| Famílias resistem à decisão da Justiça que determina fim do Olga Benário Por Moradia 14/08/2009 às 20:31 Ex-moradores de rua, despejados de casas e barracos, pessoas de área de risco e mananciais. Ao todo, 3 mil pessoas vindas de condições de vida precárias resistem há dois anos no acampamento Olga Benário, organizado pelo Fórum de Moradia e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Fommaesp), ligado à Frente de Luta por Moradia (FLM). Prestes a completar dois anos de vida, em 27 de agosto, o Olga Benário também está prestes a sofrer reintegração de posse, marcada para o dia 24 de agosto. O espaço ocupado, que antes servia para desmanche de carros roubados e despejo de cadáver, é de propriedade particular e possui dívidas junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco América do Sul que ultrapassam R$ 7 milhões. De acordo com a coordenadora do movimento, Felícia Mendes, durante os dois anos de trabalho no acampamento a coordenação tentou negociar saídas com a proprietária do terreno e com os poderes públicos municipal, estadual e federal. ?Lutamos para que terrenos ociosos de devedores do poder público se transformem em moradia popular?, afirma a coordenadora. Todos os recursos jurídicos foram empenhados pelo movimento, com a ajuda da Defensoria Pública de São Paulo, para que a função social da terra fosse cumprida. ?Não conseguimos nada na Justiça?. O Judiciário já concedeu liminar de reintegração de posse ao proprietário, que deve ser cumprida dia 24 de agosto. A Justiça deu como prazo até 16 de agosto para que a saída seja pacífica. Leia Mais O movimento continua reivindicando ao poder público a alternativa habitacional definitiva. Até agora nenhuma sinalização de atendimento foi dada pela prefeitura e a única saída para as famílias é engrossar os números da população que vive em situação de rua na cidade de São Paulo, estimada em 20 mil pessoas. ?Não temos saída. Iremos até o fim?, declara Felícia. A região, esquecida pela São Paulo rica, fica no extremo sul da cidade, em um terreno de 14 mil metro quadrados, localizado em um pequeno vale rodeado por favelas no bairro Parque do Engenho. ?Estamos lutando para dar vida a um dos muitos cantos escondidos e renegados por São Paulo?, afirma a coordenadora do movimento. Saúde A condição habitacional das famílias no acampamento deveria ser melhor, admite um dos coordenadores do acampamento, José Marcos da Silva. Mas alerta que se as famílias sobrevivem em pequenos barracos de madeira é porque a condição de suas vidas poderia ser ainda pior na rua. ?Elas não estão aqui à toa?, afirma. Silva, que trabalha como cozinheiro no centro da cidade, é uma das pessoas que fazem trabalho comunitário no acampamento. ?Tentamos a cada dia destes dois anos melhorar as condições do lugar?, afirma. As famílias estão expostas a doenças, frio e fome. ?Estamos em uma luta política, nos unimos e nos ajudamos conforme as necessidades aparecem?, diz ele. A prefeitura de São Paulo praticamente ignora a situação das famílias. ?Demoramos um ano e seis meses para que colocassem cestos de lixo. As crianças conviviam nas vielas com os ratos?, lembra. Silva conta que outra dificuldade é o atendimento médico público pelo fato de as famílias morarem em ocupação e não terem um endereço. ?Mas a gente sempre dá um jeito. Tenho um carro que sempre digo que é de todo mundo aqui. Serve também como ambulância da comunidade?, brinca. Silva, Marquinho como é conhecido, tem dedicado sua vida ao trabalho com as famílias. Ele relata que seu casamento acabou por conta de seu trabalho. ?Minha ex-esposa pediu para que eu escolhesse entre ela e este povo. Tentei cultivar os dois, mas tive que escolher um e ela foi embora. Vidas e famílias se construíram aqui. Esta história não pode acabar assim de uma hora para outra?. Trabalho de base Felícia lembra que há dois anos um grupo de 70 famílias do movimento decidiu ocupar o terreno, pouco freqüentado pela comunidade do bairro pelos altos índices de criminalidade. O grupo passou a colocar em prática um trabalho de base com famílias da região. ?Passamos a formar o Olga Benário com a própria comunidade que ali vivia?. Segundo ela, as famílias passaram a procurar o acampamento. A família de Isalmar Ferreira Couto, de 50 anos, pai de três filhos, foi um destes casos. Ele vivia há 40 anos no bairro, sempre pagando aluguel. Trabalhava como motorista, mas perdeu o emprego. ?Apenas minha mulher estava trabalhando?. Com o dinheiro que ganhava tiveram que fazer uma opção. ?Ou a gente pagava aluguel ou a gente comia e mantinha as crianças na escola?. Eles não tiveram dúvida. Procuraram o acampamento e pela primeira vez começaram a lutar por moradia. Couto conta que os preconceitos contra a situação de pobreza ficam mais evidentes quando não se tem um endereço fixo. ?Minha família tinha cadastro no SUS, com cartão para atendimento e tudo. Mas quando descobriram que mudamos de casa, disseram que não era possível renovar o cartão?, afirma. Mas Couto arrumou, há dois meses, outro emprego e faz planos para depois que conseguir uma casa. ?Quero retomar o curso de Ciências Biológicas que iniciei mas não tive condições de continuar?.
