Política de guetificação e extermínio: o cercamento das favelas cariocas

A segregação sócio-espacial da população pobre e trabalhadora
da cidade do Rio de Janeiro é parte constitutiva
da estrutura de opressão e exploração impostas pelo Capital
e pelo Estado. Ao longo do século XX o processo de
favelização materializou essa segregação.
Os interesses da burguesia, especialmente do capital
imobiliário, a ocupação do solo urbano no Rio de Janeiro,
criando áreas valorizadas para a especulação imobiliária e
áreas segregadas, vem excluindo e guetificando a classe
trabalhadora.
Nas favelas e periferias os trabalhadores são submetidos
as mais variadas formas de violência: genocídio promovido
pelas forças policiais, remoções, péssimas condições
de vida, riscos de desabamento e de inundações.
Portanto, as favelas são alvo de políticas repressivas
dos governos e da burguesia, sendo identificadas com um
espaço ocupado por ?classes perigosas?. E os discursos
racistas e discriminatórios sempre foram construídos para
justificar tais políticas de repressão. Discursos que num
contexto de criminalização da pobreza assumem uma dimensão
mais ampla.
A atual ofensiva contra as populações faveladas é a
construção de muros cercando as comunidades. Trata-se
de uma ação que articula os governos federal (Lula/PT),
estadual (Cabral/PMDB) e municipal (Paes/PMDB) que irá
atingir várias favelas da zona sul da cidade: Dona Marta
(Botafogo), Rocinha (São Conrado), Benjamin Constant
(Urca); Parque da Cidade (Gávea); Morro dos Cabritos e
Ladeira dos Tabajaras (Copacabana); Morro da Babilônia
e Chapéu Mangueira (Leme); Cantagalo (Ipanema), Pavão-
Pavãozinho (Ipanema) e Vidigal (Leblon).
Com o discurso pequeno burguês de preservação da
mata atlântica, o projeto de enclausuramento dos trabalhadores
que moram nas favelas tem recebido forte apoio
da mídia burguesa, do capital imobiliário, dos militares e
de políticos de esquerda, como Bittar/PT (atual Secretário
de Habitação), Benedita/PT e Jandira Feghali/PCdoB (atual
Secretária de Cultura).
O muro da favela Dona Marta já está sendo construído
e faz parte da política de ?pacificação? da favela, isto é, a
comunidade está ocupada pela Polícia Militar desde novembro
de 2008. Esse modelo de ?pacificação? também
está sendo implementado na Cidade de Deus e nos morros
da Babilônia e Chapéu Mangueira.
É importante destacar que as políticas de
enclausuramento de populações em guetos foram criadas
pelos nazistas após a ocupação da Polônia, em 1939,
onde judeus foram enclausurados em guetos. Durante o
regime racista do apartheid na África do Sul, cercas de
arame farpado foram utilizadas para segregar a população
negra. E atualmente o Estado de Israel constrói muros
para enclausurar os palestinos. Em todos esses casos
a guetificação fazia parte de uma política de extermínio.
As políticas governamentais para as favelas sempre
foram de repressão e genocídio, portanto, o cercamento
das comunidades por muros é a materialização das políticas
fascistas e segregacionistas que marcam a história
das favelas do Rio de Janeiro. Não se pode esquecer os
casos recentes, como a ocupação do Complexo do Alemão
durante os jogos Pan-Americanos (2007) pela Força Nacional,
que resultou na execução de 19 moradores, e a ocupação
do Morro da Providência por tropas do exército durante
o projeto ?Cimento Social? que teve como saldo o
assassinato de três jovens no ano passado.
O atual cercamento e ?pacificação? das favelas são mais
um episódio dessa política de extermínio da classe trabalhadora
que mora nas comunidades. A construção dos muros
deve ser não só repudiada, mas também combatida
pela classe trabalhadora.

Abaixo o muro racista de Paes/Cabral!