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| | Grécia: podemos! Por GRÉCIA 11/05/2010 às 19:18 "Os e as que somos e que estamos aqui para inventar a resistência contra a onda de fascismo que nos impõem, necessitamos da solidariedade de cada um e de cada uma, de todos e todas na Europa e no mundo que sejam companheiros e companheiras. Trata-se da nossa vida, da nossa dignidade, da vossa vida e da vossa dignidade". Ninguém, absolutamente ninguém das centenas de milhares dos e das manifestantes que estávamos hoje nas ruas da Grécia sabe como começar a escrever uma notícia sobre o que hoje significa e é para a Grécia tudo isso. Por onde começar? Pelos momentos da manhã em que um rio raivoso de manifestantes percorreu todas as cidades da Grécia? Pelo cerco militar (porque exército aqui são os corpos policiais) que sofre a cidade de Atenas nestes momentos da noite, com a polícia invadindo com toda a sua barbaridade as ruas, as ocupações, os cafés de Exarchia, os locais da juventude, as sedes de grupos políticos, as casas? Pela morte trágica dos três empregados do Banco Marfin, que selou este dia que era tão decisivo para o povo grego (e os outros povos europeus); um dia tão importante porque ao fim a raiva saiu às ruas em manifestações tão multitudinárias que nem no Dezembro de 2008 havia vivido a Grécia? Quiçá, quando se perdem três vidas é justo que isto seja a noticia a destacar. Mas não é justo - e mais que isso: é mesmo imoral - o que desde há algumas horas o governo grego está fazendo e sua polícia, os políticos dos grandes partidos e os seus massivos meios de comunicação estão fazendo, aproveitando-se da trágica morte dos três empregados do Banco Marfin, fazem uma "caça às bruxas", culpando todo um povo que se recusou a aceitar as ordens dos de cima que o condenam a uma vida sem futuro digno e sem esperança. A pergunta "O quê ou quem obrigou os empregados do Banco Marfin a trabalhar enquanto percorria a rua Stadíou uma manifestação multitudinária e raivosa, com a sua ira concentrada nos bancos?", circula na boca de todos e de todas. A resposta é fácil: o mesmo sistema que, amanhã, vai obrigar a todas e todos a baixar a cabeça pelo medo de perder o seu trabalho precário. Muito poderíamos dizer (e já se disse aqui) sobre as condições da morte das três pessoas que a direção do banco proibiu de sair do trabalho deixando-os encerrados num edifício onde não havia saída de emergência e não funcionavam os sistemas de segurança contra incêndios. Neste momento limitamo-nos a traduzir um fragmento do comunicado do Sindicato dos Empregados Bancários que decretou uma greve para amanhã (6 de maio) nos bancos: "...o que ceifou as vidas dos nossos companheiros de trabalho é a consequência trágica das medidas antipopulares que aumentaram a revolta do povo e o protesto de centenas de milhares de trabalhadores. Os responsáveis terão de pagar com toda a severidade. Mas também existem autores morais deste delito... que estão na política do governo, nas ações da polícia e nos Diretórios dos Bancos que chantageiam os empregados e não lhes permitem a participação nas mobilizações e os quais com uma irresponsabilidade incrível nunca tomam as medidas necessárias nas sucursais bancárias que sempre são os objetivos da revolta em todas as marchas obreiras e nas manifestações". Hoje tudo era possível... É impossível que alguém possa fazer retroceder o tempo e regressar aos momentos anteriores às 2h30, em que se deu a conhecer a morte das três pessoas. Mas aqueles momentos existiram. E eram momentos magníficos. E também devemos contá-los. Devemos informar e comunicar a todo o planeta porque hoje na manifestação de Atenas jogou-se o futuro de um povo inteiro. Se não tivesse passado o que se passou, amanhã o Parlamento grego - quem sabe, ninguém o sabe - não ia PODER votar a favor do acordo com o FMI. Tudo estava em aberto hoje: as pessoas caminhavam decididas a cercar o Parlamento, ficar todo o dia e toda a noite nas ruas para pressionar tudo que fizesse falta, estavam decididas a tentar invadir, uma e duas ou três vezes o Parlamento. Era como um gigante adormecido despertasse de repente e nem a repressão nem os gases lacrimogêneos poderiam impedi-lo. Caminhavas pela manifestação e por todos os lados se respirava esta decisão: "não vai passar". Não era um slogan, era uma decisão