ANTECEDENTES:

Antes e depois dos "ataques" de 2006 (maio-julho-setembro), têm sido frequentes ações armadas de assassinos encapuzados não somente contra indivíduos acusados de ligação direta ou indireta com o tráfico: transeuntes, opositores políticos, comerciantes, etc. Em julho de 2009, os mesmos assassinos encapuzados impuseram toque de recolher em algumas regiões da cidade (principalmente no distrito de Guarujá, Vicente de Carvalho). Entre abril e junho de 2009 uma onda de extermínio promovida pelos mesmos encapuzados mata diversas pessoas no bairro Pae-Cará e nas regiões periféricas da Aldeia e Prainha (vicente de Carvalho). Pessoas que são vistas pelos assassinos depois do horário estipulado para o "toque de recolher" são assassinadas.

A população em sua grande maioria sabe que estes grupos de extermínio são compostos por policiais disfarçados, muitos agem como "free-lancers" a mando de comerciantes,traficantes e políticos. E recebem apoio de policiais de outras regiões de São Paulo que em dias de folga, juntam-se a eles para compor tais grupos.



22 de fevereiro de 2010: a morte de um acusado de envolvimento no tráfico na favela Chaparral (Vicente de Carvalho), fuzilado em plena luz do dia por elementos mascarados em moto desata uma onda de assassinatos e fechamento de comércios e escolas.Corre a informação de que PCC prometeu contra-ataque.



DO EXTERMINIO NA PRAINHA AO TOQUE DE RECOLHER

Toda a imprensa da região tem sido bastante zelosa em esconder os fatores por detrás do toque de recolher iniciado a partir de 18 de abril. Todos os jornais da região de Santos/Guarujá são direta ou indiretamente ligados a políticos locais e têm o rabo preso com grandes interesses da região. Várias chacinas e massacres na região são sistematicamente silenciados pelos meios de desinformação de massa.

A única coisa que sabem fazer é reproduzir as lamentações hipócritas dos grandes empresários da cidade (principalmente os ligados aos setores de comércio e turismo)sobre acabar com a "violência", com os assaltos e com os moradores de rua. Mas como Guarujá não é só praia (a cidade tem dezenas de favelas),a onda de extermínio nas áreas pobres é desconsiderada.


EXTERMÍNIO NA PRAINHA


Sexta-feira santa (02 de abril): uma onda de assaltos varre a cidade, bem como o distrito de Vicente de Carvalho. Na favela Prainha, um homem acusado de pedofilia (violentou 4 crianças, incluindo a própria fiha)é linchado e morto após ser reconhecido pelas vítimas. Os integrantes do PCC nada fazem para deter o linchamento, nem chegam a intervir.

O tal pedófilo tinha um pequeno problema: era irmão de um PM.

Sábado de aleluia (03 de abril): dezenas de policiais e - mais tarde, quando a noite caiu - elementos encapuzados invadem a favela reclamando o corpo do sujeito que foi linchado. Determinam toque de recolher na Prainha, Aldeia e em algumas ruas do bairro Pae-Cará (tudo em Vicente de Carvalho). Moradores são impedidos de sair ou voltar para suas casas depois das 18hs ou enquanto o cadáver não aparecer.

Diversos moradores são espancados por desobedecerem o toque de recolher. Um voltando da igreja com a filha é barbaramente espancado e a filha gravemente ferida na cabeça com coronhadas. Os espancamentos continuam por toda a semana. Algumas pessoas aparecem mortas.

Semana de 03 a 09 de abril: seguem os espancamentos e agressões...vários moradores não voltam para a favela (ficam nas casas de conhecidos, parentes, etc.), esperando a "situação acalmar", quando acontece exatamente o contrário.

Entre 10-11 de abril uma cabeça é encontrada na Avenida Cônego Domênico Rangoni (antiga Piaçaguera, ligação entre Guarujá e o sistema Anchieta-Imigrantes): a cabeça sem os olhos é do acusado de pedofilia, morto uma semana antes. A coisa sem dúvida não foi obra dos moradores da Prainha, certamente houve envolvimento de gente ligada ao PCC, cujo lucro com tráfico estava sendo prejudicado pelo toque de recolher imposto pelos mascarados.

11-12 de abril: alucinados pela provocação e querendo desforrar o episódio da cabeça na estrada, encapuzados e policiais entram em massa nas comunidades Aldeia e Prainha, desta vez exigindo além do que sobrou do cadáver as crianças por ele violentadas e os familiares destas crianças. Uma mãe foge com duas delas da favela entre no mesmo dia(não é só no Iraque que existem refugiados).

