Há uma novela que está passando na Rede Globo que a belíssima ex paquita Letícia Spiller vive o papel de Betina, uma mulher casada que cansou de ser posta em segundo plano pelo marido e numa destas idas e vindas da vida, tão comum na vida de tantas pessoas, conheceu um homem que ela rotula como perfeito. A admiração pelo homem se tornou uma ponta de romance quente, que, aliás, promete ser um dos pontos altos da discussão da fábula global.

Mas a final de contas, e aquela promessa do altar de ?ser fiel para sempre? e de estar com o companheiro ?na saúde e na doença?, ?na alegria e na tristeza?, onde foi estacionar estes termos milenares? ? Pelo visto, atrás da porta!

Eu sou o maior defensor do relacionamento a dois; sou casado pela segunda vez há oito anos e jamais pretendi viver um conto de fadas com minha consorte atual, mas acima de qualquer circunstância, temos dignidade e honra em nosso compromisso conjugal. Sempre que posso eu cito, pra quem quer que seja; que um consórcio matrimonial deve iniciar e acaso tenha que encerrar que o seja com dignidade, compostura e excelência.

Não há a menor necessidade de mentiras e ilusões serem postas como volume para o complemento de um casal; quando aleives e quimeras são colocados na base de qualquer relacionamento, seja ele amigável ou matrimonial, não há que se esperar qualquer sinecura para o futuro. O filósofo e poeta libanês Gibran Khalil Gibran disse que ?a neve e a tempestade destroem as flores, mas nada pode contra a semente?; isso na relação ao casamento e as relações sociais, significa que tudo que começa errado aspira a terminar errado.

Tão comum quanto às mulheres casadas que buscam sexo sigiloso são os homens casados que fazem o mesmo trajeto; se observarmos bem a linha histórica, é mais comum este tipo de comportamento quando vindo do homem do que com a mulher, mas como se era de esperar, a única biografia questionada é a da mulher; isso porque o homem, também ao longo da história, é conhecido como ?caçador?; pecadora é a mulher que busca outro homem!

O papel feminino mudou radicalmente nas últimas décadas, mas ainda se observa que ela trabalha ?duro? e tem que dar conta dos afazeres domésticos, cuida dos filhos e ainda necessita saciar a sede de sexo de seus maridos atenienses; o homem trabalha duro e quer ser o totem do lar; ele espera sempre que sua esposa só lhe tenha olhos e seja cega diante da heterogeneidade do universo competitivo.

O homem está mal acostumado a ter tudo aos seus pés, principalmente à mulher; a figura da esposa é apenas um plano singular na vida do homem arcaico; ele necessita mesmo é de uma mulher que lhe sirva como escrava; que esteja sempre apta e pronta para atender e saciar todos os seus desejos!

Esqueceu-se de perguntar se é isso que a mulher de fato deseja; se é isso que ela quer para sua vida e se em seus planos há uma lacuna desta natureza para que haja balizamento de seus planos. Muitas destas mulheres atuais querem ser submissas sim; elas desejam a velha permanência do domínio masculino em troca daquilo que chamam de segurança e conforto, mas a maioria das mulheres modernas já não quer somente isso; elas querem muito alem do que o homem machista lhe dá e buscam dentro e fora de casa esta mudança moderna.

O homem que almeja somente o seu desejo, esquecendo que sua parceira também sente desejo, pode perder a consorte ou a namorada para o primeiro sujeito que tente vender a sua imagem de bom moço; isso é fato! Vizinhos, colegas de trabalho, colegas de faculdade ou academias ou até mesmo aquele cidadão que todas encontram no supermercado pode ser um agravante a mais na vida do casal cansado e cotidiano.

A mulher quando se envolve, sempre ocorre após alguns encontros naturais; primeiro ela passa a conhecer a pessoa e durante o processo de conhecimento, explora-se o lado do desejo; ela necessita saber se aquele homem é igual ou diferente ao que ela já possui em casa. Em seguida, com as mais vastas oportunidades de comunicação, se passa a explorar aos poucos o lado sentimental, que normalmente começa com carícias disfarçadas de confissões. Quando menos se espera lá estão os dois no maior envolvimento e é nesta hora que o mundo passa a apresentar alguns estalidos.

Comprovadamente por meios de estudos psiquiátricos, a mulher quando busca o sexo com outra pessoa que não seu marido, ela já está com um nível de comprometimento afetivo maior do que o mensurável; traduz-se, portanto que ela trai quando está apaixonada e raramente para dar o ?troco?, ao contrário do homem que trai por trair ou para que seus amigos achem bonito.

