Os fatos de ontem marcam o fracasso do Acordo, tal Acordo que foi fruto de um diálogo que aconteceu sobre estado de sítio, com o povo sem seus direitos constituicionais, com Manuel Zelaya 'preso' na embaixada brasileira e que não constava a Assembléia Constituinte. Desde o início do diálogo que se vê claramente a real estratégia do governo golpista, que é a de ganhar tempo para se manter no poder até as eleicões, estratégia que vem sendo apoiada claramente pelo governo dos EUA desde o momento em que este propôs o diálogo de San Jose. Por isso a Resistência, que se retirou da mesa de negociacão, já esperava por tal fracasso. Agora todos chamam pelo boicote às eleicões do dia 29 de Novembro, já que todos os fatos mostram que não há nenhuma possibilidade de ter eleicões legais no país. Um país em estado de sítio, com as liberdades constituicionais restritas, onde os golpistas não respeitam nenhuma tentativa de restabelicemento da democracia de forma pacífica. Brasil, Nicaragua, Ecuador e outros países da América Latina estão pressionando a OEA para que não reconheca as eleicões, enquanto nos EUA o senador republicano Jim DeMint anúncia que tem a palavra da secretária do Estado Hillary Clinton de que apoiará e reconhecerá as eleicões. No final do dia o Grupo do Rio publicou uma nota pedindo que Zelaya seja colocado de volta no poder.
Enquanto isso a Frente Nacional de Resistência tem demonstrado uma disposicão grande em continuar lutando pela assembléia constituinte e por justica independente de qualquer acordo. A Frente foi clara ao retirar-se da mesa de diálogo que apesar de apoiar o retorno de Zelaya sua luta é pela refundacão da democracia hondurenha, pela reforma da constituicão, que foi criada por outro golpe militar (1982) e que beneficia uma pequena porcentagem da populacão que é a mesma que agora leva a cabo esse golpe no país.
Em Honduras depois dos anos 80 com a 'Guerra Suja' de Reagan que massacrou os movimentos sociais na América Central, os movimentos foram aos poucos tomando forca e voltando a se organizar, um processo que iniciou antes de Zelaya e que agora mostra uma forca espetacular com mais de 130 dias de resistência contra a Ditadura. Foram esses movimentos sociais que coletaram mais de 600 mil assinaturas pedindo ao presidente Zelaya que fizesse o referendo no dia 28 de Junho sobre a Quarta Urna. Nesse referendo a populacão iria responder uma pergunta básica, se queriam ou não uma Quarta Urna nas eleicões do dia 29 de Novembro. Poderiam dizer que 'sim' ou que 'não'. A mentira que vem sendo plantada pelos meios corporativos e pela direita de que esse era um plano de Zelaya para mudar a consittuicão e ficar permanentemente no poder é facilmente desmentida quando um consegue ter um raciocínio simples e fácil. Como que, nas eleicões onde votariam por um novo presidente e onde Zelaya não é candidato, ele poderia ser re-eleito? Se ao mesmo tempo estariam votando por um novo presidente e pela assembléia constituinte?
O povo Hondurenho sabe muito bem que esta luta não comecou com Zelaya e não irá terminar com o seu retorno a presidência. Esta luta só irá terminar quando uma nova constituicão escrita realmente pelo povo for aprovada e quando seja feita justica a todos/as aqueles/as que violaram os direitos da populacão hondurenha, prendendo, torturando, matando aqueles que celebravam os seus direitos e lutavam pela volta da ordem democrática no país.
