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Chamado de uma ocupante da Josué de Castro
Por MORADIA 04/02/2010 às 13:55

Meu nome é Ceça, sou moradora e coordenadora da ocupação Josué de Castro. Quero que todos saibam da nossa existência e por isso escrevo esse relato.

Na madrugada do dia 20/09/08 juntamente com mais de 80 famílias, invadi e ocupei um terreno abandonado situado na Av. Recife, em Recife/PE, pertencente à empresa de pneus Michelin. Pouco trazíamos, eram só paus, lonas e cordões. O pior é que grande parte do terreno era lama e mato. Só que isso não impediu que montássemos as nossas barracas. Na primeira semana que passamos fomos limpando o mato, retirando o lixo e restos de animais mortos que havia na área. Moramos em barracas durante várias semanas, nesse ínterim fomos visitados pela polícia e outros que queriam nos retirar do local. Não saímos e assim foram passando os meses. Chuva, sol, frio ou calor não nos detiveram, continuamos na luta. Logo fomos nos organizando e substituindo as lonas por madeira. Cada um fez seu barraco de acordo com a sua possibilidade. O meu até hoje permanece de tábua. A cada dia que passava o terreno ia melhorando, pois cada um de nós foi aterrando sua área e organizados aterramos também a rua principal. Hoje mesmo no inverno, podemos transitar por toda a ocupação. Temos energia elétrica que nós mesmos puxamos dos postes em frente a ocupação. No início as gambiarras nos deram muito prejuízo. Por isso nos organizamos e compramos uma fiação adequada p/ a demanda do local.

Estamos um pouco mais organizados, mas isso só aconteceu por conta do convívio que temos com pessoas de vários setores da sociedades: APAP (Associação Pernambucana de Anistiados Políticos), NAJUP (Núcleo de Assessoria Jurídica Popular), FAP (Fórum de Ações Populares), Autonomia (Grupo de Educação Popular), MSEU (Movimentos Sociais e Espaço Urbano - grupo de voluntários da pós-graduação em Geografia da UFPE). Dentre outros. Nosso primeiro contato aconteceu após o 1° protesto que fizemos na Avenida, por conta da 1ª ordem de despejo que recebemos. Alguns universitários, e seus colegas viram o nosso desempenho que foi divulgado na mídia, e como havia saído nessa ocasião um aumento abusivo das passagens (ocorrido no mês de fevereiro de 2009) dos transportes coletivos, decidiram nos procurar p/ juntarmos força p/ realizarmos um novo protesto. Almejávamos parar toda a cidade. Infelizmente não ocorreu com essas dimensões, mas serviu e muito para o nosso crescimento pessoal e coletivo.

A partir daí, várias vezes nos reunimos e os grupos, cada um na sua área de atuação começaram a realizar oficinas e palestras com a comunidades. Por diversas vezes participamos de debates e palestras em diversos locais, o que nos trouxe mais e mais pessoas interessadas em nossa causa. No atual momento estamos enfrentando a 4ª ordem de despejo e como não costumamos nos conformar com a realidade que o Governo quer nos impor, continuamos a fazer contato com vários órgãos.

Daí o motivo desse relato. Chamo você que leu nossa história para engrossar o cordão e fazer parte dessa luta. A Josué de Castro quando acorda a cidade com seu fogo, apito e grito de guerra, não toma a avenida apenas por moradia, nossa luta é por uma vida mais digna; moradia, escola, transporte, lazer, cultura, etc.

Essa luta também é sua!!

Maria da Conceição
Email: solidariedadejosue @ riseup.net

[RECIFE] Carta a quem de interesse! | Ocupação Josué de Castro protesta contra reintegração de posse (02/09)

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Comentários


novidades
anônimato 04/02/2010 17:12

Só uns detalhes: A liminar de reintegração de posse que havia pro dia 9 de Fevereiro foi derrubada, graças, em boa parte, ao apoio prático, inclusive jurídico, da Secretaria do Patrimônio da União (vinculada ao Ministério do planejamento) e da CEHAB (Companhia Estadual de Habitação e Obras) e da intervenção jurídica da advogada da ocupação. O processo continua, entretanto, existindo, havendo ainda a possibilidade de a ocupação ser despejada.

Demorou um pouco pra a matéria ser aceita devido às dificuldades técnicas do site do cmi-brasil, daí as necessidade de acrescentar esse esclarecimento.