O slogan "se não podem governar, vão se embora já, vão se fuder", escutava-se de pessoas de quem nem se esperavas e se transmitia como um raio por toda a manifestação levantando uma onda de entusiasmo que somente podes viver quando a multidão nas ruas está em sintonia, como um coração coletivo. LEIA MAIS: LINKS: Carta de um funcionário do banco Marfin Eganatia Bank | BRASIL: PRA GRÉCIA TEM DINHEIRO E PARA OS APOSENTADOS NÃO!? | O que temos honestamente a dizer sobre os acontecimentos de Quarta? | Protestos, confrontos e mortes durante a greve geral na Grécia | Atenas, zona de guerra | Os assassinos "lamentam" suas vítimas | 1 trilhão de dólares na Europa pra salvar os bancos | Atenas vira praça de guerra contra o arroxo econômico europeu | Novos protestos e repressão em Atenas, na Grécia | Polícia fere gravemente um camarada anarquista grego| VÍDEOS: Grécia: Anarquistas 1985 - 1990 Tudo estava em aberto e era possível hoje, porque quem estava nas ruas já sentia que o medo de estar ali já era coisa do passado. E não é pouco isto: já passaram seis meses inteiros que dia a dia, momento a momento, minuto a minuto, nos impregnavam, gota a gota, o medo. Dormíamos cada noite com raiva, com um nó na garganta - porque já conhecíamos a hipocrisia -, e despertávamos com o medo no coração. Porque não conhecíamos o que viria com o amanhecer: íamos amanhecer com os bancos fechados? Com os nossos salários e economias roubados? Com o país em quebra? Não conhecíamos como ia amanhecer o dia para nós. Para cada um e cada uma e para um povo inteiro. E putos de tantas análises sobre os motivos da crise, chateados pelos números dos milhões de milhões de euros, nos despertamos um dia dando-nos conta que nós - os de baixo - íamos pagar a conta dos de cima. Era, e é, tão simples e tão terrível: o FMI e países da União Européia iam emprestar -EMPRESTAR - à Grécia tantos e tantos milhões de euros (140.000.000) a um interesse de 5%. Para a Grécia pagar a sua dívida aos bancos alemães, franceses, ingleses, gregos, espanhóis etc... por um interesse que superava os 7%. E isto tínhamos - teremos - que pagar nós: um povo humilhado a quem utilizam como cobaia para provar no seu corpo o que sobretudo lhes interessa: se podem fazer passar aos povos europeus - com leis e consenso adquirido pelo medo - a flexibilidade e a precariedade no trabalho. Para ganhar mais e mais. Assim, tão simples. E eles, os de cima, acreditavam que já tinham ganhado o jogo. Todavia não sabemos se ganharam, mas as manifestações de hoje na Grécia mostraram - e eles já sabem - que as "ovelhas-cobaias" PODEM desviar-se da sorte que lhes reservam os pastores: a do massacre. Hoje na Grécia tudo está aberto: se a manipulação pela desgraçada perda das três vidas lhes servirá - como querem - para impor, outra vez, o medo e o silêncio a sociedade, é o que veremos nos próximos dias. Nós continuaremos sem conhecer o que nos espera. Mas também conhecemos duas coisas, que as manifestações de hoje as gritaram: somos muitos os e as que não vamos ficar calados, somos muitos os que hoje superamos o medo. E: os e as que somos e que estamos aqui para inventar a resistência contra a onda de fascismo que nos impõem, necessitamos da solidariedade de cada um e de cada uma, de todos e todas na Europa e no mundo que sejam companheiros e companheiras. Trata-se da nossa vida, da nossa dignidade, da vossa vida e da vossa dignidade. Está em jogo o sonho comum: estamos num momento crucial. Vamos construir esse novo mundo? Passa a resposta também pela solidariedade (com o significado da palavra em grego: eu por ti, porque em ti confio e estou pronto para o que for preciso por ti, porque és meu irmão) e a irmandade. Hoje nas ruas sentimos que não somos indivíduos que dormimos e despertamos cada um com a sua raiva e os seus medos. Amanhã necessitamos de todos e de todas nesta luta que será longa... SÓS NÂO PODEMOS! A manifestação em Atenas começou pela manhã, às 11h. Haviam-se convocado quatro concentrações diferentes. O PAME (?Frente? controlada pelo Partido Comunista KKE) em Omonia, os sindicatos oficiais GSSE e ADEDY em Pedío Areos, várias organizações de esquerda e anarquistas e os sindicatos de base no Museu Nacional e na Praça de Victoria, organizações e sindicatos anarquistas. Muito cedo, já desde às 11h30, ficou claro que não iriam