Durante seis anos o governo Aécio Neves colocou em prática uma política chamada "choque de gestão", cuja essência foi a brutal redução e achatamento salarial dos servidores públicos em geral, especialmente dos professores, que hoje ganham menos de dois salários mínimos.

O tal choque de (indi) gestão não resultou em melhoramento para a saúde pública, nem para a educação pública, nem para os serviços públicos em geral.

Mas serviu para engordar os lucros de empreiteiras que constroem obras faraônicas como a linha Verde e o Centro Administrativo no vetor Norte da Grande BH.

Os donos dos grandes jornais e TVs também lucraram com o choque de gestão: em seis anos de governo, não há uma única crítica direta ao governador de Minas. Um completo jogo de abafa. Acho que nem na ditadura militar se presenciou uma censura tão forte como a que existe hoje em Minas Gerais.

Nos últimos dias, a imprensa mineira vem divulgando o escândalo dos conselheiros do TCE, que estariam recebendo vencimentos ilegais na ordem de R$ 50 mil mensalmente. O órgão responsável pela fiscalização das contas dos municípios e do estado tem na sua direção (ou conselho) um bando de corruptos envolvidos em maracutaias e venda de sentenças. Os conselheiros são indicados pela Assembléia Legislativa onde o governador tem total apoio. Mas, a imprensa não fez nenhuma relação entre os conselheiros corruptos do TCE com o governador. Por que será, heim?

Enquanto isso os professores de Minas amargam a dura realidade de receberem o pior salário do país. O valor bruto do salário para um professor com curso superior é de R$ 850,00 enquanto o valor líquido não passa de míseros R$ 751,00.

É bom que o Brasil inteiro saiba dessa realidade, principalmente quando o governador de Minas ensaia a sua candidatura a presidência da República, ao lado do governador José Serra, que também tem demonstrado não ter compromisso com a Educação pública e nem respeito pelos movimentos sociais. Ambos são os preferidos do empresariado nacional e internacional, que apóiam também, secundariamente, mais apiam, a continuação do governo Lula.

Em matéria de educação basica, que é aquela voltada para 50 milhões de famílias pobres, infelizmente o PT também não foge à regra. Em seis anos de governo Lula, depois de passar toda a campanha eleitoral dizendo que era preciso melhorar o salário dos professores das redes pública, ele enviou um projeto de lei com o piso salarial de, pasmem, R$ 850,00 para uma jornada de 40 horas semanais.

Até o governador de Minas tirou um sarro dizendo que pagaria esse valor por uma jornada menor, de 24 horas. O piso foi alterado no Congresso Nacional, onde senadores e deputados que ganham mais de R$ 30.000,00 por mês, entre salário e verbas indenizatórias, aumentaram o valor para R$ 950,00 para uma jornada de até 40 horas.

Alguns governadores (CE, PR, MS, RS e SC) insatisfeitos com a lei do miserável piso, entraram com uma Adin junto ao STF, onde os ministros brigam por teto salarial superior aos atuais R$ 25.000,00 e o relator teve a cara de pau de aceitar a liminar suspendendo parte da lei que previa o piso de 950 e garantia um terço da jornada para atividades extraclasse.

Essa é a realidade dos professores: péssima no Brasil inteiro, e pior ainda na Minas Gerais do choque de gestão de Aécio Neves.

Como se não bastasse tudo isso, os governantes costumam comprar especialistas e colunistas domesticados para jogar toda a culpa pela educação pública de má qualidade nas costas dos professores. Alguém tinha que levar a culpa pela decadência do ensino público: ou os professores, ou os alunos das famílias de baixa renda, aos quais as elites tratam com desprezo. Imagine se esses especilistas de meia tigela iam dizer que a culpa é do baixo investimento (menos de 4% do PIB para toda a Educação básica), das péssimas condições de trabalho, dos baixos salários dos professores e da ausência de políticas de formação continuada. Não são pagos para dizer a verdade.

Talvez esteja na hora dos professores começarem a criar uma rede de protesto pela internet, combinando mobilizações, paralisações e eventos espetaculares para mostrar as realidades da educação pública.

Infelizmente não dá pra contar com alguns sindicatos nessa luta, pois muitos estão atrelados ao governo Lula, e não possuem autonomia para uma campanha que critique a todos os governantes, independentemente de partido ou ideologia.