| ConeUFPE: "Bloco democrático" rejeita a democracia Por MOVIMENTO ESTUDANTIL 11/11/2009 às 22:35 O Congresso dos/as estudantes da Universidade Federal de Pernambuco, instância máxima de deliberação dos/as estudantes, ocorreu entre os dias 04 e 08 de novembro de 2009. A programação (1) contou com eventos culturais, oficinas e grupos de discussão sobre movimento estudantil na UFPE, educação, entre outros. No entanto, quase todas as discussões focaram uma proposta de mudança estatutária. O CEB (conselho de entidades de base), composto pelos diversos DA's (Diretórios Acadêmicos) da universidade, havia decidido que o único ponto deliberativo do congresso seria quanto ao estatuto, o que incomodou especialmente as organizações político-partidárias. Nesse contexto a tese "Potlatch: pela diluição do poder no diretório central dos estudantes" (2) foi apresentada e propunha basicamente o fim das eleições e da diretoria do DCE passando a gestão da entidade pras mãos dos CEB's. A tese foi construída por estudantes apartidários, antipartidários e anarquistas unidos à atual gestão "Levante e Cante: pois o grito já não basta", a qual passou por um longo processo de reflexão crítica sobre suas posições iniciais a partir da experiência prática como diretoria do DCE sendo fortemente atacada por hoje defender a democracia direta ao invés de defender a continuidade da democracia representativa. Leia a matéria completa. O risco de perder um espaço de propaganda política e financiamento (visto que o DCE recebe mais de R$100.000 por ano) assustou os grupos político partidários resultando num documento assinado pela ANEL (predominantemente PSTU) Correnteza (PCR), Vamos à luta (PT) e grupos correlatos. (3) O irônico foi o nome que essa aliança se deu "Bloco Democrático" quando o fim de tal aliança era impedir a radicalização da democracia na universidade. O discurso do "Bloco Democrático" resumia-se a constantes ataques à antiga gestão e a idéia de que a base é imatura e necessita de representação para que as lutas políticas aconteçam. Durante os GDT?s (grupos de discussão e trabalho) que visavam a discussão do antigo estatuto da UFPE tais grupos mostravam seu caráter conservador firmando uma unidade quanto à permanência do mandato em causa própria. Além disso, várias manobras políticas a fim de evitar que a tese "Potlatch" chegasse à plenária final foram tomadas já desde antes do início do congresso quando a Correnteza (PCR) não inscreveu nenhum de seus delegados para que o quorum não fosse atingido. Nas vésperas da plenária final o quorum ainda não havia sido anunciado e após a janta, do penúltimo dia do Congresso, ocorreria continuação da tentativa de discussão sobre o estatuto. Por fim durante a refeição correu o boato de que o quorum não havia sido atingido. A discussão não continuou já que o Congresso não tinha mais um caráter deliberativo, pois diversos grupos e indivíduos o abandonaram reafirmando o posicionamento de que a eles só interessava a salvação da já moribunda democracia representativa no movimento estudantil. Por outro lado, no último dia do Congresso um grupo que apesar das divergências no que dizia respeito à tese convergiam no fundamento da proposta (democracia direta no DCE) se reuniu a fim de discutir como organizar uma atuação política efetiva para além do DCE. Anexos (1) http://dceufpe.clientewebhost.com.br/coneufpe2009/programacao/ (2) http://rapidshare.com/files/302841837/Potlatch.pdf.html (3) Carta aos estudantes da UFPE
>>Adicione um comentário manter a ordem quem quer criar des-ordem Puts. Ó a pseudo esquerda revolucionária que divaga na decreptude do nada putinha! Vão fazer do quintal de suas casas outro lugar, e não as entidades de luta do movimento estudantil. ?????????????
Entendi nada, amigo. Dá para explicar para podermos tentar dialogar, ou só chamar as pessoas de putinhas já te satisfaz? Fui diretor do DCE-UFPI e gostaria muito que tivéssemos dividido o tempo de movimento estudantil para fazermos discussões nesse sentido. Interessante como nosso projeto de radicalização da democracia era bastante parecido.
Por favor, disponibilizem a tese de vocês em algum outro site pois o RapidShare só permite o download de 10 arquivos por dia. Se possível, enviem para meu e-mail que ajudo a espalhar.
