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Violência policial no carnaval de rua de Goiânia
Por ABUSO DE AUTORIDADE 20/02/2010 às 00:02

Na última sexta-feira, 12/02, os foliões que participavam do carnaval de rua de Goiânia, na Avenida Araguaia, foram agredidos e alguns acabaram presos pela Polícia Militar.

Tudo começou quando os Pms, logo após o termino dos shows, iniciaram o uso de uma brutal estratégia de dispersão das pessoas, com uso de cavalaria, spray de pimenta e muitas cacetadas, como se as pessoas não tivessem mais o direito de ir e vir, ou de permanecerem onde estavam, caso desejassem. A justificativa apresentada pela PM para as agressões foi a de que um policial foi atingido por um copo de cerveja, o que, caso tivesse ocorrido ainda assim não justificaria uma reação tão desproporcional. No TCO, onde os policiais aparecem como vítimas, há um relato inverídico, dizendo que as pessoas estavam subindo o palco, o que teria motivado o arrastão policial, fato este que não ocorreu.

Leia os relatos de algumas pessoas presentes e manifestações de indignação::
Carta de Descontentamento Pelas ações da Polícia Militar do Estado de Goiás | Violência policial no Carnaval de Goiânia 2010 | Querem o fim do carnaval em Goiânia? | Parece mentira (sobre o espacamento de foliões pela PM de Goiás) | Quem tem medo de gente nas ruas? | Violência no Carnaval de Rua de Goiânia | Violência no Carnaval de Rua de Goiânia

Imagens Violência Policial em Goiânia

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Comentários


Polícia para quem precisa quem precisa de polícia
Um país desse não tem futuro 20/02/2010 10:38

A polícia goiana é que tá precisando de polícia.


Relato Completo - CARNAVAL GOIANIA 2010
L.c. 26/02/2010 12:53
leonardo@orbi3d.com.br

Senhores(as)

É com muita tristeza que relato este fato...

Meu Nome é L.C. residente em Goiânia 06 (seis) anos, normalmente não saio de casa, trabalho em média 12 horas e estudo diariamente. Leio bastante, já rodei o país, principalmente região sudeste. Mas há muito tempo ?e este muito tempo é desde quando nasci? não faço presença a um fato tão chocante e tão truculento. Vai abaixo meu relato de um cidadão que cumpre com todas suas obrigações. Não pude deixar de relatar de uma forma clara a todos. Só pra ficar mais claro meu relato, sou uma pessoa que não faço consumo de bebida alcoólica e infelizmente ou felizmente (vai saber) consegui visualizar tudo do início ao fim.

