Baquedano também fala sobre a organização da Frente e que o movimento continuará lutando por uma assembleia nacional constituinte. Em seu comunicado 43, a Frente declara que: "reitera a sua decisão de desconhecer o regime de Porfírio Lobo, por considerá-lo a continuação da ditadura imposta pela oligarquia através do golpe de Estado em 28 de Junho. Por isso, declaramos que a Resistência não autorizou qualquer um dos seus membros a aderir a qualquer um dos poderes do novo governo, nem irá participar do falso diálogo que os golpistas estão propondo para validar o Plano Nacional, que é a continuação da fracassado modelo neoliberal e um meio de manter os privilégios da classe minoritária que usurpou o poder."

Baquedano conta que a Frente já está encaminhando os casos de violações de direitos humanos cometidos desde o golpe de Estado para a corte internacional: "Neste momento nós temos mais de 40 companheiros que foram assassinados. Assassinos que ficaram impunes. Que por mais esforço que fizemos do ponto de vista legal, tem sido difícil que a justiça seja feita no nosso país porque todos estão corrompidos: a Corte Suprema de Justiça e o resto das organizações que são do Estado estão corrompidas. Foram feitas mais de 11.000 detenções ilegais, houve tortura, foram cometidas violações à muitas companheiras que fazem parte da Resistência."

Brasil, EUA e Honduras

O governo brasileiro até agora vem demonstrando solidariedade ao povo hondurenho e mantém a sua postura de não reconhecer as eleições e o novo governo de Porfírio Lobo. Entretanto, na primeira semana de Fevereiro, o americano Thomas Shannon assumiu o posto de embaixador dos EUA no Brasil. E já no seu primeiro encontro com o presidente Lula "sugeriu" que o governo brasileiro reconhecesse o novo governo de Honduras.

Thomas Shannon é acusado pela Frente Nacional de Resistência Popular de ter colaborado com o golpe em Honduras. Baquedano fala na entrevista ao CMI Brasil que: "o embaixador Hugo Llorens, que está em Tegucigalpa, coordenou a expulsão do presidente Zelaya do poder. Apoiado pelos tristemente célebres Thomas Shannon e John DeMint, estes foram os impulsionadores deste golpe de estado. Os EUA financiou, apoiou, armou e treinou o exército hondurenho. Este exército que deu o golpe, este exército que vem agredindo, reprimindo o povo hondurenho."

Thomas Shannon teve a confirmação do seu novo posto como embaixador adiada. Um dos fatores desta demora foi a pressão feita pelo senador republicano John DeMint, o senador disse que retiraria o bloqueio contra a nomeação de Thomas Shannon se os EUA reconhecessem e apoiassem as eleições em Honduras em Novembro de 2009. E não precisou muito esforço para que o então Assistente da Secretária do Estado, Thomas Shanon, fizesse uma declaração pública pouco antes das eleições em Honduras dizendo que os EUA iria reconhecer as eleições mesmo se o governo golpista não cumprisse com o acordo de retornar Zelaya ao poder antes das eleições.