Começa uma onda de extermínio que vai se estender por toda a semana, com uma média de 1 a 2 mortos por dia (números considerados moderados para os padrões da região). Os encapuzados aproveitam para exterminar pessoas com ou sem ligação com o acontecimento (ex: desafetos pessoais).

Durante toda a semana (principalmente 13 abril, quando novo toque de recolher é decretado em metade de Vicente de Carvalho, fechando escolas e comércios), aumentam os assassinatos na área da Prainha. Em 13 de abril grandes efetivos policiais são deslocados e um suposto protesto de moradores contra o toque de recolher nas imediações da Avenida Santos Dumont é dispersado por 4 viaturas policiais e 1 caminhão dos bombeiros (objetos foram queimados na avenida).

Enquanto isso,a imprensa mantém silêncio absoluto, ajudando a ocultar os cadáveres.

No início da semana uma jovem é morta dentro de casa ("bala perdida", dizem os policiais), nos dias seguintes várias outras pessoas são mortas (incluindo um idoso que estava fora de casa no horário do "toque de recolher"). Os encapuzados continuam exigindo as crianças e seus familiares.

Moradores das comunidades em idade escolar faltam em massa às aulas. As escolas são forçadas a dispensar os estudantes.

Entre 14 e 16 de abril: duas pessoas são fuziladas nos bairros centrais de Vicente de Carvalho pelos mesmos encapuzados, enquanto o "toque de recolher" se espalha para outros bairros. Uma delas é acusada de ter supostos membros do PCC na família (que estão foragidos depois dos funerais). Corre a informação de que os líderes do tráfico vingariam este morto.

18 de abril: o policial Paulo Raphael Ferreira Pires (vulgo "Raphael doido" famoso pela truculência e pelo abuso de autoridade) é fuzilado com mais de 10 tiros na principal avenida de Vicente de Carvalho. Nas horas seguintes, mais 3 pessoas são mortas em represália feita pelos encapuzados. O toque de recolher se generaliza por toda a cidade. As ruas são esvaziadas e os estabelecimentos fechados às pressas.

A imprensa até aqui só fala da morte do PM.

19 de abril: 10 pessoas são executadas só nas áreas centrais de Vicente de Carvalho. A mídia "some" com 5 das mortes. Execuções também em outras regiões e cidades da Baixada (principalmente Santos, São Vicente e Praia Grande - nesta última o cantor de funk Felipe Boladão foi assassinado na quarta-feira...por encapuzados).

A partir das 18hs todos os estabelecimentos são fechados com anúncio de toque de recolher entre 19-21hs e extermínio a partir deste horário.

O incidente repercute na imprensa como "suposto" toque de recolher também anunciado em outras regiões e bairros da baixada santista. Em Santos, 3 mortes.

Muitos são feridos, outros são mortos. O perfil dos atingidos varia: de pessoas voltando do trabalho a transeuntes e pessoas com histórico criminal.

19 de abril: 5 mortes até o início da tarde só em Vicente de Carvalho (entre elas,a de um comerciante), encapuzados atiram até mesmo no meio de avenidas movimentadas em plena luz do dia. Novo toque de recolher, ainda mais violento, é anunciado. Efetivos da ROTA descem da capital e percorrem ameaçadoramente as ruas da cidade. Novas notícias de execuções em Guarujá e em outras cidades da região.

Pessoas ligadas a policiais afirmam que a polícia estaria agendando um grande massacre, um verdadeiro holocausto para o próximo dia das mães (9 de maio). Isto quatro anos depois da "onda de ataques" atribuída ao PCC (naquele ano tudo começou no dia das mães). Também circulam informações de alguns ataques a policiais na grande São Paulo. Mas o incidente de 9 de maio, segundo os inúmeros depoimentos, seria mais localizado, na região de Santos e na linguagem dos PMs será um dia que a baixada "não vai esquecer" (ao que parece, planejam chacinas simultâneas em várias cidades).

Neste período, a imprensa local conta a história pela metade, a partir da "versão oficial", inclusive chegando ao ridículo de negar o toque de recolher quando a cidade inteira estava dentro de casa depois das 19hs ontem. Eram 19 hs, mas parecia 3 da manhã.

Um verdadeiro estado de sítio. Agora, não tem como saber se isto vai se espalhar pela região inteira ou vai ficar uma coisa localizada. Hoje, 21 de abril, aparentemente os incidentes violentos (no centro da cidade) diminuiram.