Dia 12 de Fevereiro 2010 ?não foi o mesmo?
Sexta ? Feira, dia normal, início de carnaval decidido a ficar na cidade por motivo de trabalho, acordei as 06:10 da manhã, conforme costume, levantei fiz café, levei minha mulher ao trabalho, retornei, tomei café da manhã, fui para o trabalho e trabalhei até as 20:15. Conforme folha de ponto da empresa, retornei para casa, ao chegar encontrei com minha esposa, conversamos queixamos de cansaço, minha esposa pergunta se estamos a fim de ir ao carnaval de Goiânia. Informo que não, pois tenho que acordar cedo pra elaborar um planejamento da empresa em que trabalho, quando um amigo de nome I., membro do Grupo V.S. , que desenvolve também trabalho social com crianças carentes de Goiânia, Go. telefona convidando eu e minha esposa para irmos até Av. Araguaia, no Carnaval de blocos da cidade, onde ele iria se apresentar. Logo perguntei a minha esposa e ela se animou. Animou tanto que ligou para uma amiga dela de nome O., casada com senhor G. e os chamou também para irem conosco ao carnaval de blocos de Goiânia, Todos nós inclusive eu, cansado, nos animamos. Pegamos o carro e nos deslocamos até o local do carnaval de blocos. Ao chegar lá descemos, tinha uma barreira policial com aquelas barras de ferro de proteção, passamos por elas, descemos pela lateral esquerda onde também as mesmas barras de ferro dividiam a via de trânsito do calçamento, lembrando que o trânsito estava impedido nesse circuito. Só que ao chegar lá observamos que estava totalmente vazio, e comentamos a possibilidade de o pessoal da organização não ter divulgado o evento. Até brincamos que seria o carnaval da policia, pois só tinha policia, e que seria perfeito, pois eu imaginava que ali era perigoso, porém a segurança estava beleza.
Começa o desfile dos blocos onde passa um pessoal com a bateria, que na minha cidade tem o nome de charanga, todos tocando, logo atrás uns blocos, e o que mais fiquei contente foi a quantidade de crianças que estavam ali no evento, todos correndo atrás do boi, e boi corre atrás de criança, e aquele som todo, até comecei a dançar, digo entrei na festa .
Terminado o desfile um pessoal subiu a palco, falou algumas coisas, agradeceu presença de todos, e logo depois que começaram os shows, o amigo que me convidou tocou, e outros conhecidos também. Quando eles desceram do palco, apresentamos todos aos nossos amigos O. e G. que já conheciam alguns, e virou aquela festa, toda todo mundo batendo papo. Encontro com um amigo de nome T. P. e ele convida todos os artistas que ali apresentavam para irem para sua casa pois não era bom ficar na rua tocando. Todos combinam aquela coisa toda, ele explica endereço, quando de repente a cavalaria da policia militar que estava alocada abaixo das árvores do lado direito de quem olha pro palco. (Até por um momento no show fui observar o tanto que os cavalos estão bem cuidados. Digo isto pois nasci numa roça e andei e cuidei de cavalos por anos da minha vida)
Esses cavalos que estavam do lado direito se deslocaram para a frente do palco.Achei aquilo estranho, pois havia muito pouco tempo, um s 10 minutos, que os artistas haviam descido do palco e estavam ali conversando, combinando de ir a casa do T. P., quem iria levar os instrumentos coisa e tal. Os cavalos passaram no meio deles. Eu olhando e pensando - Gente, porque os caras não pedem licença, não afastam as pessoas, pois é perigoso um dos cavalos dar um coice em alguém, ainda mais que tem uma porção enorme de crianças ... Os cavalos, aproximadamente uns oito ou mais, se posicionam em frente ao palco, quando sai lá de trás um cidadão com um colete escuro, alto, branco, forte, maxilar bem definido, vestido de policial militar gritando ? ?Vamos todos sair daqui pois temos que fazer a dispersão.? Nesse momento deveria ser 00:25 h. no máximo, eu vendo e observando aquilo fiquei sem entender, quando de repente este mesmo cidadão, alto, branco, forte, maxilar bem difinido, colete escuro, sem identificação, vestido de policial militar, a dois metros de mim, na minha frente grita com alguém _?Quem é filha da puta aí, rapaz?? Portando um gás de pimenta, joga no meio de umas 20 pessoas. Quando vi aquilo não acreditei, mas logo veio aquela impossibilidade de enxergar e minha preocupação naquele momento era onde estaria minha esposa e meus amigos que ali se encontravam. Nisso eu visualizo, com certa dificuldade, minha esposa e a amiga dela do meu lado esquerdo, a uns três metros aproximadamente, e na sequencia, uma pessoa de porte baixo, gordo também, vestido de policial militar, montado num cavalo (daqueles que anteriormente eu tinha observado conforme relato) indo em cima da minha mulher e da amiga dela. Quando digo em cima, aqui nesta situação, é o cavalo num ponto em que peito ficava no máximo a 30 