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Fechando as veias abertas da América Latina
Por BOLÍVIA 29/01/2009 às 15:16

Dia 25 de janeiro, ocorreu na Bolívia o referendo sobre a nova Constituição, elaborada pela Assembléia Constituinte desde agosto de 2006. Há anos esta demanda se intensifica nos movimentos indígenas e camponeses, com a "Marcha por la vida, territorio y dignidad" em 1990. O antigo texto da Constituição tinha forte teor colonial e elitista, com vinculação da Igreja católica e o Estado e não reconhecendo os direitos dos povos indígenas sobre seus territórios. A formação e os trabalhos da Assembléia Constituinte foram marcados por intensos conflitos entre setores populares, camponeses e indígenas com a oligarquia latifundiária especialmente da chamada Meia Lua (os estados de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija), que promoveu inúmeros atos de violência, racismo e discriminação - sendo o último mais intenso o massacre de cerca de 20 camponeses e indígenas em setembro de 2008.

Desde 2000, a Bolívia passa por um processo profundo de transformação social, com levantes contra a privatização dos bens naturais protagonizados principalmente pelas comunidades indígenas, que são cerca de 70% da população de 4 milhões de bolivianos/as. Mais do que levantes contra a privatização, estes levantes questionam o colonialismo que ainda persiste na Bolívia, que oprime e explora a população indígena que tem sua memória apagada, seus costumes discriminados e seu modo de vida destruído pelos interesses dos latifundiários e do capital internacional.

A nova Constituição, aprovada com mais de 60% dos votos, reconhece a existência de 36 povos originários e faz coexistir seus modos de democracia direta e justiça comunitária com os métodos ocidentais, além de incluir em todas as esferas de eleição representantes dos povos indígenas. A Constituição também declara todos os recursos naturais propriedade do povo boliviano administrado pelo Estado, impedindo qualquer iniciativa de privatização. Além disso, declara que a Bolívia se "organiza territorialmente em Departamentos, Províncias, Municipios e Territórios Indígena Originário Campesinos" (Art. 269). No referendo também foi votado o limite máximo da propriedade privada da terra: 78% dos bolivianos/as aprovaram o limite máximo de 5000 hectares, contra 22% que votaram pelo limite máximo de 10000 hectares.

Entretanto, longe de ser a consolidação do processo de mudança, a nova constituição é só um passo do que o presidente Evo Morales chamou de fim do colonialismo interno e externo. A governadora do estado de Chuquisaca Sabina Cuellar convocou a não-aceitação e desacato à nova Constituição. Desta maneira, a luta "desde abajo" continua contra os ataques daqueles que querem manter a maior parte dos bolivianos/as numa situação colonial.

Bolívia, passado e presente pela transformação | O SIM à nova constituição já chega a 60% | Gannha o NÃO à prepotência da direita | Fim do Estado colonial na Bolívia | Bolivianos aprovam nova constituição | CartaMaior:: "Vitória da nova Constituição significa refundação da Bolívia" | Bolívia: fazendo sua própria história

Fotos:: Encerramento da campanha do SIM em El Alto | Votação e contagem de votos em El Alto | Festa pela vitória do SIM em La Paz

Mais informações (em espanhol):: CMI Bolívia | CMI Sucre | Red Tinku | Rebelion.org | Agência Boliviana de Información

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Comentários


Certo!
Lamarca! 29/01/2009 15:51

O certo pelo certo!

Ordem para os exploradores,
Progesso para população!


Lamentável
Operário das minas de Huanuni 29/01/2009 19:54

Lamentável o apoio aberto do coletivo do CMI a um projeto de Reforma Constitucional que Evo Morales PACTUOU com a extrema-direita, em uma vergonhosa capitulação, tendo modificado o texto em praticamente TODOS os principais pontos reivindicados pela extrema-direita assassina de Santa Cruz.

Essa nova Constituição preserva o capitalismo, a propriedade privada, e a exploração dos recursos naturais da Bolívia por multinacionais.

