"Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás [....] todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico."

"Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar."

Em declaracão à mídia corporativa o Governador José Serra se justificou: "A questão é a seguinte: o governo está cumprindo ordem judicial. A reitora pediu segurança e o governo não tem outra alternativa se não cumprir a ordem judicial dada por um juiz".

Mesmo um dia após o confronto e com diversos relatos de professores agredidos pela polícia numa tentativa de negociação de paz, Serra continuou a defender a ação da polícia.

Até o momento não houve qualquer acão por parte da reitoria ou do governo do estado para tentar retomar o diálogo com os grevistas. Pelo contrário, uma reunião marcada para hoje para discutir sobre abertura de negociação na próxima semana, foi cancelada de acordo com informação do chefe de gabinete da reitora Suely.

Por tudo isso, a ADUSP em assembléia decidiu exigir publicamente:

  • a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo;
  • a retirada imediata da Polícia Militar do campus;
  • que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;
  • que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático.

Posteriormente foi incluído a proibição, pela reitoria, do assédio moral sofrido pelos funcionários.