Parabéns!
Guile 04/02/2010 19:42

Maria, parabéns pela garra e a fé nos seres humanos ainda existentes nas pessoas! Sua luta ajuda a reviver a solidariedade entre as pessoas e a construção da beleza e da justiça social! Mesmo se a ocupação terminar derrotada, nossos corações e dignidade terão sido vitoriosos!


se liga
Leitor 04/02/2010 23:53
leitor-br@hotmail.com


À Jacques Lacan

Olha , ela não é simplesmente uma bandida/invasora.
primeiro que ela não está querendo prejudicar ninguém que não mereça , segundo que o governo que supostamente baseado em uma democracia deveria pensar mais nas pessoas que realmente formam o seu povo , não deixando eles à pura sorte e assim sendo levados pelo lado da criminalidade , e terceiro que elas (os sem tera) querem apenas um lugar para morar (e não rios de dinheiro como muitos que trabalham para essas "importantes e moralistas instituições" privadas e públicas) .
Claro que há alguns auxílios às pessoas necessitadas , mas acontece que isso nem sempre é o sulficiente .
Mas ao invéz dessas pessoas partirem para a criminalidade contra pessosas que não tem nada a ver com seus problemas , elas de certa forma pesquisam um lugar que tenha relação com abandono de propriedade , não uso da terra ...
E você já se interessou mais por esse assunto , já conversou com um deles para ver a sua cara de bandido ? Cara , são famílias que querem viver com o mínimo de dignidade .
E o texto tem que estar de forma apresentável , para que se leve a sério , não importando se exatamente essas palavras foram proferidas pela pessoa , mas que a ideia esteja coerente com o fato , não tem nada de falsidade ideológica .
E pela moral do site , melhore seu linguajar.
Obrigado pela atenção e abraço.


AO LEITOR
Jacques Lacan 05/02/2010 10:24

De fato peguei pesado na linguagem, pelo que meu texto já foi inclusive deletado...

Na hora em que li a "matéria" e logo abaixo vi um post de alguém parabenizando, realmente me deu nos nervos.

Vamos por partes:

Tratar-se-ia de um artigo SOBRE uma pessoa que ocupou (aqui é irrelevante a qualidade da ocupação) e poderíamos ler algo, no mínimo, real. Poderíamos discordar (como é meu caso), poderíamos concordar, aplaudir, repudiar, enfim, cabem todos os sentimentos sobre algo real e concreto.

Chamo sua atenção para o fato de não ser alguém contando a história de outrem... O TEXTO COMEÇA COM: "MEU NOME É CEÇA..." E depois lá vem um FALSO DEPOIMENTO. Em jornalismo isto é absolutamente inaceitável. Em jornalismo sério, isto fecha um jornal ou uma revista, por que trata-se da arte de enganar e iludir o leitor.

Data máxima vênia (por que você foi educado comigo o que é uma raridade neste site), acho preconceituoso dizer que o texto tem que estar de uma forma apresentável para ser levado a sério. Ora, se a Ceça não tem condições de dar um depoimento inteligível, então competiria a quem a estivesse entrevistando, fazer do seu depoimento uma matéria com enxertos de opiniões da própria Ceça, entre aspas, como mandam os manuais básicos do jornalismo, mundialmente aceitos, salvo países mega-democráticos como Cuba, China, Venezuela Coreia do Norte entre outros.

Portanto, acho que a bandidagem começa na invasão e termina na mídia que faz isto (ou será o oposto?). Acho que tudo tem rabo de porco, focinho de porco, pé de porco e, ahhh, lombo do mesmo. Porco.

Você não tem que concordar comigo que invasões devem ser repelidas independentemente do valor social agregado ao fato. Esta é uma opinião minha, bem como é minha opinião que um país começa a se deteriorar quando o poder judiciário passa a ser ignorado (e não quando o legislativo é corrupto - como no nosso caso - e como pensam muitos).

Nenhum país consegue sobreviver a esbornia de "ahh o poder judiciário decidiu isto, mas vamos ignorar em prol da necessidade de uma população carente"... NENHUM.... Até por que amanhã você pode ver um seu direito líquido e certo ser ignorado por que alguém (ou um comité de alguéns - o sistema adora isto) achou que independentemente da decisão judicial é melhor para o povo que ela não seja cumprida.

