Porque a expropriação não funciona
Pedro Mundim 14/03/2009 18:11

Do jeito que a questão é colocada, fica parecendo que "riqueza" é como um punhado de bombons em uma caixa, e já que esses fominhas pegaram muitos bombons para si, a solução é tomar deles e distribuir para quem não tem, correto?

O problema principal não é os fominhas pegarem muito bombons para si, deixando poucos bonbons aos outros, o problema é os fominhas não trabalharem.

A realidade é um pouco mais complexa. Se você pensa que "riqueza" é uma coisa assim material, finita, de tamanho e peso fixo, está confundindo o c* com as calças, ou melhor, está confundindo produto com produção. Riqueza refere-se à capacidade de produzir e continuar produzindo, não ao produto final perecível que desaparece assim que é consumido. Conforme os próprios marxistas afirmam, o capital nada mais é do que uma RELAÇÃO SOCIAL. Tudo aquilo que consumimos, sejam produtos ou serviços, nada mais é do que o resultado do trabalho de alguém, eventualmente de nosso próprio trabalho, mas a evolução dos modos de produção da idade da pedra para cá impôs que, no mais das vezes, o produtor e o consumidor não sejam a mesma pessoa. Ou seja, trabalhamos para os outros, e os outros trabalham para nós. Obviamente existe uma regra implícita por trás dessa complexa organização que mantém as pessoas trabalhando umas para as outras, e a essa regra dou o nome de CONTRATO SOCIAL. O burguês (eventualmente milionário, como os citados nesse post) ocupa, nesse contrato social o papel de GESTOR - a ele cabe organizar a produção, abrir e fechar fábricas, arregimentar e dispensar trabalhadores, definir o que será produzido e em qual quantidade, tomar e receber empréstimos, e em razão de sua posição de poder, tem a prerrogativa de consumir mais e melhor que os demais (charutos e whisky importados, casas na praia, iates, viagens, etc.)

Enfim, é isso. O burguês só existe como tal enquanto for vigente o contrato social que o legitima, e o capital que ele possui só mantém o seu valor enquanto for vigente a relação social que o respalda. Existe uma relação direta entre contrato social e relação social - se uma é suspensa, a outra desaparece. É POR ISSO QUE EXPROPRIAR NÃO FUNCIONA. Ao se proceder à expropriação, rompe-se o contrato social, e dessa forma, destrói-se concomitantemente o capital que se pretendia distribuir. Na aritmética elementar, se Beto possui 100 e Jorge, Ivo e Luís possuem 20 cada um, e se Beto é expropriado de 60, e esses 60 são rateados entre Jorge, Ivo e Luís, no fim cada um terá 40 e todos viverão felizes para sempre, certo?

ERRADO. Os bens de Beto estão expressos em ativos como ações, depósitos bancários, imóveis, bens de raiz que só retém o seu valor enquanto for vigente o contrato social que lhes dá respaldo. Esse contrato pressupõe o respeito ao direito de propriedade. Se um governo revolucionário ocupa o poder e suspende o contrato social, nada permanece como antes - os títulos desse governo passam a valer seu peso em papel, pois ninguém garante que serão honrados, o papel-moeda passa a ser recusado, pelo mesmo motivo. A fazenda do Fulano valia X, desde que não pudesse ser invadida impunemente. Se ela pode ser invadida impunemente, ninguém paga um tostão por ela. As ações de uma empresa valiam X, desde que o direito à propriedade fosse respeitado. Se a empresa pode ser expropriada de uma hora para outra, ninguém compra suas ações, e seu valor cai para zero. Esse processo já aconteceu muitas vezes na história das revoluções. Por exemplo, na França em 1792, os camponeses pararam de produzir, pois não tinham garantias de que seriam remunerados da forma como estavam acostumados, e a fome foi geral. Pior aconteceu na Ucrância dos anos 30, época da coletivização forçada de Stalin. Temendo ser expropriados, os fazendeiros (kulaks) pararam de produzir, e milhões morreram de fome. Riqueza, repito mais uma vez, nada mais é do que TRABALHO, e suspendendo-se o contrato social que mantém as pessoas trabalhando, a riqueza que se pretendia distribuir desaparece tão rápido quando a luz de uma sala após se desligar o interruptor.

Assaltar a caixa de bombons dos ricos não resultará em uma porção de bombons prontinhos para serem comidos. Ao se abolir o contrato social vigente, tudo o que se pode fazer é tecer um novo contrato social que manterá as pessoas trabalhando e produzindo sob regras diferentes. Se essa nova organização do trabalho for mais benéfica para todos, então a revolução terá sido bem-sucedida. Não foi o que se viu nos países socialistas, onde a produtividade baixou enormemente, a pobreza continuou existindo sob nova denominação (antes, o indivíduo não tinha dinheiro para comprar o que via na prateleira; depois ele tinha dinheiro, mas a prateleira estava vazia) e a riqueza também continuou a existir sob nova denominação (antes, o rico era o burguês; depois, o rico passou a ser ao alto burocrata). A lição que fica é que o presente contrato social, apesar de gerar uma pequena quantidade de milionários e muitos pobres, ainda é o melhor.

 http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/03/442692.shtml


Mundim se aproveita da subestima a inteligencia dos oprimidos e tenta desinformá-los, a fim de mantê-los escravizados. Enquanto a classe operária continuar escravizada, os privilégios dos patrões do Pedro Mundim estão garantidos.