Lamentável o apoio do CMI... Lamentável...


quem vai fazer a revolução?
revolucionário 30/01/2009 10:20

"Evo Morales PACTUOU com a extrema-direita, em uma vergonhosa capitulação" - amigo, você acha que é a Constituição ou o Evo Morales que vai acabar com o capitalismo?... quem vai acabar com o capitalismo é o povo organizado, e não nenhum governante ou Constituição... evo morales só cumpriu o seu papel fazendo uma reforma na constituição. os destinos do processo de transformação não vão ser decididos numa reforma constitucional ou em atos de governo, do evo morales, ou de quem seja, mas através da luta dos indígenas, camponeses/as e trabalhadores/as urbanos da bolívia. ou você esperou algo como o 'fim do capitalismo' nessa nova constituição? acredito que é esse sentimento que passa este editorial do cmi...


bolivia sifu
bolivia sifu 31/01/2009 08:33

bolivia sifu. Ninguna instuicion privada intentara de investir por ahora en bolivia. La miseria sera muy grande


Contradições da Bolívia
Maycon de Oliveira 31/01/2009 16:53
mayconroliveira@gmail.com

Não há dúvidas de que a nova Constituição boliviana é um avanço em relação à ultima. É também inegável que houveram retrocessos em relação à primeira proposta, tendo havido negociações com a extrema direita, com um papel importante desempenhado por Lula, visando barrar uma reforma que fosse mais radical. Mas tal processo nos deixa ao menos uma lição: de que nenhum processo verdadeiramente revolucionário pode ocorrer através do aparelho do Estado burguês. Este é mais um exemplo do erro de parte da Esquerda, inclusive brasileira, em acreditar que processos de radicalizações profundas podem ocorrer dentro da burocracia burguesa. Em si, este estado impossibilita, por seus próprios mecanismos, um avanço de fato da classe trabalhadora que leve à ruptura desse Estado.


Sinuca de bico
Pingo 03/02/2009 19:04

Eu estou bastante curioso em saber dos argumentos por parte daqueles que apoiam a nova constituição boliviana , para que esta nova carta vá gerar o prometido bem estar social naquele país .
Confesso que vejo na nova carta um retrocesso populista que em seu cerne só vai gerar conflitos sociais e aumento da pobreza . Afinal , na realidade da economia global , o isolamento de um país ao comercio exterior é uma sentença de morte , Vide as dificuldades pelas quais Cuba esta passando . Some-se a isto um fato , que é o de que a BOlivi não possui nem a tecnologia , nem o parque industrial necessário para produzir , nwm para o mecado interno , e muito menos para geração de divisas via a exportação . Considerando a fragilidade e a falta de confiança gerados pela nova carta , acredito que dificilmente alguém ira investir na economia boliviana e muito menos aquele pais detem capital para investimento .
Credito que a conjunção destes fatores coloque a nova realidade boliviana em uma sinuca de bico .
Quem sabe consigamos discutir este tema , pois de minha perte vejo com muitas ressalvas qualqure chance de melhorias socias na Bolivia .


Nada ??????????
Pingo 04/02/2009 10:40

Ué , nada ??? Nem um comentário , nem uma justificativa ou explicação para o risco ou não da nova constituição boliviana gerar os frutos que pormete ??
Compas , voces tem alguma noção do que estão apoiando ? Além da fantasia ideológica , voces tem algum conhecimento das consequencias economicas da nova carta ?
Ou será que é um apoiar porque é legal , é revolucionário e lhes da um ar de militante engajado ?
Alo Bolivia , Maycon , lamarca , Revolucionário , nada , silencio ???


É o jeitinho brasileiro
@ 04/02/2009 23:21

O que os senhores esperavam?
Ainda não foi descoberto o Brasil disciplinado e gerenciado por qualquer governo. A bandeira brasileira está errada: onde se lê [Ordem e Progresso] deveria estar escrito [Desordem e Retardado]
A anarquia começou em abril de 1500, com um certo Pedro. Pela bagunça que o tal sujeito iniciou, formando uma lambança que seus herdeiros continuam adorando, só podemos deduzir que o tal descobridor só poderia ser um dos portugueses, aqueles preguiçosos de orelhas grandes.
Ainda não conhecemos um governo de fato.
E por falar no fracasso deste Fórum, um verdadeiro vexame, é bom ir se prevenindo para Copa do Mundo de 2014, aqui, em nosso Brasil Ziu! Ziu! Iu!... Ai! E ainda querem que uma das próximas Olimpíadas seja no Rio de Janeiro. Pobres atletas! E...


Todos os buracos estão abertos
@ 05/02/2009 00:05

Desculpem!
O comentário acima caiu no lugar errado.

Então vai mais este: Estou com o povo boliviano de Evo Morales.

Infelizmente, não só as veias da América Latina continuam abertas, mas também as artérias e todos os buracos do desse corpo, que o imperialismo norte-americano e europeu não param de sugar.