E que nossos posicionamentos se fortaleçam e persistam quando passarmos do movimento estudantil para outros movimentos.  | Força nessa luta, porque ela é a mais importante! Aqui em São João del-Rei, Minas Gerais, na UFSJ, o Conselho de Entidades de Base já dirige o DCE há uns 6 anos. Nunca mais o DCE foi usado como trampolim eleitoral. Nunca mais o dinheiro do DCE foi roubado. O movimento não cresceu de uma hora para outra por isso, mas retomou sua dignidade e passou a obter conquistas.
Sem isso, sem verdadeira democracia, ou seja, sem colocar fim às eleições-leilões, não tem sentido falar de luta nenhuma. Os DCEs-aparelhos são carros quebrados, portanto a ilusão de dirigí-los para uma bom caminho após vencer uma eleição direta é absurda. O PSTU vai se atolando nesse pantano que o MR8 e o PC do B já se atolaram antes. Eles acham que são puros e incorruptíveis, mas vão ver que caíram em uma velha armadilha, que já corrompeu outros "incorruptíveis" antes.  | Aqui em São João, foi montada em 2004 uma chapa, a Kamikaze, cuja única proposta era um novo estatuto com o poder das entidades de base. Essa chapa venceu e aprovou esse estatuto em Janeiro de 2005. Mas é claro que os caminhos podem ser diversos.
Discordo quando o artigo diz que essa proposta substitui completamente a democracia representativa pela direta. Isso até confunde os leitores, pois de maneira alguma é verdade. A democracia fica mais direta, com um espaço privilegiado de participação direta, que é o Conselho de Entidades de Base, mas continua representativa, e mais representativa que antes, pois os CAs representam os estudantes bem mais que qualquer diretoria de DCE já conseguiu, isso tanto na cultura política dos estudantes, quanto em número de votos, quanto na prática.  | Filip,
Mandei a tese por e-mail, não é exatamente a versão final mas já da pra ter uma idéia do que foi publicado. Hospeda aí e posta aqui. Valeu.
Alex,
Massa seu e-mail, o que a gente precisa é trocar experiência com o M.E nacional. Aí os DA's funcionam por eleição e o DCE pelo CEB? Agora que pena que o PCB aqui se posicionou contra a tese e se aliou com o PSTU, PT, PCR e etc. só não saiu a sigla na matéria por que não é representativa no M.E daqui.
Abraço a todos.  | É Alex, eu compreendo o que você diz. Na verdade existem duas formas conhecidas de democracia: a burguesa (representativa) e a direta muito utilizada pelos socialistas conselhistas (a exemplo dos sovietes como você mesmo colocou no BLOG) que é ironicamente mais representativa. Por que? Porque a legitimidade vem de discussões (política) e não de eleições alienadas (politicagem).
Embora na minha opinião, do ponto de vista filosófico, a representatividade seja impossível, pois é impossível abdicar de seus valores em nome de outrem, da neutralidade e etc. uma velha discussão filosófica.  | Alex,
esse texto foi uma construcao coletiva de integrantes do coletivo cmi-recife e pessoas que nao fazem parte do coletivo, porem achavam importante publicar algo sobre o coneUFPE e participaram ativamente do congresso.
Nenhum de nós acredita que a gestao do DCE pelos CEBs transformará COMPLETAMENTE a democracia de representativa em direta, e se demos a entender isso na matéria foi uma falha nossa. Gostaria que tu apontasse o que te fez ter essa compreensao.
O que desejamos, nos que escrevemos o texto, é a gestao do DCE pelos DAs atraves dos CEBs, mas nao so. Queremos tambem a autogestao dos DAs, ou seja, que todos do curso sejam DA (tenham os privilegios que estatutariamente e na pratica da maioria dos DAs so a gestao tem), que na necesidade de delegacao ela seja feita atraves do mandato imperativo (o delegado nao podendo defender que posicao lhe aprouver, mas sim o que a base decidir, e quando me refiro a base me refiro aos estudantes do curso como um todo) e DAs classistas.
