![]() | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| | Nós somos sábios também. Nós somos cientistas. Como sobrevivemos até hoje?
Aconteceu entre os dias 14 e 16 de julho, na Universidade do Estado do Amazonas, em Manaus, o Simpósio Internacional Conhecimentos Tradicionais na Pan-Amazônia. Nele o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) ajudou a reunir lideranças de povos indígenas, quilombolas e de outros povos tradicionais, acadêmicos de cerca de 40 universidades, e profissionais que trabalham em governos. Entre os/as convidados/as havia pessoas de nove países, e mais de 400 pessoas se inscreveram para participar. Até um funcionário da ABIN se inscreveu. Todo este interesse mostra que o assunto é um dos mais importantes na agenda internacional. O pano de fundo é o conflito entre interesses corporativos que pretendem expropriar os conhecimentos coletivos e as terras onde eles são cultivados, patentear os conhecimentos e seus objetos, e aplicá-los em empreendimentos industriais, e os povos tradicionais que exigem o respeito à sua autonomia, aos seus saberes e territórios coletivos voltados a uma vida sã. O principal objetivo das lideranças comunitárias em participar do evento ficou claro com a fala de Marcos Apurinã: "nós somos sábios também. Nós somos cientistas. Como sobrevivemos até hoje?". O principais temas debatidos no Simpósio foram a ação dos movimentos sociais em conjunto com a academia, os conflitos em torno da elaboração de leis nacionais e internacionais, e a relação entre defesa dos conhecimentos e defesa dos territórios de uso tradicional. Alfredo Wagner de Almeida (coordenador do PNCSA), ressaltou que as terras e conhecimentos tradicionais não são terras e conhecimentos antigos, e sim as terras e conhecimentos do presente, que não podem ser separadas entre si e dos povos que os mantém vivos e a serviço do bem estar humano e do meio ambiente. A abertura do evento contou com a apresentação de Débora Duprat, Sub-Procuradora Geral da República, que demonstrou como a atual legislação brasileira sobre meio ambiente tende a caracterizar a "população tradicional" de maneira a viabilizar a expropriação de suas terras e conhecimentos em benefício das corporações capitalistas. Na mesa "Norma e regulação jurídica dos conhecimentos tradicionais", a quebradeira de coco Maria de Jesus Bringelo explicou que as leis são feitas sem que as populações sejam consultadas. Deu como exemplo o Estatuto da Criança e do Adolescente, que foi feito para a realidade das crianças da cidade, chegou ao campo pela grande mídia e depois na forma de repressão. Parte importante da educação tradicional passou a ser vista como "trabalho infantil" e, impedindo-se as crianças do campo a acompanhar os pais nas suas atividades diárias, destrói-se a principal forma de transmissão dos conhecimentos tradicionais. Bringelo defende o controle popular sobre a escola como uma forma de garantir que ela valorize e ajude a cultivar os conhecimentos tradicionais. No GT "Movimentos indígenas e conhecimentos tradicionais", discutiu-se a dificuldade de se mediar entre a urgência e as formas ameaçadoras com que se estão definindo as leis e políticas para os conhecimentos tradicionais e o tempo de diálogo a partir das comunidades locais. Colocou-se a necessidade de trabalho de base em que se construa a partir das comunidades e povos os consensos que devem ser defendidos por representantes legítimos junto aos órgãos nacionais e internacionais. O PNCSA tem como objetivo a produção de fascículos contendo o mapeamento do território e da identidade dos movimentos sociais sobretudo da Amazônia. A proposta é que sejam produzidos de modo participativo, e sirvam como instrumento de luta para os movimentos. O paradoxo é que a ação em grande escala e a necessidade de melhorar os indicadores junto aos financiadores (do CNPq à Fundação Ford) pode estar fazendo com que o projeto se torne uma linha de montagem de fascículos. Perde com isso a produção tipicamente acadêmica em que se valoriza a reflexão e o debate elaborados ao longo de anos de trabalho, bem como o trabalho de base que possibilita o diálogo e o compromisso de longo prazo com cada movimento. O PNCSA parece preocupado em cobrir toda a Amazônia, criar um mapa e um censo das populações tradicionais com base em seus próprios conhecimentos, o que pode se tornar mais útil ao Estado e às corporações. Seria mais frutífero para os movimentos o aprofundamento de alianças, produções e táticas com pesquisadores em cada localidade. No entanto, é valorizada a produção da maior quantidade possível de fascículos com diferentes movimentos, cobrindo áreas inteiras. É um tipo de contradição que muitos grupos que atuam através do financiamento de projetos têm enfrentado, sobretudo quando prevalecem indicadores quantitativos.