Como é possível ???
Riacho raso 05/02/2009 11:55

Como é possível , alguém que apoia tão fervorosamente esta nova carta consituinte da Bolivia não ter nem a capacidade de explicitar e analisar a sua viabilidade ? Voces não tem a menor noção daquilo que apoiam não é ? Não tem a minima condição de avaliar se é bom , se é ruim , se é factível ou não ?
Acho que seria perda de tempo comentar que tal postura passiva e alienada beira ao ridiculo . Afinal , acredito que a grande maioria daqueles que escrevem aqui e apoiam esta insensatez populista , tenham no mínimo o segunbdo grau e portanto reunem todas as condições de estudar o tema , entender suas consequencia e avaliar sua viabilidade ou não .
Esta postura de cega alienação me lembra bastante e é de uma similaridade preocupante com a de crentes religiosos .
Impressionante .



Um engasgo e um sorriso
Michel 06/02/2009 14:28

Fugindo do cerne da questão e falando sobre o comentário de alguns, acho muito engraçado que vocês combatem um fantasma. Qual? Todos os países que vocês dizem capitalistas, sabem que o "capitalismo" (como descrito no século passado) já acabou!

Imagino a cara de vocês de espantados. Então em qual era nos vivemos? Respondo, vivemos na "Éra do Conhecimento". Isto que permite que países de culturas tão diferentes do famoso Capitalismo/Protestante, como os países asiáticos, assustarem as grandes potencias de fadado capitalismo clássico, como os EUA.

Na verdade o que ocorreu é que elas fizrem o dever de casa e depois aderiram ao sistema de mercado mundial (que existe desde o escambo, por isto não vou considerá-la capitalista). Tenho um engasgo quando vejos os senhores defendendo que países fechem sua economia.

E também vejo o Tio Sam sorrindo a toa, imaginando a morte (por um tiro no pé) de um potencial concorrente. Claro que sou contra a exploração, mas ela se combate com três palavras: Educação, Educação e Educação!!!


Progresso
Matheus 16/02/2009 21:11
matheusbonibittencourt@gmail.com
http://matheus-boni.blogspot.com/

Só pelos mecanismos de participação política, intervenção econômica e redistribuição da propriedade (especialmente a terra, o que é um enorme progresso para qualquer país com grande população componesa), bem como o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas sobre os territórios nos quais vivem e do direito da sociedade sobre os seus recursos naturais, é um enorme progresso social. E, pelo o que eu soube nos ultimos dias, a Bolívia foi capaz de erradicar o analfabetismo e vem mantendo uma postura muito independente nas relações externas do país. Só vejo com antipatia a concessão de "cotas para índios" no parlamento. Nada contra índios, mas sou contra reservar vagas parlamentares (e universitárias) para algum monopólio étnico. E ninguém pode negar que o governo de Morález e a elaboração e aprovação da constituição seguiram procedimentos democráticos. Realmente gostaria que alguém me apontasse os terríveis males que ela produziria. Eu só lamento que ela não tenha introduzido mudanças mais radicais na política e na economia, e só alguém que tivesse uma fé cega contra a democracia ou contra o intervencionismo e a justiça redistributiva poderia atacar uma mudança destas. Ou seja, alguém com grande ódio contra o ser humano.

Pois bem, acho que isso é um exemplo. Karl Marx já dizia que um país pode e deve aprender com os outros, e penso que a Bolívia deu uma boa lição para o Brasil.

Só algumas palavras sobre essa ultima piada, a da "economia do conhecimento". É incrível que existam otários que caiam nesta armadilha, e achem que a produção e reprodução econômicas atualmente se movam pela "economia da informação" ou pela "educação" e "conhecimento". Claro que há aplicação da ciência à produção, chama-se tecnologia e não foi inventado ontem, e as máquinas e ferramentas de trabalho, vale lembrar, não se movem com a força da mente, e, portanto, não vivemos em uma economia sobrenatural, como alguns apologetas do neo-capitalismo querem fazer acreditar, falando como se agora nossas economias se movessem por mana, adquirido com o "dever de casa" (algo como: expropriar riquezas coletivas e entrega-las ao capital, retirar os mecanismos de regulação dos bacanais financeiros e a proteção trabalhista contra o excesso de exploração do trabalho) que a mídia martela nos ouvidos de todos. Querendo ou não, não há este conto de fadas. O capitalismo tardio é industrial, burocrático e imperialista, e um simples crescimento do setor de serviços, da produtividade e exigência de instrução da força de trabalho...e do desemprego não me parecem criar oportunidades para passes de mágicas compostos por enfeitiçamentos com palavras como "dever de casa" e "educação", "conhecimento", "informação", etc., que implicitamente contém uma apologia positivista da técnica. Deixem as mágicas para a literatura infantil.