As crianças são tratadas com bondade e carinho, nunca são castigadas. E elas sempre respeitam os pais e os mais velhos.
Mas não só ele, todos os viajantes por esse Brasil afora elogiaram, Roquette Pinto, Koch Grünberg e todos os outros.
Os índios não fazem isso obrigados por alguma lei qualquer, é o modo de vida deles.

Na China e Japão os idosos são venerados e obedecidos. São considerados sábios, portadores da história, sabedoria e experiência de vida. São ouvidos e respeitados.
Também não é a lei que determina isso, é costume deles.

A igreja cristã ensina a tratar bem os pobres, doentes e os deficientes. Devem ser bem cuidados, com afeto e dedicação, nunca rejeitados. A caridade e opção pelos pobres é característica das igrejas cristãs.
Novamente não são leis que determinam isso, ser assim é opção de vida do religioso.

Na Índia observei homens andando de mãos dadas, alegremente. Não sei o significado. Mas parece que lá o afeto entre pessoas do mesmo sexo é perfeitamente normal. Ninguém se incomoda com isso.
Certamente não é imposição das leis. É a maneira de ser deles.

Era costume nosso, os homens dar preferência às mulheres. Mas foi considerado machismo e já não existe mais. A tradição ainda diz que velhos, doentes, grávidas, e deficientes, devem ser tratados com respeito e ajudados, em todas as ocasiões. É ainda costume levantar e oferecer o lugar para tais pessoas, não por obrigação, mas espontaneamente, por educação.

Essas coisas vem do berço. Mas estamos vivendo um mundo cada vez mais competitivo, onde vencer e superar é importante, acima de todas as coisas. O respeito pelas crianças, velhos, doentes e deficientes já não tem mais lugar. São empecilhos, impedimentos ao sucesso na competição.
Mais fracos e vulneráveis, são facilmente derrotados. São considerados como um peso para a sociedade, improdutivos e consumidores de recursos.

Na Inglaterra crianças não podem levar palmadas, é proibido por lei. Mas com dez anos de idade podem ser condenadas à prisão perpétua! Estranha proteção essa, que se dá às crianças!

Leis e mais leis tentam impor agora, forçar atitudes, que poderiam ser espontâneas pelos costumes e tradições.
Temos em todos os lugares, filas preferenciais para grávidas, mulheres com filhos, idosos e deficientes. Nos ônibus, lugares reservados para eles. Nos supermercados, farmácias etc. vagas de estacionamento para deficientes. Por força de lei.

O resultado é a discórdia, a briga e o antagonismo.
Ninguém mais oferece o seu lugar ou permite que idosos passem à sua frente. Que usem a fila e os assentos reservados para eles, ora bolas!
Muita gente, não encontrando vaga, estaciona nas vagas reservadas para deficientes. Pessoas vendo isso reclamam. Os deficientes reclamam.
Alguns sentam nos lugares reservados para idosos, e os idosos tem que pedir para que levantem. O fazem então, com cara feia, quando fazem.
Mulheres pegam no colo o filho, que sabe andar perfeitamente, para poder usar a fila especial.
Velhos agora são office-boys, a resolver as muitas transações das firmas para as quais trabalham, aproveitando-se da preferência nas filas. Tornam a espera dos idosos atrás deles extremamente demorada.

Agora está-se a proibir, também no Brasil, que as crianças não podem ser surradas pelos pais. Se vivêssemos como os índios isso nem seria necessário. Mas também os filhos não desrespeitariam os pais.

Herdamos muitas coisas boas dos índios, uma delas é a afetividade pelos filhos. Que é muito, mas muito diferente dos anglo saxões.
Nos Estados Unidos os recém nascidos não dormem junto com os pais. Bem cedo vão para as creches, onde ficam o dia inteiro. À noite são cuidados por baby sitters para que os pais possam sair. Escolas é o dia inteiro. Nas férias são mandadas para os acampamentos. Quando frequentam universidades, ausentam-se da cidade. Pais e filhos, completos estranhos, desde o nascimento.
Não é bom isso. Mas é como tem que se viver, no mundo competitivo. A família é destroçada.

É fácil fazer uma lei, impondo coisas que os outros devem fazer. O Estado não gasta um tostão com isso. Proíbe bater, mas não dá alternativa como se deve educar os filhos para livrá-los da perigosa sociedade que vivemos.

Não sei se palmadas educam uma criança. Mas se observarmos os bichos, gatos e cachorros que seja, constatamos que por vezes tão uns belos tapas e mordidas em sua prole. Corretivos que doem, mas nunca machucam de verdade.
E nós humanos civilizados, certamente temos muito bicho ainda em nossos genes.

Se palmadas são educativas, erra muito o Estado ao interferir na vida familiar. Pois não será ele a arcar com as muitas consequências de filhos insubordinados.
Quando muito os vai encarcerar, em breve até com prisão perpétua. Ou, à moda bem mais brasileira: Tiro de PM no combate ao tráfico de drogas.