Agora tudo isso pra mim so faz sentido quando vinculado a um projeto de sociedade maior e portanto quando transcende os muros da universidade e se articula com outros movimentos sociais visando a transformacao dessa sociedade e a construcao de outra radicalmente democratica.  |  | Meus Parabéns aos militantes da causa libertária da UFPE por mais este avanço no sentido de sepultar o modelo arcaico e falido de participação mediada pelos partidos institucinais burgueses, todos eles... Nessas horas é que caem as máscaras e aqueles que se auto-intitulam "revolucionários" se unem aos tradicionais pelegos e direitosos que não querem perder a sua grande teta de recursos e privilégios. Porém, muito cuidado com a falta auto-disciplina por parte dos libertários e demais estudantes independentes, nestes momentos que requerem grandes sacrifícios e abnegações para a consolidação de um novo modelo de democracia que consiga revolucinar as relações politicas através dos movimentos de nosso povo. Essa outra forma de fazer política é necessária e vital enquanto referência para que nosso povo e nossa classe possam voltar a se engajar na luta pela abolição do capitalismo e da burocracia privada e estatal. Neste momento histórico, a responsabilidade que os compas da UFPE têm nas mãos é enorme... Não desistam nunca e mantenham-se unidos para não caírem nas mesmas frustrações que tivemos por essas bandas. Estamos com vocês!!!
Saudações libertárias pampeanas
CBO  | Acompanhei algumas discussões sobre o congresso quando estava por Recife e fui ao CEB com amigos da Pedagogia. Apesar da proposta de gestão descentralizada ser algo novo, porque não tentar? Uma vez que sabe-se que o que existe não contempla?
Achei a coragem de quem se propos ao debate e deu gás por ele louvável e é triste perceber o que o "medo" faz com certos grupos. Não sou apartidária nem anarquista, mas penso que principios e etica são essenciais no caminhar da luta e a junção democrática não pareceu demonstrar isso. Eram os interesses dos estudantes de fato que estavam buscando preservar? Essa é uma duvida que fica. Para o libertário pampeano...
Sou da UFPE e participei da iniciativa de construção de outro modelo para o DCE. Tô curtindo bastante poder dividir essa experiencia aqui no cmi.
CBO é sua assinatura no comentário ou alguma organização libertária?  | Sobre o PCB, é necessário entender que se trata de um Partido nacional e democrático. Esse assunto, como diversos outros, está sendo debatido, em fórum após fórum do Partido, sobretudo aqui em Minas, onde a célula do PCB de São João del-Rei nasceu completamente atrelada à política anti-aparelhista de lutar pelo poder das entidades de base. No último congresso da UEE, a bancada da UJC com somente 7 delegados aprovou um CEEB estatuinte, e já estamos defendendo o poder das entidades de base também sobre a UEE, com os diretores eleitos e revogáveis por conselhos municipais de entidades de base. Ainda não tive a oportunidade de conversar com os camaradas de Pernambuco, mas logo que a tiver, vou tentar explicar-lhes o equívoco de seguirem PSTU e PT.
Sobre os conceitos de democracia direta e representativa, tive ao ler o texto a impressão de que havia sim a idéia de que a democracia representativa pode ser completamente substituída por uma democracia direta. Isso não existe. Por isso prefiro dar nome aos bois - a democracia como existe em cerca de 200 DCEs do país é capitalista, ou como os capitalistas preferem, liberal. A democracia pela qual devemos lutar é anti-capitalista, de fato é socialista, como se pode notar pela sua inegável semelhança com outras experiências históricas, a exemplo da Comuna de Paris, dos Soviets etc.
Sobre os CAs, torná-los mais democráticos também é necessário sim, mas isso já é outro passo, mais difícil. Em São João, o poder sobre o DCE tem inspirado nos CAs reformas estatutárias nesse sentido. Mas ainda não temos evidências do que tem tido mais sucesso, pois são reformas recentes ou em curso.
Sobre um projeto, o que não compreendo é como se pode ter um projeto de mudar o Brasil sem se ter coragem de mudar os DCEs! Como falar de poder do povo no Brasil quando não se luta pelo poder dos estudantes sobre seus DCEs! Como afirmar que no Brasil não temos democracia, mas não aceitar que nos DCEs também não temos, quando a farsa é inclusive a mesma nos dois casos! Ou seja, uma coisa está completamente ligada à outra.  | No final do quinto parágrafo da matéria consta:
"a Correnteza (PCR) não inscreveu nenhum de seus delegados para que o quorum não fosse atingido"
Na verdade, alguns delegados da Correnteza se inscreveram sim, porém não todos os que foram tirados pelo grupo.
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