Roberto Michelleti não dá nenhum sinal que pretende ceder, pelo contrário, a cada dia aumenta a repressão. Na manhã da segunda-feira(28/09), dia que marca 3 meses de golpe de Estado, o governo golpista publicou um decreto que suspende por 45 dias os direitos constituicionais dos artigos 69, 72, 81 e 84. Ficam proibidos: a liberdade de trânsito; assembléias, reuniões e encontros públicos; publicações críticas às resoluções do governo ou qualquer estilo de 'ataque' contra a ordem pública e a paz. É ordenado: livre detenção de pessoas sem mandado judicial; todas as pessoas detidas serão confinadas em centros de detenção legalmente estabelecidos; todos os escritórios públicos, nacionais, estaduais e municipais, que foram ocupados por manifestantes ou possui pessoas de dentro que estão envolvidas em atividades ilegais serão apurados; todos os secretários de Estado, instituições descentralizadas, municípios e outros organismos do Estado devem se colocar às ordens da Polícia Nacional e das Forças Armadas sem qualquer equívoco, juntamente com todos os meios à sua disposição, para o desenvolvimento dessas operações.

Também na manhã desta segunda-feira, a Rádio Globo e o canal de TV Cholusat Sur foram invadidos pelos militares e retirados do ar. Os dois meios de comunicação transmitiam notícias contra o golpe de estado e tiveram seus equipamentos destruídos e apreendidos pelo exército. Funcionários/as da Rádio Globo tiveram que pular uma janela dos fundos da estação para fugir dos militares. Mesmo com toda a repressão hoje saíram centenas de pessoas às ruas da capital para protestar contra o golpe.

No Brasil, os grandes jornais condenam a atitude do governo Lula de dar abrigo político a Zelaya na embaixada, mostrando seu apoio ao governo golpista e à oligarquia hondurenha e chegam a dizer que não houve golpe ou criam nomes 'simpáticos' como "ditadura democrática" ou "governo interino". Micheletti deu um prazo de 10 dias para o Brasil retirar Zelaya da embaixada (e do país), ameaçando acabar com o direito diplomático do Brasil no país. Lula respondeu dizendo que não irá aceitar ameaças e que irá ignorar qualquer ordem do governo de Micheletti pois o Brasil não reconhece tal governo como legítimo. Vários governos da América Latina condenam o golpe desde o início, dando apoio ao retorno de Zelaya. A OEA, que teve a entrada de sua comissão negada em Honduras, segue pedindo que Micheletti inicie um diálogo e cesse a repressão. A ONU também pede pelo diálogo e já anunciou que não enviará ajuda e nem reconhecerá as eleições em Novembro. Movimentos sociais da América Latina estão alertas para o que pode ser o início de uma ofensiva das oligarquias e do imperialismo estadunidense contra os processo de mudança em curso em diverso países latinoamericanos.