centímetros de minha mulher e sua amiga, que diante de tamanho absurdo diziam que aquilo não poderia ser feito. O cidadão baixo, gordo montado no cavalo dá mais um jato de spray de pimenta sobre nós. Fiquei uns 30 segundos sem enxergar e ao mesmo tempo tentando enxergar a esposa e os amigos, quando consegui pegá-la juntamente com uma outra pessoa de nome G. e saí puxando para a direção oposta ao palco minha esposa, pois naquele momento ela ainda queria dialogar com as pessoas vestidas de policia militar. Nesse momento ao ver também um amigo, T. V., que se encontrava de cabeça baixa creio que também impossibilitado de enxergar, falei ao casal que me esperasse ali pois iria puxar também o citado amigo. Tentei aproximar do mesmo, mas não tive mais condição pois havia nesse momento entre nós, vários cavalos e mais uma porção de pessoas vestidas de policia militar. Pelo menos uns cinco se juntaram nele.
Caminhei de volta em direção a minha esposa quando e ao amigo G. Ao lado direito vejo uma outra pessoa, mulher, E. minha conhecida? debaixo de um cavalo. Quando digo debaixo, é o cavalo em pé com as quatro patas no chão e ela deitada, com as patas do cavalos passando a poucos milímetros da sua cabeça. Mesmo correndo risco do animal esmagá-la o policial cada vez mais jogava-o para cima dela. Visualizei em seguida essa mesma pessoa dar-lhe uma espadada. Na concepção de qualquer pessoa lúcida, tal atitude só podia ser para matar, pois além dos riscos que a agressão com o cavalo oferecia, o cidadão, não satisfeito a agrediu com o braço/espada. Para se ter noção da dimensão da covardia, quero registrar aqui que a citada vítima, além de mulher, deve medir menos de 1,60m e não pesa mais que 45 quilos.
Saí andando rápido, dizendo calma, calma, pessoal, olho pro outro lado e vejo o senhor R. um amigo, com as mãos para cima também repetindo a mesma coisa ?calma, gente?, quando o mesmo cidadão , alto, branco, forte, maxilar bem difinido, colete escuro, sem identificação, vestido de policial militar chegou próximo a ele e deu mais um jato a menos de meio metro e aproveitando a impossibilidade do R. enxergar, deu-lhe uma pancada na cabeça. Quando isso ocorreu, o senhor T. que também acabara de tomar uma espadada, e uma outra pessoa de nome L. partiram para retirar a moça E. dali. Assisti o espancamento dos dois e a namorada de um deles, L. tomar um jato direto de spray no rosto e receber muitas pancadas de cassetete, mesmo estando no chão e com cavalos ainda em cima. Saliento que a todo momento desde o inicio eu e mais vários amigos só repetíamos ?CALMA GENTE ? QUE ABSURDO? .
Correndo pelas vias conseguimos chegar na segunda barreira policial ?entrada do evento?. Os policiais que ali se encontravam não estavam sabendo do ocorrido, e então nós, mais de 30 pessoas, todas indignadas com tamanha violência, contamos a esses policiais o que estava ocorrendo. Os mesmos riram e continuaram no mesmo local. Peguei minha esposa nesse momento bem chateada, peguei J., peguei G. e os entreguei a um amigo de nome A. para que ficasse com eles , pois eu iria retornar pra ver o restante do pessoal. Quando me desloco da esquina após a barreira de entrada vejo duas pessoas vestidas de Policia Militar do Estado de Goiás correndo atrás de um homem e uma mulher não conhecidos meus, cada um com uma câmera na mão. Ao pegar essas pessoas eles literalmente bateram muito neles e recolheram suas câmeras. Nesse momento chega o senhor G. e ao discutir e alegar gritando que eles não poderiam fazer aquilo, recolheram ele também. Logo chegou sua mulher de nome O., e ao pedir que não batessem em seu marido, levaram-no para a parte de traz de uma viatura se não me engano L0262, onde lá ele realmente apanhou muito, mas muito mesmo, o que foi visualizado por todos, inclusive sua mulher, que ficou totalmente abalada. Uma outra pessoa que estava ao nosso lado vestida também de policial militar do estado de Goiás, sorriu e disse -?Não se preocupe, não vamos matá-lo dessa vez?..
Após a sessão de espancamento do senhor G. começaram a sair dali várias viaturas, rumo ao 1º DP, e ao mesmo tempo chegaram mais viaturas, sendo que quase todos os motoristas das mesmas estavam efetuando direção altamente perigosa.
Resumindo - Quem não fez nada foi preso, os que tentaram dialogar com a policia foram os que mais apanharam, e este meu amigo de nome Z, que inclusive me convidou para assistir o espetáculo, só foi detido pois se encontrava do lado do palco, uma vez que tinha acabado de se apresentar e descer do palco.
Fica aqui minha indignação e tristeza já que nossas autoridades trabalham de uma forma totalmente incoerente. Quero que fique claro que tudo o que fizeram foi SEM MOTIVO ALGUM
É, BRASIL, AÍ NÃO DÁ.
DÓI, NO CORAÇÃO, MAS DEIXAR DE REINVIDICAR E SER BRASILEIRO, J a m a i s