Acredito na necessidade e sou partidário das soluções mais eficazes e rápidas para o enorme número de brasileiros sofridos e entregues a séculos de miséria que apenas se perpetua. Mas acredito em soluções que passem por programas públicos concretos. Acredito em verba para moradia digna para todos os brasileiros, acredito em verba a ser canalizada para isto ao invés do desperdício de dinheiro que, por exemplo, este governo tem com o custeio da máquina federal. Ao invés de enxugar o Estado para se ter mais dinheiro (dinheiro de verdade) para o investimento em moradia, saúde pública de qualidade, saneamento básico e educação básica para quem dela precisa, resolve empregar 100.000 companheiros com a finalidade de perpetuação no poder, outro plano, outra coisa... péssima coisa.

Ceça? Todas as Ceças? Massa de manobra. Isto é o que mais me irrita, mais me deixa indignado. Fazer de um povo sofrido massa de manobra de correntes políticas, independente da possível boa-fé que tenham em um futuro socialista, imposto pela força.

Ceça tem pressa.

Ceça não está nem um pouco preocupada com quem está no poder, se PT, PSDB, ou PSOL... Ceça quer morar, criar seus filhos, ter um posto de saúde a mão, com médicos dentro, de preferência. Ceça quer um pouco de segurança em torno de sua casa, para que ela não faça crescer seus filhos no meio de uma boca de fumo.

Isto é realidade. O resto é trabalho sórdido de grupos de "intelectuais" que pensam estar corretos e fazem Ceça sofrer e ser exposta, em prol de futuras gerações que - AÍ SIM - QUANDO ELES ESTIVEREM NO PODER teoricamente não terão mais problemas como o de Ceça.

Isto é coisa de gente sem moral, sem ética, sem coração eu diria. Prometer o paraíso a médio e longo prazo? Ora, deixemos isto para as diversas religiões que já o fazem com competência e sem pudor.

Não será, jamais, ocupando e destruindo propriedades privadas ou causando o caos público que estas pessoas irão resolver os seus problemas. Ademais, no dia em que morar em barracos feitos de madeira a beira da estrada for solução digna, eu vou achar que estou no planeta errado.

Estas invasões (que - de novo - apenas usam os necessitados como massa de manobra) pretendem tão somente causar uma desestabilização na ordem constituída como se os arquitetos por trás (os mesmos que falam pela boca de Ceça) de tudo isto, dissessem:

FIQUEM ATENTOS. TEMOS UM EXERCITO PARA ATACAR VOCÊS.

Resolver o problema, de fato, passa por lugar completamente distinto deste.

Isto


Agora sim.
leitor-br 05/02/2010 12:55
leitor-br@hotmail.com

Obrigado Jacques Lacam por explicitar melhor a sua ideia , e agora entendo melhor a sua visão.É verdade , morar em uma casa de palha sem saneamento básico não é digno , mas às vezes é o que restou para algumas pessoas .Mas me desculpe por te-lo atacado . Mas acontece que a sua fúria (hehe) foi maior do que seu pensamento e acabou passando a ideia errada.
Por mim a bandidagem começa já no poder executivo pois o mal gerenciamento das verbas públicas cria sempre questões de importânci que não são vistas com seu devido valor ou o são e acabam não sendo resolvidas por falta de interesse muitas vezes econômico.
Obrigado pelo esclarecimento e a oratória bem elaborada.
Abraço à todos.


Lacan
anonimato 06/02/2010 15:11

Vamos por partes:

?Chamo sua atenção para o fato de não ser alguém contando a história de outrem... O TEXTO COMEÇA COM: "MEU NOME É CEÇA..." E depois lá vem um FALSO DEPOIMENTO. Em jornalismo isto é absolutamente inaceitável. Em jornalismo sério, isto fecha um jornal ou uma revista, por que trata-se da arte de enganar e iludir o leitor.?

Lacan, realmente não entendi pelo seu texto o que você está chamando de FALSO DEPOIMENTO, por favor seja mais claro, pois suas adjetivações superficiais pouco contribuem para o debate. Lendo o texto do ?leitor? deduzi que sua acusação deve-se ao fato de você acreditar que o texto foi modificado por alguém, e, sendo o caso, sua acusação é infundada e seu depoimento falso, pois o texto está publicado tal qual escrito.

?como mandam os manuais básicos do jornalismo, mundialmente aceitos?

