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Nota de esclarecimento
Por MORADIA 14/04/2010 às 22:57

Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público. A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas. As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.

Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância. Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa.

Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.

Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.

Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas. Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.

Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói Associação de Moradores do Morro do Estado Associação de Moradores do Morro da Chácara Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK) Movimento Direito pra Quem Coletivo do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares

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Comentários


Falta de caráter
fabio 15/04/2010 16:53

Esta gente quer só benesses. Ocupam terrenos, sem escritura nenhuma, irregularmente, e ainda acham que tem alguma dignidade???É muita falta de moral e de caráter.


Está certo isso?
Jose 15/04/2010 17:29
dodecafona.atonal@gmail.com

"a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado"

Não sou nenhum pouco a favor da especulação imobiliária e acredito que a culpa por tantas mortes não seja dos moradores. Acredito que deveria haver um planejamento urbano melhor por parte do governo para que tamanha tragédia pudesse ser evitada. Mas agora vamos colocar os pingos no Is.

A galera invade a mata atlântica, desmata, constroi casas em lugares sabendo do risco de deslizamento e, quanto uma tragédia dessas ocorre, não quer assumir nenhum tipo de responsabilidade? Pô, peraí, ne.


A culpa é de quem?
Luiz 16/04/2010 14:41

Perai, até parece que o povo vai morar em lugares de risco e de forma irregular por que quer. Tão ali por que foi o unico lugar que encontraram para construir suas humildades casas. Garanto se tivessem melhor condições, qualquer um ali preferiria estar sentado em seu apartamento admirando a chuva passar.

E estranho que ninguem fala das mansões que invadem a mata atlantica. Por exemplo aqui em Porto Alegre, existe um morro chamado Morro do Osso aonde vive uma tribo indigena. Ao redor do morro e cada vez avançando mais e mais (de forma irregular) inumeras mansões são construidas. Quando o governo fala alguma coisa, é para culpar os indios que desmatam a mata em suas trilhas, os ricos ninguem nem comenta.

Igualmente na cidade de Santa Cruz aonde o governo fala que vai tomar atitudes contra a construção em lugares irregulares devido a proteção da mata e não dá um pio sobre os condominios de luxo que estão desmatando muito mais.

Enfim, a diferença é que o rico faz por que quer, o pobre já não tem muita opção. Se não o morro, aonde?


Mas claro, é muito facil culpar os outros sentadinhos em suas casas confortaveis...


Sentadinhos em casa
Luiz Cotias 16/04/2010 17:10

Bom, nós também não temos culpa de estarmos sentadinhos em nossas casas confortáveis. O problema é que o direito à cidade é prioritariamente de quem paga impostos. O Estado, com todos os seus problemas e vícios, não tem como garantir segurança para pessoas que querem pertencer à cidade de maneira forçada. Se a culpa é do Estado, vocês concordariam que o Estado não permitisse as construções? E como se dariam essas proibições? Acredito que a frase melhor seria que todos tem direito ao TRABALHO, não importa onde. A cobrança ao Estado deveria ser para a criação de novos postos de trabalho em locais que se possam construir dignamente. Neste sentido, o Estado erra duas vezes. Uma em não proibir as construções ilícitas, outra em não investir em postos de trabalho ao invés de construir obras desnecessárias. O povo que sofreu com os deslizamentos também errou em tentar forçar um espaço que a cidade lhe exclui. Se estou comodamente analisando esta situação "sentadinho" em casa, também foi cômodo construir casas precárias perto de um centro de trabalho como Niterói.


Direitalha podre tem orgasmos com mortes de pobres
VINGADOR 16/04/2010 22:48

Essa direitalha que invadiu o CMI naum tem jeito. Eles naum disfarçam o prazer quase sexual que sentem com as noticias de pobres mortos soterrados no lixo. Mostram bem seu carater torpe, tipico de direitopatas de internet.

Esses oligofrenicos naum entendem que ninguem mora mal porque quer. Acham que saum invasores de terra malvadinhos, nada mais. E direito a cidade todos tem, pois eles, favelados, trabalham e tambem pagam impostos no que consomem, nas contas que pagam, etc.

