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| | Incêndios em favelas e a especulação inflamável Por MTST 11/09/2012 às 13:28 Nos últimos 20 dias, cinco grandes incêndios atingiram favelas em São Paulo. Esse tipo de incidente cresce a cada ano em proporções assustadoras. Entre 2008 e 2011 foram mais de 500 incêndios em favelas. Em 2012, segundo o corpo de bombeiros, já são 32. A destruição é enorme, quando não é fatal: móveis, eletrodomésticos, barracos inteiros. Pessoas feridas e até mortas. Por que isso ocorre com tamanha frequência? Quais são os reais motivos para tantos "acidentes" e tragédias? Que setores da sociedade se envolvem com essa situação? Qual é a condição das famílias que perdem tudo a cada incêndio? >> Leia Mais  Fogo no Barraco No dia 17 de agosto, a favela do Areão, próxima a Marginal Pinheiros na Zona Oeste, pegou fogo e cerca de 300 pessoas ficaram desabrigadas. Moradores afirmam que o corpo de bombeiros não permitiu que eles ajudassem a conter as chamas. O incêndio não destruiu a favela inteira, o que permitiu que os moradores que haviam perdido tudo pudessem começar a reerguer suas moradias. No dia seguinte, a favela Alba, região do Jabaquara, próxima ao aeroporto de Congonhas também foi incendiada, desabrigando quase 200 pessoas. A prefeitura não ofereceu sequer alojamento para as famílias que perderam tudo. Já no dia 23 de agosto, uma favela localizada na Vila Prudente, próxima a uma estação de trem na Zona leste pegou fogo pela segunda vez em 2 anos. Dessa vez, mais de 600 pessoas ficaram sem teto. Os próprios moradores se organizaram e ficaram abrigados numa escola de samba vizinha à comunidade, já que a prefeitura não disponibilizou nenhum abrigo. Além disso, a PM isolou o local e não permitiu que os moradores reconstruíssem suas casas após o incêndio. Poucos dias depois, 28 de agosto foi a vez da favela da Paixão, próxima a Avenida Jacu Pêssego em São Miguel Paulista na Zona Leste ser incendiada, desabrigando cerca de 300 pessoas. Mais uma vez, a prefeitura não ofereceu nenhuma assistência às famílias que, indignadas, travaram por alguns minutos a Avenida Jacu-Pessego que dá acesso à rodovia Ayrton Senna e foram tratados com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e tiros de borracha pela PM. O último e possivelmente mais trágico incêndio do ano ocorreu no último dia 3 de setembro na favela Morro do Piolho na região do Campo Belo, próximo ao aeroporto de Congonhas. Mais de 1000 pessoas perderam suas casas, quatro pessoas ficaram feridas pelo fogo e, pra variar, a PM permanece no local impedindo os moradores de voltarem. O detalhe é que a área estava nos planos de ?desapropriações? planejado para ocorrer em todo o eixo da Avenida Jornalista Roberto Marinho. Em geral as razões atribuídas para os incêndios são ?acidentes? com rede elétrica clandestina ou com botijões de gás que seriam mal manuseados pelos moradores das favelas, além do que o período mais seco do ano ajudaria propagar as chamas. O que pouco se fala é que, em geral, essas tragédias ocorrem em regiões extremamente valorizadas do ponto de vista do setor imobiliário da cidade. Marginal Pinheiros, Jacu Pêssego, Rodovia Ayrton Senna e região do aeroporto de Congonhas são algumas das fatias urbanas que mais interessam à especulação imobiliária. Essas regiões abrigam condomínios, hotéis, shoppings, estações de trem e metrô, sendo as áreas das favelas objetos de desejos dos empreendimentos vampirescos dos empresários da construção civil. Essas pessoas tem interesse direto e explícito em acabar com as favelas nesses lugares. Como nem sempre é possível despejar as famílias com a truculência militar ou com indenizações ridículas, os incêndios prestam um grande serviço à intenção de expulsar os mais pobres das áreas mais valorizadas da cidade. Não é só o caso desses últimos incêndios, mas da maioria deles. Favela do Moinho (2011), Real Parque e Jaguaré (2010) comprovam através de fatos que os incêndios em favelas não são um mero acaso. Casos tão gritantes provocaram a criação de uma CPI dos incêndios em favelas na câmara municipal de São Paulo. Pra inglês ver. Em cinco meses de ?funcionamento?, a CPI se reuniu apenas 3 vezes. A última delas numa reunião que durou 20 minutos! Detalhes importantes: 1- Nessas três reuniões, o único encaminhamento foi a nomeação de um relator (Aníbal de Freitas, do PSDB) e uma vice-presidente (Edir Sales, do PSD); 2- a CPI