Não sei se você ainda não perceber, mas o CMI pouco está preocupado para o que ?mandam os manuais básicos do jornalismo?, isso porque o CMI se pretende uma ruptura com essa forma , capitalista, monológica e portanto anti-comunicativa de jornalismo. Se você defende o status quo midiático, e quiser entrar nessa discussão, podemos entrar, mas é necessário que você argumente para além do fato de que não se encaixa num determinado padrão hegemônico de jornalismo, o que, na verdade, não diz nada, antes de querer desqualificá-lo.

?Portanto, acho que a bandidagem começa na invasão e termina na mídia que faz isto (ou será o oposto?). Acho que tudo tem rabo de porco, focinho de porco, pé de porco e, ahhh, lombo do mesmo. Porco.?
?Você não tem que concordar comigo que invasões devem ser repelidas independentemente do valor social agregado ao fato. Esta é uma opinião minha, bem como é minha opinião que um país começa a se deteriorar quando o poder judiciário passa a ser ignorado (e não quando o legislativo é corrupto - como no nosso caso - e como pensam muitos).

Acredito na necessidade e sou partidário das soluções mais eficazes e rápidas para o enorme número de brasileiros sofridos e entregues a séculos de miséria que apenas se perpetua. Mas acredito em soluções que passem por programas públicos concretos. Acredito em verba para moradia digna para todos os brasileiros, acredito em verba a ser canalizada para isto ao invés do desperdício de dinheiro que, por exemplo, este governo tem com o custeio da máquina federal. Ao invés de enxugar o Estado para se ter mais dinheiro (dinheiro de verdade) para o investimento em moradia, saúde pública de qualidade, saneamento básico e educação básica para quem dela precisa, resolve empregar 100.000 companheiros com a finalidade de perpetuação no poder, outro plano, outra coisa... péssima coisa.?

Sua utopia neoliberal está bastante longe das ?soluções mais eficazes e rápidas para o enorme número de brasileiros sofridos? que você supostamente defende, mas não hesita em tachar de bandidos. O que Ceça e aqueles que estão incluidos nas estatística de sem-tetos do Brasil e do mundo farão até que essa verba seja canalizada? Esperar a boa vontade do Estado enquanto suas forças vitais se esgotam lentamente? Sua proposta sinceramente não tem como ser levada a sério quando você não faz parte dessa estatística. Sintetizando, cito Keynes: ?A longo prazo, todos estaremos mortos.?

?Ceça? Todas as Ceças? Massa de manobra.?

É evidente que existe intervenção partidária em ocupações, mas nem em todas e arrisco a afirmar, sob o risco de estar incorreto, que sequer na maioria. De qualquer forma falando do caso específico da coordenação da josué, ele está longe da realidade pitoresca que você desenhou ardilosamente.

?Não será, jamais, ocupando e destruindo propriedades privadas ou causando o caos público que estas pessoas irão resolver os seus problemas. Ademais, no dia em que morar em barracos feitos de madeira a beira da estrada for solução digna, eu vou achar que estou no planeta errado.?

Bem, as pessoas que estão ocuparam o espaço, anteriormente abandonado, e que sequer é propriedade privada, pois a empresa está endividada com a União o que faz com legalmente seja da União, tem sido vitoriosas em derrubar quatro liminares de reintegração de posse e isso se deveu tanto ao apoio jurídico quanto ao ?caos público? que elas causaram, em outras palavras, a ocupação do terreno, a luta jurídica e os protestos que a ocupação realizou até hoje (e se você pesquisar perceberá que não é um exemplo excêntrico) tem resolvido vários problemas de diversos ocupantes e juntamente com o apoio dos órgãos do governo pode o problema de um local instável de moradia pode acabar. E mais uma vez você expõe um argumento falacioso segundo o qual não ter sua posição é defender que morar em barracos é solução digna. Além do que se essas pessoas moram em barracos à beira da estrada supõe-se que muitas delas estavam em situação pior, situações pouco dignas e que você certamente disaprova, ou não?

?Estas invasões (que - de novo - apenas usam os necessitados como massa de manobra) pretendem tão somente causar uma desestabilização na ordem constituída como se os arquitetos por trás (os mesmos que falam pela boca de Ceça) de tudo isto, dissessem:

FIQUEM ATENTOS. TEMOS UM EXERCITO PARA ATACAR VOCÊS.?

Essas invaões, como você prefere chamar, cujo único intuito demoníaco é desetabilizar a ordem, ou status quo, estão legitimadas pela LEI de reforma urbana e agrária do governo Lula, segundo a qual um terreno endividado para com a União está sujetio à primeira ou seugunda. Pra finalizar acredito que você está fazendo uma leitura maniqueísta, causal, pouco empírica e consequentemente puramente ideológica. Sua análise generalizante das ocupações urbanas do País não cabem pro exemplo específico da Josué nem tampouco para outras ocupações que conheço. Seria surpreendente para mim, na verdade, se sua análise coubesse pra qualquer ocupação do Brasil e do planeta.