existir quatro manifestações diferentes, simplesmente porque era tanta gente que rapidamente as quatro concentrações se haviam unido numa só: desde Omonia até à Praça Victoria não cabia mais nem um alfinete. Com valorizações "mais ou menos", era a maior manifestação que viveu Atenas desde há trinta anos, comparando-a as maiores, as manifestações nos primeiros aniversários da queda da ditadura. A polícia deixou passar em paz os manifestantes do PAME e os dos sindicatos oficiais, mas começou a cercar (literalmente) a manifestação quando desfilavam os sindicatos de base, as organizações de esquerda e do espaço anarquista. Por volta das 13h30 a tensão subiu ao pico porque toda a gente, até a que desfilava com os sindicatos oficiais, estava furiosa e o objetivo da sua raiva era a polícia. Os gases lacrimogêneos transformaram uma vez mais o centro de Atenas num inferno. Mas as pessoas insistiam: vamos ao Parlamento. A manifestação se dispersou uma e outra vez pela repressão, mas a gente não saía e se concentrava outra vez. Por fim formou-se uma concentração que começou a caminhar passando outra vez pela Omonia e pela rua Stadíou. Íamos para o Parlamento quando se deu a conhecer a noticia dos três mortos. Não saiu ninguém. Uma manifestação silenciosa, raivosa - e paralisada - até às 17h quando foi invadida por um exército de motocicletas policiais e um exército de agentes antidistúrbios. Tantos que até os jornalistas dos canais de televisão gritavam que "isto nem nos filmes temos visto, nos atacam a todos por todos os lados, é um exército". E era um exército. Que se espalhou por todo o centro. Proibiram-se de passar as pessoas nas ruas centrais. Proibiu-se. Assim, sem mais nem menos. Tinhas que caminhar como quatro quadras para encontrar uma rua aberta para chegar a sua casa. Apareceu na televisão o primeiro-ministro, esse Giorgos Papandreou para culpar os "desobedientes e a sua violência". Sem deixar de recordar-nos que temos que cumprir as ordens, pois, o seu governo, o FMI e a UE têm como único objetivo "salvar" a Grécia. Todos os demais que não queremos esta "salvação" somos responsáveis - segundo o primeiro-ministro - da morte trágica dos três empregados do Banco Marfin. Segundo o primeiro-ministro, segundo o senhor Samaras (Presidente do Partido da Nova Democracia) e segundo o senhor Bgenopoulos - proprietário do Banco Marfin, o homem que nos últimos anos domina a vida econômica do país, proprietário de bancos, iates e da Olympic Airlines que lhe entregou o Estado grego faz alguns meses... - todos e todas somos culpados e "cúmplices" se não consentimos no que, sobretudo é: a "salvação da pátria". Desculpem se este escrito segue sem a coerência devida. Há momentos em que ninguém sabe por onde começar e onde terminar. Vivemos um desses momentos na Grécia. E necessitamos de vocês. SÓZINHOS E SÓZINHAS NÃO PODEMOS seguir com a esperança que hoje encheu as ruas da Grécia. Desde a Grécia... Atenas, 5 de maio de 2010. Tradução > Liberdade à Solta agência de notícias anarquistas-ana Brisa de outono Como flechas de sombras Os pássaros voltam. Jorge Lescano
>>Adicione um comentário Se em 2009 os acontecimentos que se sucederam na Grécia depois do assassinato policial de um jovem anarquista nos diziam que as revoltas não eram parte do passado na velha Europa, o 2010 nos está dizendo que a guerra de classes segue igualmente vigente como sempre, e que é possível começá-la e a desenvolver aqui, neste mesmo instante. A greve geral selvagem de ontem no país grego evidencia a possibilidade e necessidade que se abre à partir da deslegitimação de uma ordem mundial capitalista, que é a de recuperar a consciência e resgatar o que diz a velha luta de classes. Pois é esta guerra, a que muitos [acadêmicos principalmente] davam por morta, a única capaz de libertar da opressão econômica e social.
O governo grego estava muito consciente do que ia ocorrer se anunciasse o programa de cortes proposto pelo FMI e com o aval da mal cheirosa Zona do Euro, pois o presidente Papandreu sabe bem o nível organizativo e a indignação que existe entre a classe trabalhadora de seu país. Mas parece que não fez mais do que aceitar com boa vontade a chantagem capitalista mundial, ainda sabendo das conseqüências. Ao fim e a cabo as marionetes só obedecem aos estímulos de seus fios, são outros que os movem.