Primeiro, ele confunde bens de produção com bens de consumo. Capital são apenas bens de produção, não bens de consumo. O que socialismo propõe é a socialização dos meios de produção, não os bens de consumo. Assim, casas, objetos pessoais, carros, etc não serão socializados na eventualidade de uma revolução proletária.

O burguês é o que menos trabalha e o que mais consome. "O burguês (eventualmente milionário, como os citados nesse post) ocupa, nesse contrato social o papel de GESTOR - a ele cabe organizar a produção, abrir e fechar fábricas, arregimentar e dispensar trabalhadores, definir o que será produzido e em qual quantidade, tomar e receber empréstimos, e em razão de sua posição de poder, tem a prerrogativa de consumir mais e melhor que os demais (charutos e whisky importados, casas na praia, iates, viagens, etc.)" Mundim

Numa sociedade socialista, os gestores serão os próprios produtores, e qyem definirá o que será produzido e em que quantidade serão as necessidades sociais e o avanço das forças produtivas. A produção será encaminhada para o consumo, não para a obtenção de lucro.

Quando se socializam os meios de produção, reduzek-se os seus valores de troca, mas os valores de uso não sofrem qualquer alteração. A economia socialista não deveria ser uma economia de mercado, uma economia para a troca. Mas que o Mundim não venha afirmar e provar (apenas afirmando) que sem troca não pode haver divisão social do trabalho.

"Não foi o que se viu nos países socialistas, onde a produtividade baixou enormemente." - Mundim. Será que a produtividade do trabalho na União Soviética era menor do que a produtividade do trabalho antes da revolução proletária russa? Mundim ignora os fatos. Não leva em conta a realidade.

"Ser capitalista significa ocupar não somente uma posição pessoal, mas também uma posição social na produção. O capital é um produto coletivo: só pode ser posto em movimento pelos esforços combinados de muitos membros da sociedade, e mesmo, em última instância, pelos esforços combinados de todos os membros da sociedade. O capital não é, pois, uma força pessoal; é uma força social. Assim, quando o capital é transformado em propriedade comum, pertencente a todos os membros da sociedade, não é uma propriedade pessoal que se transforma em propriedade social. O que se transformou foi apenas o caráter social da propriedade. Esta perde seu caráter de classe."-Marx e Engels, Manifesto Comunsita

"O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, apenas suprime o poder de escravizar o trabalho de outrem por meio dessa apropriação. Alega-se ainda que, com a abolição da propriedade privada, toda a atividade cessaria, uma inércia geral apoderar-se-ia do mundo. Se isso fosse verdade, há muito que a sociedade burguesa teria sucumbido à ociosidade, pois que os que no regime burguês trabalham não lucram e os que lucram não trabalham. Toda a objeção se reduz a essa tautologia: não haverá mais trabalho assalariado quando não mais existir capital."-Marx e Engels, Manifesto Comunista

O capitalismo não é contra a propriedade privada, ao contrário, é a seu favor:

"É um fato estranho. Apesar de tudo o que se falou e se escreveu, com tamanha profusão, durante os últimos sessenta anos, a respeito da emancipação do trabalho, mal os operários, não importa onde, tomam o problema em suas mãos, volta de logo a ressoar toda a fraseologia apologética dos porta-vozes da sociedade atual, com os seus dois pólos, o capital e a escravidão assalariada (hoje, o latifundiário não é mais do que o sócio comanditário do capitalista), como se a sociedade capitalista se achasse ainda em seu mais puro estado de inocência virginal, com seus antagonismos ainda em germe, com suas ilusões ainda encobertas, com suas prostituídas realidades ainda não desnudadas. A Comuna - exclamam - pretende abolir a propriedade, base de toda civilização! Sim, cavalheiros, a Comuna pretendia abolir essa propriedade de classe que converte o trabalho de muitos na riqueza de uns poucos. A Comuna aspirava à expropriação dos expropriadores. Queria fazer da propriedade individual uma realidade, transformando os meios de produção, a terra e o capital, que hoje são fundamentalmente meios de escravização e exploração do trabalho, em simples instrumentos de trabalho livre e associado. Mas isso é o comunismo, o "irrealizável" comunismo! Contudo, os indivíduos das classes dominantes bastante inteligentes para perceber a impossibilidade de perpetuar o sistema atual - e não são poucos - erigiram-se nos apóstolos enfadonhos e prolixos da produção cooperativa. Se a produção cooperativa for algo mais que uma impostura e um ardil; se há de substituir o sistema capitalista; se as sociedades cooperativas unidas regularem a produção nacional segundo um plano comum, tomando-a sob seu controle e pondo fim à anarquia constante e às convulsões periódicas, conseqüências inevitáveis da produção capitalista - que será isso, cavalheiros, senão comunismo, comunismo "realizável"?"-Marx, Guerra Civil em França

"Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas em vossa sociedade a propriedade privada está abolida para nove décimos de seus membros. E é precisamente porque não existe para estes nove décimos que ela existe para vós. Acusai-nos, portanto, de querer abolir uma forma de propriedade que só pode existir com a condição de privar a imensa maioria da sociedade de toda propriedade."-Marx e Engles, Manifesto Comunista

O Pedro Mundim é contra a socialização dos meios de produção e contra a socialização dos lucros, mas é a favor da socialização dos prejuízos.

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