AO ANONIMATO
ESTOU COM TEMPO, VAMOS LÁ: 09/02/2010 10:48
ão

DO FIM PARA O COMEÇO.

1) Desculpe, mas quem chama de invasão não sou eu é a Ceça ou, melhor dizendo, o Ghost Writer dela, ou nas palavras do texto:

"Na madrugada do dia 20/09/08 juntamente com mais de 80 famílias, invadi e ocupei um terreno abandonado situado na Av. Recife, em Recife/PE, pertencente à empresa de pneus Michelin. "

Pois é, meu caro, é invasão mesmo. A Ceça acha que é e eu concordo com a voz que lhe deram. Esta tempestade de adjetivos que você empregou ao meu texto (você está fazendo uma leitura maniqueísta, causal, pouco empírica e consequentemente puramente ideológica) é típica de quem quer confundir as coisas dando tantos nomes que no final quem estiver lendo vai atribuir conteúdo ao seu dizer. Não, nada disto. Minha leitura é simples, legalista, direta. Só isto. Emito minha opinião, mesmo que ela vá contra a correnteza - neste site. Não vou me repetir. Não precisa o que eu disse, você fez o favor de carrear para o seu texto então vou poupar a mim, a você e a todos de repetir.

2) Você já ouviu falar em Estado Democrático de Direito? Pois é. Super bacana (e nada nova) esta idéia. Já testada em alguns dos países que melhor se deram na história da humanidade. Não adianta você falar que a propriedade de uma empresa privada "endividada" com a União, torna-se propriedade pública. Não. Não é assim que funciona. Desconheço por inteiro o processo da dívida da Michelin (aposto que você tampouco conhece) mas sei que toda e qualquer dívida para com o Estado, bem como dívidas contraídas por empresas com entes privados são passíveis de recursos, julgamentos no conselho de contribuintes (no caso de dívidas com o fisco), recursos e por fim, parcelamento. Em caso de não pagamento da dívida cabe o recurso extremo ao Estado de executar pelo valor devido, podendo para tal, no curso da execução indicar bens a penhora, para garantir o pagamento do valor da dívida e, por fim, no bojo de uma execução, salvo todos os procedimentos legais que possam interferir no processo, há a possibilidade dos bens penhorados serem levados à leilão para quitação da dívida.

ATENÇÃO: NÃO EXISTE UMA LEI DA FORMA COMO VOCÊ ALEGOU, E QUE REPITO AQUI: "pela LEI de reforma urbana e agrária do governo Lula, segundo a qual um terreno endividado para com a União está sujetio à primeira ou seugunda"

NÃO. Nem este nefasto desgoverno seria capaz de propor uma lei como esta, nos moldes que você citou. Claro que você tangenciou a verdade e com isto ficou parecendo verdadeiro o que é integralmente falso. Claro que é assim que agem aqueles que pretendem inverter a verdade em nome de uma crença maior. Mas, infelizmente, para você, não é bem assim que funciona. Até por que você decretou o fim da propriedade privada... Você não pode. Sinto muito.

3) Ao tentar distorcer, com grande dose de maldade, as minhas palavras, você se complicou. Meu argumento é mais forte e poderoso que a sua tentativa. Eu disse apenas que as INVASÕES atendem tão somente aos interesses partidários e ideológicos e não levam em conta os interesses dos seres humanos utilizados como massa de manobra pelos artífices de tais atos. Ou.... será... que alguém acha que é solução digna aquela que foi dada a Ceça e a sua turba invasora? Morar em barracos de nacos de madeira a beira de uma estrada? Resolveu o problema dela? Claro que não. Mas resolveu o de um monte de gente que, como você, quer ver a desordem pública (no privado mesmo) para chamar a atenção para uma causa.

Para vocês, Ceça é uma causa, uma bandeira, um objetivo. Para mim é um ser humano... isto nos leva ao ponto 4.

