O diálogo mais violento do mundo

O regresso do presidente legítimo Manuel Zelaya endureceu a repressão contra a resistência. O trabalho das organizações de direitos humanos está cada vez mais difícil por causa do estado de sítio decretado pelo governo golpista. No dia 25 de Setembro a Missão Internacional de Observação da situação de Direitos Humanos em Honduras, formada por 17 representantes independentes de diversos países, apresentou em Madrid um informe que documenta a prisão de centenas de pessoas em estádios de futebol, de feridos retirados dos hospitais e levados para centros de detenção e sobre como as ambulâncias são paradas para serem revistadas, além da violação à liberdade de expressão, comunicação e manifestação. Reina Rivera, diretora do Centro de Investigação e Promoção dos Direitos Humanos (CIPRODEH), afirmou que até o dia 25 de Setembro sua organização documentou 17 assassinatos: 10 por paramilitares, 4 manifestantes assassinados na rua, 2 dirigentes campesinos e 1 professor. "Todos eram contra o golpe de Estado e alguns eram filiados ao partido da Unificação Democrática", comenta. No final de Agosto haviam contabilizado mais de 4.000 prisões arbitrárias, das quais 156 eram menores. O Comitê pela Defesa dos Direitos Humanos de Honduras (CODEH) também divulgou um informe e relata 101 mortes extra-legais e sumárias.

"Alguns detidos também confirmaram tortura nos centros de detenção", continua Rivera, "Aos homens colocam fogo debaixo dos testículos e as mulheres introduzem o cacetete em seus orgãos sexuais. Também utilizam gás pimenta e batem nos detidos". O número de pessoas feridas já passa de 300. Os últimos dados incluem a prisão de duas crianças de 8 e 12 anos e de seus pais.

A Rádio Globo, que foi fechada pelo governo ditador nesta semana, está transmitindo pela internet (http://www.libreexpresion.tk) informações sobre a resistência e críticas ao golpe. A Radio informou que dois oficiais do exército de Israel estão acessorando os militares hondurenhos na repressão. O general Jacob Levi e o oficial Jehad Leiner, ambos do serviço secreto de Israel, são os responsáveis pelo uso da arma LRAD-X, que emite um som insuportável para a audição humana, desestabilizando a vítima e causando danos permanentes no aparelho auditivo.

Entretanto, Micheletti já mostra sinais de fraqueza. Na última semana o presidente golpista voltou atrás em quase tudo o que declarou sobre impedir a entrada da missão da OEA, quando manteve presos os representantes por mais de 6 horas no aeroporto e depois expulsando-os do país. O golpista disse que a OEA é bem vinda e poderá voltar quando quiser ao país. O mesmo aconteceu com o ultimato dado ao Brasil de 10 dias: numa declaração a Reuters, Micheletti disse que não tinha sido consultado antes do anúncio sobre o prazo de 10 dias. Outro sinal de divisão dentre os apoiadores do golpe é o congresso nacional de Honduras que se manifestou contra ao decreto publicado no último domingo (27/09) e Micheletti disse que 'irá' retirar o decreto. A oligarquia e até mesmo o Corte Suprema pronunciaram-se com posições diferentes a de Micheletti mostrando claramente que já há uma divisão de opiniões dentro do grupo que promoveu o golpe.