L.C. Goiânia 19 Fevereiro 2010


Violência policial no carnaval de rua de goiânia
Thais 26/02/2010 15:26

jogar um copo de cerveja no policial não significa que os policiais tem o direito de jogar spray de pimentas nos foliões de goiânia e muito menos de dar cacetas nelas.
E ainda os agressores policiais são dadas como vitimas no Termo Circunstanciado de Ocorrência relando que os foliões estavam subindo no palco justificando o motivo do arrastão policial e da agressão policial fato que não aconteceu na minha opinião isto prova que quem ta precisando de policia ela mesmo este pais esta cheio de injustiça.

Violência policial no carnavalde rua de goiânia

www.midiaindependente.com


Renata de Oliveira Marques Maia
Renata de Olioveira Marques Maia 26/02/2010 16:06

Eu acho uma total falta de respeito oque os PMS fizerão com eles ! Porque tem policial que pensa que só porque é policial pode chegar batendo e fazendo oque quiser...
Eu na verdade sou contra o Carnaval odeio mesmo. Mais isso não é motivo pra fazer oque os PMS fizerão. Na minha opinião policiais que fizerão isso deveriam ser punidos ou até presos...


Renata 9 ano D .


Violencia sem motivo...
Hayra 9D 26/02/2010 16:10
Hayra-Priincesah@hotmail.com

Bom,pelo meu ponto de vista, eu acho sim que os PMS foram errados,em ter agredido tantas pessoas,por "alguem" Ter derramado ou mesmo jogado um copo de cerveja em um dos PMS.Nao acho certo em nenhum momento ter tanta violencia por pouco coisa!E os PMS foram mais errado ainda por ter agredido TODOS,ao invez de so um deles,mais mesmo assim nao seria motivo para tanta violencia!Os PMS de hoje em dia,acham que eles podem sair jogando spray de pimenta em todo mundo,fazer um tirotei aonde existem pessoas inocentes,enfim foi muito triste oque aconteceu. eu acho que as pessoas que fazem isso devem ser punidas severamente com prisao para que essas pesoas tambem possam sofrer.


Violencia policial no carnaval de rua de Goiãnia
Ana Paula Pinheiro de Sousa 26/02/2010 16:11

Eu achei uma atitude muito errada que nem explicação conseguiram dar,por causa de um copo de cerveja não presisava ter tomado aquela atitude e eu acho que não foi isso que aconteceu,eu acho que eles deram essa deculpa para cobrir o erro deles.


Violência policial no carnaval de rua de Goiânia
JAIR NETO 9° ANO D 26/02/2010 16:16

esses prefeitos tem que colocar policias que defenda a patria e nao que agridao os cidadoes que sao inosentes e nao façam nada e isso que eu acho vlw e xau


Violencia Policial no carnaval de Goiania
Jessica Barbosa Silva 26/02/2010 16:16

SABE PORQUE SE CHAMA CARNAVAL NA RUA DE GOIANIA?
eu sei.
E porque esses policiais sao todos uns vagabundos eles acha que so porque eles sao policiais eles podem mandar em tudo.
Esses policiais a unica atitude deles pra poder ir na violencia e so se eles estiverem certos mais do mesmo jeito eles nao pode agir dessa maneira e CRIME. A atitude deles foi INRRACIONAL eles nao tem direito de sair batendo e todo mundo assim eles acham que sao o que,eles tambem sao ser humanos igual a nos.
Sera porque eles tem que agir dessa maneira sendo que os pobres coitados nem fez nada com eles.
Se ouvesse briga ai sim eles poderiam partir pra violencia mais parti so pra separar a briga.


violencia policial
lara jackeline 26/02/2010 16:18

joga um copo de cerveja em um policial não significa que os policiais tem o direito de jogar spray de pimentas nas pessoas e nos foliões de goiânia e muito menos de dar cacetas neles.
E ainda os agressores policiais são dadas como vitimas
em qualquer pessoa , eles tinham q bater em quem tivesse errado pq muitas apanhao por nada sem dever
algumas vao para curtir o carnaval e sao agredidar por poliacias.


Violência policial no carnaval de goiania
Kaio César - 9°D 26/02/2010 16:56

"Eu acho que todos os policiais, não só de Goiânia mas de todo o Brasil, acham que tem o poder de bater nas pessoas, que, pra eles, são marginais. Eles querem mostrar o poder que tem, e quando o povo se revolta com essa violência, eles inventam a desculpa de que o povo os agrediram. Isso é uma falta de respeito, pois, eles deveriam nos dar segurança, e não medo!"


O abuso de autoridade nos tempos atuais
Barbara 9 D 26/02/2010 17:06

PELO FATO OCORRIDO PODEMOS VER QUE NOS DIAS ATUAIS ABUSA MUINTO DE SUA AUTORIDADE E COM ISSO A POPULAÇÃO ACABA PERDENDO A CONFIAÇA NAS AUTORIDADES.


Prática cotidiana no Brasil!!
diversas entidades 11/03/2010 16:30

MOÇÃO DE REPÚDIO À INVASÃO DE ÁREA DE FUNDO DE PASTO POR MAGISTRADO

? Estou cagando e andando para a convenção internacional? (Dr. Eduardo Padilha, Juiz de Direito em Casa Nova, Bahia).