As conseqüências não fizeram mais que começar e uma maioria social avança com força contra a imposição das penúrias que gera o sistema da mercadoria e do pensamento único. A classe trabalhadora grega saiu às ruas massivamente, uma classe que permanece unida com cada um dos novos e velhos sujeitos que a compõem como os imigrantes, os milhares de desempregados ou uma juventude que tem demonstrado com cresce a valentia e o esforço por colocar na rua a guerra social.
Ontem, a classe oprimida organizada de Atenas, Tessalônica e muitas outras cidades gritou, expôs suas reivindicações, desfraldou suas bandeiras e se defendeu com pedras e molotovs porque faz tempo já que perderam o medo, o medo paralisante que mantêm a maioria das pessoas do planeta sob o império do dinheiro. E esta é a única e sincera razão pela qual a Espanha não é a Grécia, tal e como se apressaram hoje a dizer os "agentes sociais" daqui. O medo não desaparece, só mudou de bando, e isso faz do protesto um processo irreversível.
Voltamos a ser milhares
A imprensa e os manifestantes coincidem desta vez em considerar os protestos de ontem os mais numerosos e potentes dos últimos vinte anos. Foram milhares, milhões que abandonaram seus postos de trabalho no comércio, na hotelaria, nos transportes ou na agricultura para irem a rua e participar nas manifestações, que longe de se parecerem aos domesticados passeios que realizam os sindicatos oficiais no Estado espanhol [e festas no Brasil], são uma boa mostra da fúria e da vontade de mudar o atual estado das coisas, onde são os pobres que pagam um alto preço pelos excessos monetários de seu governo.
Foram milhares e estavam organizados. Se mostraram tão convincentes que contagiaram na ilusão de tacar fogo ao Parlamento, para que ao redor do meio-dia se espremiam mais de cem mil trabalhadores que se dispunham a isso. Este simbólico gesto, ainda que por um momento real, é uma mensagem aos milhões de oprimidos do mundo e concretamente seu principal destinatário deve ser a classe trabalhadora da Europa, que diferentemente da Grécia, permanece no mais absoluto silêncio e letargia, ainda encontrando-se em situações muito parecidas, como no nosso caso.
Foram muito longe poderia dizer o presidente. Mas os de baixo, os protagonistas das declarações de hoje, terão que esculpir-lhe neste mesmo instante todo o contrário. Que não acabam mais que ressuscitar uma guerra que tem sido mantida durante décadas no mais profundo abismo, adormecida pela brutalidade do pensamento único e o medo desesperado da maioria.
Quando de noite as principais ruas de Atenas ainda eram pasto para as lhamas, dezenas de detidos eram algemados em suas celas, muitos feridos se lamentavam pela dor e a criminalização se punha em marcha mediante a imprensa internacional. A última hora, La Haine informava a seus leitores de que os regimentos militares das periferias de Atenas se encontravam em alerta máximo, o que leva a pensar que o governo planejava mover as altas esferas da repressão para tentar aplacar a força demonstrada ontem pelos trabalhadores. São as clássicas medidas que qualquer governo poria em marcha diante da radicalidade e decisão mostrada, ainda que sem dúvida seja muito duras as conseqüências que serão sofridas pelos rebeldes gregos, aos que lhes esperam porrada, prisão e censura. E a esta repressão que deverão fazer frente, a mão de ferro que se desprende da luva de seda.
Os trabalhadores gregos, os jovens e os imigrantes têm uma tarefa para realizar mais além do 5 de Maio, dia da greve geral, que é o fortalecimento de suas organizações autônomas e radicais, colocar em funcionamento os mecanismos que faltem para começar a substituir o estado em suas funções e que devolva aos produtores o que é seu e o trabalho por uma sociedade habitável e sustentável de igual direitos e deveres para todos, sob sistemas verdadeiramente democráticos onde a decisão seja gestada por seus próprios implicados. Devem continuar com esta guerra que começaram e que têm por destino uma revolução social. Com sua palavra, e se for necessário com as armas na mão.
