Hoje ao participar da missa, novamente tomei conhecimento de uma situação de tamanha injustiça promovida pela Igreja Católica Apostólica Romana.

Está tornando-se hábito quando estou em Campinas, na casa de minha namorada, ir à catedral metropolitana (nossa senhora da conceição), participar da missa dás 12:15 do Sábado. Porque esta missa? Devido ao jeito sincero, apaixonado e qualificado (quanto ao discurso) do padre auxiliar Aparecido Donizete Barbosa. Um padre com carisma e discurso coerente!

Contudo, hoje, emocionei-me no momento da homília, quando este homem de Deus, renovou sua paixão e certeza da vocação. Junto a isso, testemunhou aos paroquianos, que se ausentara nas últimas semanas porque estava doente. E expôs o motivo de sua doença:

Será julgado pelo bispo da arquidiocese de Campinas Dom Bruno Gamberini, sob a pena, se culpado, de ter que abandonar o sacerdócio. A acusação? Padre Aparecido é um sacerdote muito ?pra frente?. Motivos? Eis dois testemunhados: 1º Mantém muito contato com os fiéis: fica cumprimentando os paroquianos na entrada, após a missa, fica abraçando aos mendigos, sujando demais suas roupas (o que dá muito trabalho para lavar)? 2º Seu discurso é muito ?avançado? e ?radical?, pois fica falando de pobreza, compromisso, opção pelos pobres e jovens, etc?

Mais uma vez, alguém está sendo penalizado, martirizado, por causa de não ser aceito como é. Muitos paroquianos reclamam do modo de ser de padre Aparecido, os incomoda. Eis a falta de alteridade. Problema que tanto nos assola. O diferente que nos clama justiça, nos provoca, nos faz pensar na nossa relação com o outro, com o diferente? Eles querem que ele entre na Igreja, presida a eucarístia, sem ficar cumprimentando e conversando com os outros, e vá embora, sem ficar dando atenção para os fiéis. E é claro, que o padre, por tentar mudar seu modo de ser por causa dos outros, ficou doente. Qualquer um de nós fica. Mais uma vez o problema da possessividade nos relacionamentos. Queremos que as pessoas sejam como nós queremos, que elas respondam às nossas expectativas e não que elas sejam quem são, ainda que não gostemos do modo delas serem?

Essa é mais uma amostra de que a Igreja realmente está fechando-se em sua totalização dogmática para os tempos que vêm. Ao invés de assumir a prática de seus documentos (sobretudo do Concíclio Vaticano II) e dos ensinamentos de Jesus Cristo: o amor, afirma-se a cada dia uma Igreja fechada à seu povo e fiéis, reafirmando sua estrutura imperialista e ditatorial, ainda que para isso, tenha que contrariar a mensagem de Jesus.

Espero que Dom Bruno tenha discernimento e que haja segundo o espírito de Deus e a mensagem de Jesus, e não de acordo com o imperialismo católico que vêm fazendo de tudo para preservar as pedras (estrutura eclesial) ainda que isso deturpe a mensagem de Jesus e contradiga, muitas vezes, o próprio discurso da Igreja.

?Se vocês não falarem, as pedras falarão?

Boa Sorte Padre Aparecido!