Esses direitalhas naum me enganam: eles gostam eh de ficar sentadinhos em cima de trolhas em suas casas confortaveis. Eh disso que esses invertebrados gostam.


Fora Direita
Roberta Müller 18/04/2010 00:38

Esses sentadinhos em casa..
Meus queridos de direita, eles não escolheram esses lugares porque "ficam perto do trabalho", ou porque estão afim de desmatar, ou por qualquer outra bobagem que foi falada nesses comentários imbecis.
A direita insiste em dizer que culpados são dos pobres moradores, "que, mesmo sabendo dos riscos, escolheram as áreas de risco para instalarem suas residências". A direita esquece que é dever do poder público dar assistência à essas famílias, que prejudicadas pela má distribuição de renda no país, pelo imperialismo e o capitalismo, não têm condições de se instalar em bonitos prédios, longe dos deslizamentos. Eles (não por vontade) não podem ver a água passar de suas janelas, eles foram obrigados a ser parte desta tragédia, ver a terra tão suada, onde com muito esforço conseguiram construir suas casas, cair em suas cabeças, matando seus parentes e levando todos os bens que adquiriram ao longa da vida. Vida essa diferente do senhor prefeito de Niterói, que no dia seguinte à tragédia no Morro do Bumba acordava ao meio dia..


Construção de uma tragédia
Reinaldo Azevedo 19/04/2010 16:54

No Brasil, país livre de tsunamis, vendavais, vulcões e terremotos, a natureza não mata em massa. O que mata no Brasil é o populismo. As centenas de mortos que o Rio de Janeiro chora não foram vítimas das tempestades recordes que se abateram sobre a cidade. Foram vítimas da irresponsabilidade oficial, da demagogia de gerações de políticos e governantes que abriram picadas nas encostas instáveis da temerária topografia do Rio de Janeiro e de Niterói para ali instalar seus currais eleitorais.

Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra que a ocupação das favelas cariocas aumentou em um ritmo 270% maior do que o crescimento populacional da cidade. Esse número é em si uma evidência eloquente de que as pessoas mais pobres não foram se encarapitar nos morros em consequência do empuxo demográfico natural ou pela simples incúria na aplicação das leis de ocupação do solo. Não. Elas foram correr risco de vida nos morros como resultado de uma criminosa ?indústria da favelização?. Essa satânica estratégia política foi levada ao paroxismo nos anos 80 pelo governador Leonel Brizola e seu vice, Darcy Ribeiro, autor da tese, repetida com gosto pelos populistas, de que ?favela não é problema, é solução?. Para os mortos do Rio houve apenas a ?solução final? sob os escombros. Brizola, morto em 2004, chegou a proibir a entrada da polícia nas favelas, entregando poder total aos traficantes e a seus braços políticos, os cabos eleitorais.

Aqueles mananciais cativos de votos são açoitados sazonalmente pelas chuvas com danos humanos e materiais variáveis. Mas raramente isso tem resultado em tragédias de proporções dantescas como a da semana passada. O horror será suficiente para fazer reverter a indústria da favelização? Com a palavra a bancada de vereadores e deputados que continua empenhada em inchar as áreas de onde tira seus votos e em barrar qualquer tentativa de remoção dos favelados das áreas de risco. Um documentário colocado na internet (www.youtube.com/watch?v=QPGbzhOtHeg) celebra um Rio de Janeiro espetacular nos anos 30. As imagens funcionam como um sopro de esperança de que, com a racionalidade dos governantes e a vigilância dos eleitores, a antiga exuberância possa ser revivida.


cade.....
Marcelo Persio 26/04/2010 20:06
marcelopersio@hotmail.com

Pergunto eu ?!?!?
Onde estará Sérgio Cabral neste momento......ah sim fazendo corrida pelos royalties seu unico e mais promissor desejo.
Infelizmente povo é povo (para eles), viva o capitalismo.