Sexta-feira, dia 5 de março de 2010, a área de fundo de pasto conhecida como Areia Grande foi invadida por pessoas que ocupavam dois carros. A porteira de entrada foi arrombada, tendo sido parcialmente destruída, bem como a casa que tinha servido de moradia a José Campos Braga, conhecido como Zé de Antero, lavrador assassinado em janeiro de 2009, em razão do conflito fundiário instalado na região entre os moradores das comunidades e grileiros de terra.

A INVASÃO gerou apreensão e instabilidade entre os moradores de Salina da Brinca, Jurema, Melancia e Riacho Grande. Os moradores prestaram queixa junto à delegacia local informando o ocorrido.

A Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR), a Comissão Pastoral da Terra/Juazeiro (CPT), o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Agrícolas, Agroindustriais e Agropecuárias dos municípios de Juazeiro, Curaçá, Casa Nova, Sobradinho, Sento Sé (SINTAGRO-BA), e um representante das associações de fundo de pasto se dirigiram ao Fórum local para informar o fato ao Juiz de Direito, Dr. Eduardo Padilha, e pedir providências quanto ao mesmo tendo em vista à tensão gerada.

Surpreendentemente, em conversa com o magistrado, descobriram que se tratava de uma ação orquestrada pelo próprio, em companhia do Promotor de Justiça da comarca, Dr. Sebastião Coelho, de policiais militares, do oficial de Justiça Alberto Rocha, conhecido como Feijão, e de Gileno de Andrade Almeida, que o Juiz informou se tratar de seu segurança pessoal. Sobre Gileno, cabe informar que o mesmo se identifica enquanto representante e sócio dos grileiros.

O motivo de tal invasão, segundo o Juiz, seria a realização de nova inspeção judicial na área. Frise-se que uma inspeção judicial havia sido realizada no dia 19 de fevereiro de 2010, que contou com a participação de um servidor público da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), da AATR, da CPT, do SINTAGRO, bem como os representantes das Associações de Fundo de Pasto.

Como se não bastasse a invasão e a realização de um ato processual sem comunicação ao Estado da Bahia, autor da ação discriminatória em que a inspeção teve curso, e das associações de fundo de pasto, partes no processo, o Juiz expulsou a CPT, o SINTRAGO e o representante das associações, e permaneceu debatendo com a AATR, apontando o seu ponto de vista sobre a ocupação do território tradicional. Segundo ele, a primeira inspeção foi objeto de um ?engodo, uma enganação, uma maquiagem?, que ?um circo foi armado?. Alegou que o território não possuía ocupação humana e que a quantidade de animais encontrados, segundo ele, menos de 50 bodes, não justificava a extensão da ocupação. O Juiz, ainda, colocou em dúvida o trabalho realizado pela CDA que atestou a ocorrência de grilagem de terras públicas e a ocupação tradicional das famílias, acusando-a de estar em acordo com as associações na suposta ?enganação?.

Como contraponto, a AATR argumentou que a ocupação da área se dá sob o regime de fundo de pasto, o que não implica a ocupação humana permanente e que os animais são criados soltos. A AATR informou também que há uma convenção internacional, ratificada pelo Poder Legislativo, que assegura a proteção de tal forma de ocupação tradicional das terras. Foi nesse momento que o magistrado desdenhou de tal instrumento legal e disse: ?Estou cagando e andando para a Convenção Internacional?.

Diante da argumentação da AATR, o juiz se reconheceu enquanto desconhecedor do regime de fundo de pasto, por nunca ter vivido no campo, mas que, mesmo assim, continuará sustentando o seu entendimento sobre a questão.

Repudiamos a ocorrência de um ato processual que não respeitou o devido processo legal, por contrariar o contraditório e a ampla defesa, o menosprezo do magistrado em relação aos instrumentos normativos de defesa de direitos sociais e em relação à ocupação centenário das comunidades de fundo de pasto.

Pedimos apoio na divulgação desta moção e na luta das comunidades tradicionais pela permanência em seus territórios.


Casa Nova, 11 de março de 2010.


União das Associações de Fundo de Pasto de Casa Nova (UNASF)

Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR)

Comissão Pastoral da Terra/ Diocese de Juazeiro (CPT)

SINTRAGRO-BA

Articulação do Semi-árido/Casa Nova (ASA)

Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)

Paróquia São José Operário ? Casa Nova