Em janeiro de 2002 tem início o AtivismoABC. 10 anos se passaram e muitas coisas se transformaram também: uns/mas tinham apenas 14 anos, outros/as 19/20 anos quando saiu a proposta de iniciar um coletivo libertário no ABC, hoje declaradamente anarquista. Alguns/mas se foram, outros/as se aproximaram, e assim fomos até completar estes 10 anos.

O AtivismoABC passou por muitas transformações ao longo desses 10 anos. A juventude nos faz enfrentar alguns problemas com imaturidade. Ao ficarmos mais velhos/as, acumulando experiência, nos faz refletir sobre as mudanças, fazer questionamentos e buscar entendimentos.

A valorização das diferenças como princípio do coletivo nos trouxe uma diversidade fundamental para uma política mais abrangente. A forte presença feminina possibilitou sermos um coletivo muito atento às questões sobre a mulher, não apenas em relação ao machismo, como também sobre questões como saúde e o papel da mulher nos grupos e organizações políticas. Essa valorização das diferenças fez com que inicialmente não nos assumimos como coletivo anarquista, o que hoje passou a ser diferente. Ainda que nem todos/as do coletivo se ponham como anarquistas, nossos princípios são pautados no anarquismo.

A construção dessa diversidade também trouxe uma reflexão sobre o poder das instituições na manutenção do Estado e do mercado; a institucionalização do conhecimento através das escolas, e a medicalização da vida através de hospitais, nós faz assumir uma postura política perante as questões macro- e microssociais que às sustentam ou criam alternativas.

Não acreditamos que focalizar somente numa dessas esferas resultará nas transformações que buscamos. A desinstitucionalização da sociedade exige duas lutas: na vida pessoal, cotidiana e local, e na vida mais ampla, envolvendo alianças com diversos coletivos e movimentos.

O consenso sempre foi a base da organização do coletivo e da tomada de decisões em reunião. Mas nossa experiência nos mostra que nem sempre ele é possível. Tanto nos afazeres do dia-a-dia, quanto nos debates, estamos tentando descobrir maneiras de lidar com o conflito.

Uma das bases deve ser a paciência: o tempo - dos debates, das decisões, das reuniões - pode se alongar muito. E não só com o nosso tempo precisamos ser generosos: também percebemos que é preciso baixar a guarda, aceitar mais as decisões dos/as outros/as, deixar fazer. Encontrar maneiras de resolver disputas. Não nos compete supor se a aplicação desta busca desenvolvida na prática de um coletivo pequeno - ao menos até hoje, nunca ultrapassamos as três dezenas, chegando a pouco mais de uma dezena, no mínimo - pode ou não ser estendida a um plano maior, um bairro, uma aldeia, uma cidade. Mas estamos buscando possibilidades.

Então é isso, lhes esperamos. Será uma boa oportunidade para vir comemorar conosco e visitar a Casa da Lagartixa Preta!!!!

Sejam bem vindas e vindos!!!!

Abraços fraternos e libertários!!!!

A Casa da Lagartixa Preta fica na Rua Alcides de Queirós, 161 - Bairro Casa Branca - Santo André. (A 12 min da estação de trem Santo André - Pref. Celso Daniel, próximo a Eletropaulo e a Rua Arthur de Queirós).

Coletivo AtivismoABC