Carla del Valle
Espanha - Primavera 2010
Tradução > Juvei
agência de notícias anarquistas
no muro o caracol se derrete nos rabiscos da assinatura prateada
Dalton Trevisan
 | Os assassinos incendiaram o banco e ainda impediram os bombeiros de socorrer os trabalhadores. Não adianta culpar o tal do Estado "burguês". Se não houver cerco militar, mais pessoas inocentes morrerão as mãos destes bandoleiros. A polícia grega tem que agir exatamente para evitar que mais mortes ocorram, inclusive, um Estado de Sítio deveria ser decretado depois daquelas mortes. É o que aconteceu na Argentina no final de 2001 e no ano de 2002. É o momento quando a 'bosta do FMI e do Neoliberalismo atinge o ventilador'. Ou seja, quando essas políticas já fuderam tanto um país que a população se revolta. "Os assassinos incendiaram o banco e ainda impediram os bombeiros de socorrer os trabalhadores." Mas como consegue falar merda esse Salantino, viu! De onde foi que ele tirou isso dessa vez, da Veja, do Jornal Nacional ou foi da sua brilhante cabecinha?  | ?Para todas as pessoas que usam a morte de três seres humanos para dar vazão aos seus discursos de ódio contra anarquistas?
Acabei de ouvir sobre os terríveis eventos e estou chocado. Eu acho que é muito bom que o [Blog] After the Greek Riots honre os três mortos e publique a retratação.
Para todas as pessoas, especialmente aquelas que comentam aqui, que usam a morte de três seres humanos para dar vazão aos seus discursos de ódio contra anarquistas, perguntem a si mesmas o seguinte: você já reagiu dessa maneira quando algum imigrante é espancado ou/e até mesmo assassinado pela polícia de Atenas? Você já reagiu assim quando outra dezena ou centena de civis morrem no Iraque, ou Afeganistão ou em qualquer outro lugar desse mundo? Você posta comentários cheios de ódio nas páginas da mídia oficial, pelas dezenas de centenas de pessoas que são mortas por um sistema de poder global econômico irracional em uma contagem diária?
Não? Então talvez você devesse calar a boca e começar a pensar... A não ser que realmente aprove o estado que o mundo se encontra, pois isso lhe proporciona uma TV colorida, um carro, casa própria e bananas baratas. E tudo isso somente pelo preço de ter que olhar para todos os seres humanos como competidores e ameaças em potencial!
Para todos os anarquistas e camaradas de esquerda radicais:
Enquanto não sabemos quem atirou o molotov, devemos definitivamente lutar contra a campanha midiática e política que aponta o dedo ao povo que luta contra sua miséria, devemos também ser bravos o suficiente para admitir que possivelmente foi "um de nós".
Todos os que estão envolvidos em lutas militantes de massa sabem que sempre há a possibilidade de uma tragédia como essa acontecer. Desde que não somos um partido nem qualquer tipo de instituição - e uma revolta popular nunca vai ser - não podemos nunca controlar totalmente a situação. Qualquer um pode causar esse tipo de dano com uma demonstração violenta: agentes de polícia provocadores, fascistas, hooligans, cidadão raivosos ou anarquistas de cabeça quente.
Mesmo que isso tenha sido feito por agentes do Estado ou das classes de cima, nós como anarquistas propiciamos o meio necessário! Não vamos negar isso. Exatamente porque aprendemos enquanto lutamos, exatamente por não querermos ser como um partido, como o Estado e as classes dominantes, como os fascistas, temos que ser honestos, humanos, autocríticos e ainda assim determinados.
Então, é tempo de pensar no que podemos fazer para minimizar o risco e prevenir os danos e até, como agora tragicamente aconteceu, a morte de pessoas não envolvidas.
Enquanto para mim está tudo bem em usar molotovs contra a polícia ou em ações planejadas, deve haver um consenso de não usá-los contra prédios nos quais:
a) Possam haver pessoas;
b) O fogo possa se espalhar para outros edifícios que não tem a ver, como casas residenciais. E todos sabemos que lojas com apartamentos residenciais em cima são atacadas em ações na Grécia hoje e sempre;
Atacar um banco, a loja de uma grande companhia, etc.; é sempre um ato simbólico e deve ser encarado como tal.
Usem pedras, tintas, entrem e destruam tudo se houver a possibilidade. Se usarmos fogo, não podemos controlar o desenrolar, e a mídia e os políticos ficarão felizes em poderem nos retratar como hooligans psicopatas e o simbolismo é o mesmo de qualquer maneira.
Juntar a isso o poder do fogo não vale arriscar a integridade de seres humanos.
Dito isso, toda a minha solidariedade vai aos amigos e camaradas anarquistas e de esquerda radicais na Grécia e todas as pessoas em qualquer lugar que lutam por um mundo livre do capitalismo e cheio de cooperação mútua, no qual a liberdade individual e coletiva são uma só, repletas de vida para todos, é o objetivo da sociedade!
L.
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