tem prazo até dia 9 de setembro pra apresentar um relatório da investigação que ainda não começou; 3- a maioria dos vereadores são da base de apoio do governo municipal de Gilberto Kassab, o mesmo que negou qualquer assistência aos moradores atingidos pelos incêndios. É evidente que a CPI vai acabar em fumaça, assim como os barracos... Kassab também é o prefeito-amigo da especulação imobiliária. Entre 2009 e 2012, grandes construtoras receberam em contratos com a prefeitura mais de R$ 2 bilhões. Para se ter uma idéia, as construtoras Camargo Correa, EIT, OAS e Engeform (que constam entre as maiores do Brasil) doaram juntas para a campanha de Kassab em 2008 cerca de R$ 6 milhões e em troca somaram em contratos junto à prefeitura nos 4 anos seguintes, nada menos que R$ 639 milhões! Mais de 100 vezes mais o valor investido! Vale ressaltar que a prefeitura destinou em 2011 o valor absurdo de R$ 1mil reais para a compra de áreas para a construção de habitação popular. Os trabalhadores mais pobres, especialmente moradores de regiões muito valorizadas são um obstáculo concreto e inconveniente para a especulação imobiliária e para os governos, patrocinados por ela. Vivem sob a maior precariedade possível e em situações como essas, perdem absolutamente tudo e ainda são criminalizados. Não se pode esperar nenhuma solução por parte da prefeitura ou de outras esferas do governo, pois estamos diante da mais crua e cruel guerra entre interesses diferentes: os que colocam os lucros acima da vida contra os que sobrevivem teimosamente em busca de dignidade. Mais: Fogo no Barraco: mapa dos incêndios e da valorização imobiliária em São Paulo | Não acredite em combustão espontânea Texto de Guilherme Simões sobre a onda dos ataques contra os pobres que atrapalham a burguesia nas capitais, Membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e da Resistência Urbana ? Frente Nacional de Movimentos.
URL:: http://www.mtst.org/index.php/inicio/798-incendios-em-favelas-e-a-especulacao-inflamavel-.html >>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Quem mete fogo nas favelas está a mando de Gilbosta Kassabicha, que depois de higienizar a área vende para seus amiguinhos corretores de imóvel a troco de propina.
 | http://fogonobarraco.laboratorio.us/ Sobre Esse aplicativo é uma tentativa de investigação dos incontáveis incêndios que acontecem nas favelas paulistanas - em escala que não se vê, aparentemente, em outros lugares. Tudo o que é feito, por ora, é a projeção dos dados dessa planilha pública sobre o mapa de SP. Como ajudar Sobretudo, todos podem colaborar alimentando a planilha criada por Patrícia Cornils, que é de acesso público. Os dados são importados para este aplicativo automaticamente, com um atraso de algumas horas. Alguns cuidados na hora de inserir ocorrências: * Certifique-se de que a entrada já não foi cadastrada. Caso já exista, apenas atualize-a com dados suplementares, se os tiver; * Preencha tantos dados quanto puder encontrar, toda informação é valiosa. Os dados mínimos são de data, endereço e fonte da notícia; * Os campos com importâncias numéricas, tais como número de vítimas, casas destruídas, etc, cadastre como valores numéricos sempre que possível, em vez de texto corrido; * Para preencher a coluna mapa, localize o ponto da ocorrência no Google Maps, centralize-o na tela, clique no botão de geração de link (um clipe) e selecione a URL gerada (com opção URL curta desativada). Cole na planilha; Programadores e designers podem ajudar a desenvolver este app. O código é aberto, essencialmente python e javascript, e está hospedado no github. Quem puder conseguir dados de fontes oficiais, como bombeiros e defesa civil, por favor entre em contato conosco. Os dados de até 2009 são da defesa civil e são muito mais numerosos do que os já levantados manualmente, de sorte que provavelmente será melhor contar com alguma fonte de dados pública... Para nos enviar qualquer pergunta ou sugestão, criamos um e-mail do projeto: fogofavela@gmail.com  | Uma coisa que senti falta no artigo é que ele não me permite comparar dados de outros períodos e assim, através da estatística, assumir se o valor de 500 incêndios em 3 anos é normal ou não. A falta deste valor de referência faz com que o leitor questione a idoneidade do artigo e põem em cheque a suposição do autor quando diz que isto pode ser devido a alta especulação imobiliária na região que foi incendiada.