nova cartografia_no cravo e na ferradura Prezados do CMI: acho que materias contendo "avaliações" de programas ou iniciativas alheias deveriam ser assinadas por pessoas e não virem postadas genericamente como essa sobre o Seminario dos Conhecimentos tradicionais realizado em Manaus em Julho. Não estive presente não posso julgar se o evento foi bom ou não, mas sei que mereceria uma cobertura mais detalhada do que este site fez, pois apenas reproduziu frases de dois participantes ( Apurima e a quebradeira de coco), e perdeu a oportunidade de divulgar informes mais detalahdos do professor Alfredo e da Procuradora Debora, figuras da smais relevantes no cenario nacional da defesa dos povos e territorios nativos e dos grupos pobres que vivem ameaçados de violencias e de expropriação. E o paragrafo final que faz uma estranha critica ao programa como um todo acaba desviando o foco da materia. Faz uma acusação gravissima de que o PNCSA serve ou serviria às croporações. Com base em que? Em quais casos? Quem foi capaz de fazer uma avaliação tão rapida e rustica de um Programa que funciona há varios anos, com resultados tão relevantes para os grupos que se mapearam? Algum academico que se ressente do "debate tipicamente academico"? Se foi alguem com tanta experiencia assim nesse metodo e nessas batalhas, menos mal; mas e se foi alguem que acabou de chegar na área e repetiu o que ouviu aqui e ali, que vaor teria essa critica? De todo modo, que esse autor apócrifo se apresente e dialogue com os abnegados participantes do PNCSA, ao inves de ficar dando tiros a esmo num site tão dissidente e importante como o CMI, não só no Brasil mas tambem seus correspondentes no mundo. Se isso não ficar claro, eu também posso tambem divulgar que o sitia Midia independente é que está fazendo o jogo do agronegocio, das mineradoras, petroleiras e hidreletricas... que estão apertando o cerco às populações tradicionais e também estão fustigando o PNCSA. Tempestade em copo d'água Prezado leitor. O artigo não diz que o PNCSA serve às corporações. Diz que mapeamentos podem ser usados por elas. É uma contradição com a qual todos que ajudam a produzir informações de movimentos sociais (inclusive o CMI) precisam lidar. O único remédio é a reflexão, o debate e a crítica. Se nos prendermos ao mar de rosas da propaganda institucional, em nada poderemos contribuir. Um dos maiores vícios da academia brasileira é que ainda se trata a crítica como se fosse ofensa, sendo que só a crítica nos permite superar os desafios dentro e fora da academia. Crítica aberta a todos, e não apenas aos grandes nomes, os cidadãos de luxo. É curioso que o senhor valorize antes palavra dos titulados deste artigo, e diminua a importância da palavra de indígenas, negros e caboclos. Ponto ao PNCSA que valorizou a voz de alguns deles neste evento e em seus fascículos. Porém, atualmente até corporações aprenderam a valorizar o conhecimento tradicional, encontrando aplicações muito lucrativas. Daí a urgência em se alimentar estas reflexões, para as quais o PNCSA é apenas um exemplo entre outros. Mas é bom lembrar que aqui não é a academia. Podem falar grandes e pequenos, os que falam muito e os que falam pouco, os que têm nome e os que não têm nome. O foco do CMI não é nos "grandes" nomes e instituições, nos "defensores" ou "representantes" dos povos, e sim nos povos por eles mesmos, nos movimentos autonomistas e populares que fazem suas ações diretas. Caso o senhor ache que faltam informações nesta matéria, publique! Este é um site de publicação aberta. Publique na coluna da direita que podemos colocar o link do seu artigo neste mesmo editorial, bastando para isto que envie uma solicitação com o link do artigo para cmi-brasil-editorial@lists.indymedia.org. Podem ser enviadas também propostas de editorial. Em todo caso, divulgamos o site do PNCSA para quem quiser informações da fonte original. Prezamos a liberdade de expressão. Seja bem vindo ao site. É uma pena que o autor de esconde atrás do CMI É uma pena que o autor de esconde atrás do CMI. Fico pensando quem seria tão outsider para fazer comentários tão ingênuos e deslocados, até suspeitamos...
|