Extrair petróleo é algo semelhante a cavar um poço para obter água potável. O que se encontra lá embaixo, não é um buraco com água, e sim terra molhada. Água que pode então ser bombeada.
Pouquíssimas vezes a pressão é suficiente para que a água jorre por si mesma para a superfície. Normalmente tem que ser retirada por bombeamento.
A água de um poço é completada indiretamente por água de chuva, infiltrada através do solo. E assim um poço pode ser usado por muito tempo sem que venha a se esgotar.

Esta é a principal diferença em relação a um poço de petróleo. O petróleo é finito, se acaba, não existe reposição.
Segundo a teoria abiótica, o petróleo não se acaba. Estaria sendo gerado continuamente nas profundezas, a partir de pressão calor e compostos inorgânicos. Mesmo que isso seja verdadeiro, a reposição é muito lenta. Bem aquém do que é extraído. E assim os poços secam do mesmo jeito.

Inicialmente é possível bombear bastante, depois cada vez menos. Forma-se vácuo na sucção da bomba, quase nada mais pode ser bombeado, ou vem água salgada. E o poço é desativado. Por vezes restando ainda bastante petróleo lá embaixo.
Existem métodos para fazer o petróleo fluir novamente, injetando gás, água, vapor etc. O que permite que mais petróleo seja extraído. Mas é pouco usado, principalmente por causa do custo mais elevado.

Assim como as pessoas não podem sobreviver sem água potável, a sociedade do automóvel não pode existir sem petróleo. Setenta por cento do petróleo extraído no mundo é destinado para o transporte de coisas e pessoas. Apenas dois por cento do transporte é feito por outros meios que o petróleo.
Se o petróleo ficar escasso, invariavelmente vai se usar menos transporte. Que até, é a mais dispensável de todas as aplicações que se faz do petróleo. É onde realmente é possível economizar bastante, principalmente em se deixando de usar automóveis e aviões.

A escassez mundial de petróleo, não está longe de acontecer. A grande dúvida é que não se sabe ao certo o quanto ainda pode ser extraído, mundialmente. E também, dada a crise econômica atual, não se sabe como vai ser a futura demanda por petróleo. Incertezas que tornam difícil fazer qualquer previsão.
Mas é certo que as descobertas importantes de áreas petrolíferas estão diminuindo. Assim como os demais recursos minerais, cada vez mais difíceis de serem obtidos.

Alguns dizem que o pico petrolífero já foi alcançado. Se isso for verdade, conseqüência imediata é que não vai haver recuperação na atual crise econômica mundial. Nem mesmo as mais sábias decisões políticas e financeiras podem criar um petróleo que não existe mais.
Quanto mais resolver as duas crises juntas, econômica e do petróleo.

Insubstituível, é o ouro negro do século XX. Já se tentou bastante encontrar algo tão, ou mais conveniente até que o petróleo, sem resultado. Petróleo é a melhor forma de energia portátil que existe. Achar que, quando a necessidade apertar, vai ser desenvolvida alguma forma de energia semelhante é ilusão. Não vai acontecer. Não na quantidade que o petróleo é usado atualmente.
Alguma coisa aqui e ali, hidrogênio, agro-combustíveis, gás natural, eletricidade, ar comprimido, carvão liquefeito etc. Mas tudo somado, vai ser reduzida fração do que se usa atualmente em petróleo. Uns dez por cento, talvez. Não mais que isso.
A não ser que se descubra algo totalmente inédito, faltando petróleo, estamos condenados a deixar de usar a maior parte das coisas que consomem os seus derivados.

O petróleo talvez dure mais do muita gente pensa. Mas mesmo os mais otimistas concordam que, em trinta anos, o limite mundial terá sido alcançado. Consensos assim, já aconteceram várias vezes. E mostraram serem falsos. Não se sabe verdadeiramente, quando vai faltar petróleo.
Que sejam os trinta anos. Trinta anos para mudar o mundo, para uma realidade com muito menos energia. É tempo suficiente.
O futuro vai ser sem petróleo, sem a energia que ele pode fornecer. É assim que vamos viver, quer queiramos ou não. E não existe substituto.
A passagem para esse futuro vai ser extremamente traumática, se o mundo continuar usando petróleo como se ele nunca fosse acabar. Que é o que estamos fazendo.

Construímos estradas, pontes viadutos e aeroportos, sem pensar se em dez vinte anos ainda terão utilidade. Nossas cidades estão cada vez mais fundamentadas no uso do automóvel, sem sabermos por quanto tempo isso ainda vai ser possível. A indústria automobilística brasileira está a pleno vapor. Inventamos mil maneiras de consumir mais petróleo. Vivemos como se ele fosse eterno, achando que não vai acontecer nunca a escassez.
Quando então, quase tudo que se relaciona ao petróleo, simplesmente será abandonado e irá virar sucata. E nenhum outro modo de vida foi seriamente considerado.
Estaremos num beco sem saída.

O sistema capitalista impede olhar para o futuro. Enquanto o petróleo está barato, não se pode pensar em coisas mais custosas. Nenhuma empresa cometeria a loucura de desenvolver e ofertar energia mais cara. Simplesmente não venderia. O petróleo barato exclui qualquer outra possibilidade.
Quando o petróleo ficar escasso de verdade, não sendo mais possível atender a demanda, o preço vai subir muito, definitivamente. Não vai ser mais por especulação ou manipulação, e sim por ele ser insuficiente. A demanda sendo maior que a oferta.
E só então irá se pensar, de verdade, em alternativas. Que não existem.

Alternativas, todas elas insuficientes e pouco desenvolvidas. Alternativas que, para serem implantadas, irão consumir muita energia. Energia esta que, em grande parte, vai ser proveniente de um petróleo caro e escasso.
Ou seja, quando o petróleo diminuir, este mesmo acontecimento, vai tolher a implantação das incipientes energias alternativas.

Os estadunidenses estão fazendo a única coisa que pode ser feita para resolver a escassez de petróleo: Estão tirando dos outros. Ou lhes entregam voluntariamente, ou serão declarados terroristas, embargados e invadidos militarmente.

O pré-sal brasileiro poderia assegurar, por um bom tempo, o nosso futuro energético. Mas, somos fracos militarmente e não possuímos sequer, uma única bomba nuclear.
Talvez seja mais prudente ceder voluntariamente. Quando então ainda alguma coisa pode ser negociada. Apesar de ser covardia e bem pouco patriótico fazer isso.
Melhor do que perder tudo, mediante imposição militar estadunidense. Como aconteceu no Iraque. E vai ser com qualquer país fraco, que recusar entregar o seu petróleo.
Não é à-toa que a quarta frota estadunidense foi reativada!

Mas o caldo vai engrossar mesmo, quando outras grandes potências sentirem que irão ficar sem esse precioso combustível, Japão, Alemanha, França, Inglaterra, China etc.
Aí vai ser briga de verdade. Uma grande merda. Do diabo.