partir desta nova reconfiguração das forças políticas e sociais, uma série de ações de desestabilização e violência racista foram realizadas. Em janeiro de 2006 podemos mencionar as cidades de Santa Cruz, Potosí, Tarija e Beni. E mais recentemente, Sucre (em 2006 e 2007 e em 24 de maio de 2008) e El Porvenir (em setembro de 2008) como cenários destes fatos.

Desde a instalação da Assembéia Constituinte em Sucre, em 6 de agosto de 2006, se deram uma série de atos de violência, racismo e discriminação, sustentados fundamentalmente pelos meios de comunicação, e financiado pelos representantes da denominada Meia Lua (os estados de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija), que souberam aproveitar seu poder econômico e político nessas regiões para ir absorvendo paulatinamente o apoio de outras.

No caso de Sucre, estes fatos tem polarizado dramaticamente os setores urbanos, da classe média aos mais pobres, contra os setores camponeses, indígenas e outros identificados com o processo de transformação na Bolívia, não somente no interior do país, mas também no departamente (estado) de Chuquisaca, situação qe vem gerando seqüelas até nossos dias.

Depois deste processo de confrontações, a Assembléia Constituinte finalmente terminou seu trabalho na cidade de Oruro, onde aprovou o texto no geral, no detalhe e a revisão da Nova Constituição Política do Estado. Este projeto sofreu uma última modificação de compatibilizações entre as forças políticas do país no Congresso Nacional em outubro de 2008, sendo este texto o que se submeterá à votação do povo.

O cenário político que se apresenta nesta segunda etapa do processo constituinte, para o Referendo Nacional Constituinte 2009, encontra novamente o país em um processo de confrontações, mas com a particularidade de que os setores da direita (com cores fascistas) começam a fragmentar-se. Apesar disso, tentam ainda bloquear este processo, enquanto as organizações sociais e populares, junto da sociedade civil participaram deste processo democrático no domingo, 25 de janeiro, que abre um novo cenário de transição possível para as demandas históricas dos movimentos sociais bolivianos.

Diferentes meios de comunicação já estão realizando as avaliações da jornada e dos possíveis resultados que começam a projetar-se para todo país assim como para Chuquisaca. Até o momento se presume que 51% teria dito sim ao Projeto de Constituição e 49% teria dito não em Chuquisaca.
cambio en anteriores jornadas electorales.

A nível nacional as projeções da mídia sustentam que provavelmente 60% diria sim à Nova Constituição enquanto 40% diria não. Estes dados não oficiais não dão conta do voto das províncias e das comunidades rurais da Bolívia, que certamente inclinaram a balança de votação da população boliviana a favor do processo de transformação em outras jornadas eleitorais.

CMI Sucre, IndymediaBolivia
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