Segundo dados da ONG Contas Abertas, o Estado de Alagoas, que foi o centro das enchentes que se iniciaram no fim de semana, não recebeu verbas dos programas de prevenção de desastres criado pelo Governo Federal. Já os repasses para o Estado de Pernambuco, segundo mais atingido pelas enchentes, correspondem a 0,24% (R$ 172 mil) do montante.

Este não é um problema restrito a Alagoas e Pernambuco, mas corresponde a um corte geral nos gastos destinados à prevenção de desastres.

De 2004 a 2009, a verba destinada seria de R$ 933 milhões do Orçamento da União, dos quais apenas R$ 357 milhões foram repassados.

Neste período de tempo, Pernambuco recebeu 8,9% do total, enquanto Alagoas teve direito a apenas 0,3% de toda a verba.

A verba destinada ao Ministério da Integração Nacional exclusivamente para prevenção e preparação para tragédias climáticas, que já soma reduzidos R$ 70,5 milhões, não foi repassada, ou foi distribuída em pequena quantidade para os estados que vêm sofrendo com os maiores desastres estruturais no País.

O Rio, que foi palco de inúmeros acidentes, como deslizamentos de terras devido às chuvas de março deste ano, foi nada menos que o último em recebimento de verbas para a prevenção de desastres com R$ 10,6 mil (0,02%).

Além dos cortes das verbas de prevenção de acidentes, os critérios utilizados pelo governo para os repasses de verbas mostram que está em último lugar qualquer intenção de prevenir desastres. O ministério que controla os repasses, nas mãos do PMDB, claramente se apoderou das verbas repassando preferencialmente para estados onde este partido possui apadrinhados. Este é o caso da Bahia, de onde vem o deputado Geddel Vieira Lima, atual ministro de Integração Nacional. O estado recebeu 37% do montante repassado para prevenção de desastres em todo o País. Geddel Vieira Lima será candidato ao governo do estado apoiado pelo atual governador Jaques Wagner (PT) nas próximas eleições.

É óbvio que a verba destinada à Bahia também tem como último objetivo, a prevenção de desastre. Esta será utilizada, através do conhecido esquema de ?caixa 2?, para engordar as contas para a realização da campanha eleitoral do PMDB.

Os cortes nas verbas e a máfia estabelecida a partir do Ministério de Integração Nacional para usar gastos públicos nas campanhas eleitorais são a regra nos governos burgueses, inimigos da população trabalhadora.

No entanto, graças à crise capitalista mundial, começa a vir à superfície os problemas estruturais, pois a política da burguesia é cortar verbas e levar os riscos ao limite. Os dados mostram que as tragédias como as ocorridas nas enchentes em todo o País, nos deslizamentos de terras no Rio e em Santa Catarina, e mesmo durante a crise aérea, em 2007, são resultado direto dos cortes criminosos dos governos burgueses contra a classe operária. São estes, portanto, os responsáveis pelas mortes e pelos milhares de atingidos pelas enchentes.