4) Não se trata de "utopia neoliberal" (vocês precisam ir ao divã para entender qual o problema que têm com o liberalismo. Ou talvez precisem ir para a escola aprender do que se trata). Utópicos, como já foi fartamente comprovado pela história são os comunistas. Aqueles que crêm ter o poder de falar em nome dos miseráveis por que detém o poder do conhecimento das necessidades e vontades deles (e ai deles se discordarem de vocês). Sou prático. Acredito em Estado mínimo e investimento máximo. Acredito em canalização de verbas e controle severo para o seu melhor uso e creio que na escala de prioridades do uso do dinheiro público está, em primeiro lugar, a mordadia, educação, saúde pública e saneamento básico da população mais carente. Tudo dentro da lei, tudo dentro da responsabilidade fiscal, tudo de acordo com a Constituição Federal. Não há nada de utópico nisto. É simples, já se mostrou possível em alguns governos estaduais e administrações municipais de diversos partidos e - até sou obrigado a concordar - em âmbito federal neste desgoverno atual.

5) Por fim acho que vou ter que desenhar para você entender. Pouco me importa o que pensa e quer o CMI. Não é por que o site pensa uma coisa, acredita em uma idéia que pode afastar-se do básico do mais comezinho dos básicos pilares do bom senso. Estou dizendo bom senso, para esquecer o termo jornalismo.

Não é correto, não é digno, não é justo, não é verdadeiro, você utilizar-se de uma outra voz, de um outro texto, de um outro escritor para publicar uma matéria na primeira pessoa do singular....

Repito o começo do texto:

"Meu nome é Ceça, sou moradora e coordenadora da ocupação Josué de Castro. Quero que todos saibam da nossa existência e por isso escrevo esse relato.

Na madrugada do dia 20/09/08 juntamente com mais de 80 famílias, invadi e ocupei um terreno abandonado situado na Av. Recife, em Recife/PE, pertencente à empresa de pneus Michelin. Pouco trazíamos, eram só paus, lonas e cordões. O pior é que grande parte do terreno era lama e mato. Só que isso não impediu que montássemos as nossas barracas...."

E por aí segue. A isto EU dou o nome de DESONESTIDADE. O "LEITOR" em um post anterior alegou que era necessário fazer isto para dar mais credibilidade ao texto (ou algo assim, perdoe-me o Leitor se nao tiver transcrito integralmente). Discordo. Acho que a credibilidade cai por terra, exatamente por este motivo. Quando alguém dotado de um mínimo de senso crítico percebe que existe alguém falando pela boca de Ceça fica claro que Ceça não tem a menor importância, que é mera massa de manobra mesmo. Atende a interesses sórdidos partidários e ideológicos serve de linha de frente para uma "guerra" que os verdadeiros autores preferem manter-se por trás, somente puxando as cordinhas. Tenho certeza que mesmo dentro dos movimentos ditos sociais há gente que realmente se importe com Ceça.... mas tenho igual certeza que a maioria acha que Ceça é apenas uma "peça de um jogo maior". Acho isto cretino, cruel, desumano.

Prefiro minha utopia legalista e concreta aos devaneios de quem utiliza dos seres humanos como massa de manobra para a realização de um projeto já provado - absolutamente não factível e que não é do desejo nem da aspiração da maioria da população do meu país.

Prefiro trabalhar dentro da legalidade para mudar a situação das classes mais necessitadas do nosso país do que ficar mexendo gente como se fossem peças. Gente é gente.

Repito. Ceça tem pressa. Não está nem aí para partidos ou ideologias. infelizmente esta é a verdade. E para que ela não diga isto, dão a ela uma voz falsa, um discurso falso, com argumentos falsos, para pavimentar a estrada rumo ao impossível.

Para você que Ceça se f*** para mim não. Desculpe.


Chamado de uma ocupante da Josué de Castro
Renata de Olioveira Marques Maia 26/02/2010 16:18

Tipo se o governo achja tão ruim assim as passoas invardirem esses locais porque o governo não controi um conjunto de casas para eles morarem??
E outra coisa tambem o terreno estava desocupado era da Michelin mais eles não estavam ultilizando aquele terreno. E se eles não tivessem entrado e começado a morar lá onde eles iriam morar??
Porque na verdade o governo não se importa eles só falam em fazer alguma coisa quando eles estão precisando de votos ou alguma coisa assim !

Renata Maia 9 D


Propriedade privada é LIBERDADE!!!
MK-ULTRA 14/07/2010 21:53

QUEM INVADE TERRAS DOS OUTROS SEM PERMISSÃO É BANDIDO E VAGABUNDO. COMUNISTA PIOR AINDA.!!!