A grande diferença entre o sexo com pessoas alheias ao consórcio matrimonial é que o homem raramente faz questão de acobertar o fato; dá bobeira com ligações telefônicas, recados no celular, e-mails picantes ou encontros escancarados a luz do dia em bares e restaurantes, quando não estão em algum affair motivacional em um motel de luxo; o homem acredita de fato que seu despertar para o sexo com outra pessoa raramente dá em nada, mesmo quando a ?patroa? suspeita ou fica sabendo; é algo meio que impositivo e sem punição!

A mulher reserva-se ao esconderijo de suas próprias intimidades; ela quando está apaixonada por outrem que não seja seu mancebo protetor, raramente conta pra melhor amiga e isso se dá, porque sempre foi pecaminoso por parte da própria mulher. Se o marido sabe de uma desgraça desta, pode dar até em morte. Algumas mais ingênuas escrevem nos velhos diários e hoje em dia, nos blogs anônimos...

Eu me deparei outro dia com um anúncio em uma página de muito respeito na internet; o título foi quem mais me chamou a atenção e eu não pude deixar de ler o artigo: ?Mulher casada e insatisfeita deseja sexo em segredo!?; no relato uma senhora dona de casa, pelo menos é como ela se qualifica no texto, diz ter 40 anos, mãe de três filhos e estar casada há pelo menos duas décadas. Ela, que não revela o nome, diz que se casou com o primeiro namorado firme e que jamais havia tido uma experiência extraconjugal, mas após algumas discussões com o marido, passou a observar a vida por outras janelas.

Ela conta no texto que se produziu mais e fez menos serviços domésticos depois que seu marido a maltratou por ela não ter ?feito? o dever de casa, no que tange ao sexo, numa destas noites tristes de um casal. Depois daquele dia, que foi a gota d?água, a nossa ?do lar? resolveu chutar o pau da barraca e transformou sua vida por inteira.

Finalmente se encantou por um jovem com 10 anos mais moço que ela e passaram a desfrutar de momentos mais afetuosos do que o seu normal; ela ainda desabafa que sempre se sentiu bem com relação ao sexo com seu marido, mas bastou conhecer outro que ?descobriu que sequer conhecia o bêábá?, palavras da doméstica! Viveu bons momentos com seu amante hiper super secreto e decidiu abandoná-lo para viver outras aventuras, isso porque, ela também descobriu que seu amante era limitado; um pouco melhor que seu marido, mas não bom o bastante para aquela nova vida!

No texto ela não pede para que os homens façam sexo com ela; o texto é para adverti-los que os homens devem ser mais cavalheiros, mais gentis e mais homens na cama, perdendo por completo os preconceitos e quebrando os tabus, principalmente aquele que diz que sexo bem feito só em prostíbulos. A ?nossa? querida autora do texto anônimo desabafou e conseguiu; milhares de leitores, inclusive eu, despertando para um tema polêmico e que raramente cessará a oportunidade de discuti-lo.

Mas será mesmo que as mulheres casadas e insatisfeitas com seus maridos desejam fazer sexo com outros homens em segredo? Pensando nisso, cada homem deve primeiro observar se suas ?Helenas? estão insatisfeitas com alguma coisa do casamento; não se conta as insatisfações rotineiras, como o sal a mais ou o açúcar a menos; o que se está discutindo é a qualidade geral da vida a dois; o respeito que ambos devem cultuar; a cumplicidade sexual; a amizade tenra, enfim, o casamento não se faz somente de sexo ou do bom sexo; milhares de outros valores estão incutidos em uma relação amorosa, inclusive o dinheiro; por mais que seja pouco romântico, casamento sem dinheiro raramente se sustenta.

Racionalmente falando o que se busca numa relação é o que raramente se encontra na verdade de um casal; muitas mulheres vêem o casamento pela ótica dos contos fabulosos, onde um príncipe lindo e viril, honesto e cavalheiro, leva sua bela princesa virgem no colo todos os dias de sua vida, até que a morte os separe. Mas como bem sabemos a vida jamais foi e jamais será um conto de fadas; o Príncipe cavalheiro e viril está cada vez mais estressado, sem dinheiro e usando Viagra e a bela Princesa virgem tem botox e carrega na bolsa várias camisinhas. ? O que há de errado nestes novos personagens? ? Nada! A vida é assim mesmo, sem cantos ou encantos; a vida é do jeito que ela é e ponto!

Cabe a você, homem ou mulher, se adaptar aos novos padrões; viver a dois, que é uma arte abstrata e cujas tintas são complexas, merece cada vez mais a atenção de todos os profissionais, para não terminar numa delegacia, necrotério, com traumas psicológicos em crianças ou quem sabe, num esmo anódino da inalterabilidade anosa!

Que estas novas mulheres saibam como pisarem nestes novos palcos da vida e que seus maridos, velhos soldados de Atenas, descubram em menos tempo que a mulher não nasceu somente para o tanque, o fogão e a cama...!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires
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