>>Adicione um comentário Dá para ver pela foto que é tudo gente do povo fudido e explorado que não pode ficar na rua da amargura!
TODO APOIO AO POVO FUDIDO E EXPLORADO! PELA CRIMINALIZAÇÃO DA MERCANTILIZAÇÃO DA MORADIA! CASA NÃO É MERCADORIA! TERRENO NÃO É MERCADORIA! CADEIA PARA OS MERCADORES DE RESIDÊNCIA! PELA REVOLUÇÃO SOCIALISTA PARA GARANTIR MORADIA PARA TODO O POVO! PELA REVOLUÇÃO SOCIALISTA, PERMANENTE E MUNDIAL! Entao Vermelho! Ta na hora de sair da frente do seu computador e partir pra acao, pois ai, nao adianta ficar esbravejando revolucao mundial, sem mover seu esqueleto, exceto se voce pretende fazer isso, pelas vias eletronias, ai, retira o que eu disse, mas se quer acao, pratica pra sentir o chao do acampamento, o frio do campo aberto e o rager das madeiras dos barracos onde essas 700 familias estao! Idem pra você, Anderson.  | O governo federal lançou um plano de habitação, mas é incapaz de perceber as fraquezas de suas políticas públicas. Estive em várias ocupações, desenvolvi uma pesquisa sobre as "ocupas" do movimento punk, que no estado do Rio de Janeiro são muito bem articuladas junto a outros movimentos sociais de luta por moradia. Em Natal-RN, por exemplo, existe uma lei de desapropriação local, que está sendo bastante discutida após aparecimento de ocupações por aqui. É preciso estarmos atentos hoje as essas rupturas com a ordem, o movimento de luta pela moradia, não passou a existir desde agora e também não se limita quando são acometidos por um desalojo, a constituição federal garanti perante a lei a expropriação de um imóvel que não esteja cumprindo com sua função social, baseado no abandono e no abandono prezumido. O principal argumento para essas famílias continuarem onde estão é a dívida com o Estado, que não pode ser negociada. Antes do direito de propriedade é preciso garantir o direito de moradia digna, de condições básicas de saúde e educação. E quanto as bandeiras de partidos políticos, não se apropriem de uma condição dessas para fazer plataforma política... essa negociata é um insulto a essa gente. Meu apoio às famílias. Que continuem fazendo um bom usufruto do espaço para moradia. "Ocupar e resistir".  | O Radicaos, se voce me conhecesse nao falaria isso, pois saberia que eu estou envolvida ate o pescoco, ha pelo menos 10 anos na luta por moradia em Sao Paulo e produzindo um documentario sobre o assunto. Vivi 6 anos em ocupacoes, sofri 3 despejos, fiquei 4 meses acampado na rua, 2 com muita chuva e uma num frio lascado! Por favor, procuro saber da historia das pessoas antes para fazer suas criticas, ou, voce continuara apenas, com um sugestivo apelido/codinome/pseudonimo e mais nada. Nao quero louros em minha cabeca, pois escolhi viver assim, nao faco mais que minha obrigacao e nao devo nada a nenhum metido a revolucionario que vive escondido atras de pseudonimos Veja as ultimas postagens aqui no CMI sobre o confronto durante o despejo da ocupacao Olga Benario! Eu estive la, desde o domingo de manha, alem de ter ido la, pra ver como as familias estavam, conversar com elas varias vezes. E voce, foi la?  | É ilusão esperar que o Estado (não "Estado burguês" - todo Estado é burguês, ou não seria Estado) e suas leis favoreçam proletário. O ordenamento jurídico é claro: não tem dinheiro para morar, comer, se vestir, se tratar? Fique na rua, com fome, nu e doente. Ou entre na longa fila da caridade privada (que alivia a situação de muitos) ou estatal (que funciona aos trancos e barrancos). Contar com contradições e concessões numa ordem essencialmente pró-lucro e anti-humana é suicídio. Esperar do inimigo de classe qualquer decência e respeito à dor e à necessidade daqueles que ele mesmo coloca na dor e na necessidade é ilusão perigosíssima. A burguesia respeita a força e somente a força. Por isso teme suas próprias facções mais bem armadas e organizadas (Estados, quadrilhas criminosas, etc.) e especialmente proletários armados. Vejam o rigor usado em face de um mínimo de resistência. Mas embora militarmente falando seja impossível defender uma posição fixa contra um inimigo infinitamente superior, politicamente o desgaste de enfrentar resistência armada e bem organizada em seguidos despejos levaria a um abandono da política de confronto (ou pelo menos a um desmascaramento do poder burguês que contribuiria para sua derrubada). É difícil pregar a auto-defesa a massas domesticadas por décadas de democretinismo. Mas fora da perspectiva insurreicional, o proletariado tem tantas chances quanto os judeus europeus tiveram no Holocausto. Ali só se salvaram os que desobedeceram: tomaram armas, fugiram para território livre ou esconderam. Ou tiveram MUITA sorte. Bem, não há onde se esconder ou para onde fugir do capital. E por vezes a ação direta autônoma das minorias, ainda que ínfima, é o único caminho para surpreender e intimidar um adversário acostumado à passividade. Pelo menos se cai lutando e não como gado no matadouro. Que anarquistas e comunistas de esquerda reflitam sobre a necessidade de preparar as massas para a ação francamente ilegal.
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