Alguém saberia me dizer aonde posso encontrar o número de incêndios durante o período de 2004 a 2007? Excelente trabalho jornalístico. Já compartilhei, inclusive com uma pequena versão em inglês.
Quando vocês farão uma comparação histórica entre estes incêndios da administração Kassab e os que ocorreram durante as gestões de Erundina e Marta, por exemplo?  | E já que estamos falando de INCÊNDIOS em São Paulo acabei de mandar dois Twitter para Haddad. Em breve enviarei os mesmos para o Ruçomano;
Quando @Haddad_Fernando for Prefeito de São Paulo ele vai requerer ao MPF que investigue os incêndios nas favelas paulistanas sob Kassab?
Quando @Haddad_Fernando for Prefeito de São Paulo centenas de favelas serão queimadas para favorecer e fortalecer a especulação imobiliária?
Os incêndios de favelas ocorreram durante as gestões Serra e Kassab. O último não se importou com elas, nem mandou investigar as que ocorreram sob o império do tucanão asqueroso. Para mim isto explica satisfatoriamente porque ambos estão de mãos dadas durante esta campanha. Eles devem pertencer ao mesmo clube de piromaníacos fundado por Nero no século I dC. Maid um Incéndio acaba de destruir image Rabelais. A private que a especulação imobiliária é criminosa por essência e tem a cumplicidade do e$task. Assassino$!!!!!!!!!!!!!!!! E desde quando você sabe redigir em inglês, filho da puta? Dispensamos sua colaboração. E por acaso uma instalação elétrica isolada com sacola plástica, em uma casa de madeira seca, sem aposentos definidos, não tem mais chance de incêndio do que uma casa de alvenaria ? Isso é lógica ! Uma casa onde os filhos são vigiados e outras onde as crianças brincam com qualquer coisa que produza faísca em meio à madeiras não teria mais chance de ocorrer acidentes ? Estão vendo o dedo do diabo em tudo ! Por favor !  | "...São consideradas baixas as actividades úteis aos que são mantidos no fundo da escala: a preocupação constante pela satisfação de necessidades; o desdém pelas honrarias com que procuram engodar os que defendem o país onde morrem de fome; a falta de confiança no chefe quando o chefe nos leva a todos à catástrofe; a falta de gosto pelo trabalho quando ele não alimenta o trabalhador; o protesto contra a obrigação de ter um comportamento de idiotas; a indiferença para com a família, quando de nada serve a gente interessar-se por ela. Os esfomeados são acusados de gulodice; os que não têm nada a defender, de cobardia; os que duvidam dos seus opressores, de duvidar da sua própria força; os que querem receber a justa paga pelo seu trabalho, de preguiça, etc.
Numa época como a nossa, os governos que conduzem as massas humanas à miséria, têm de evitar que nessa miséria se pense no governo, e por isso estão sempre a falar em fatalidade. Quem procura as causas do mal, vai parar à prisão antes que a sua busca atinja o governo. Mas é sempre possível opormo-nos à conversa fiada sobre a fatalidade: pode-se mostrar, em todas as circunstâncias, que a fatalidade do homem é obra de outros homens. Até na descrição de uma paisagem se pode chegar a um resultado conforme à verdade, quando se incorporam à natureza as coisas criadas pelo homem."
Bertolt Brecht  | Dois aspectos quero mencionar aqui:
1. Os interesses econômicos tem tido e continuam tendo uma influência grande no Brasil, sendo as favelas um retrato dessa 'riqueza cultural'. O artigo nos apresenta dados importantes. Mas não é somente nas favelas que o fogo é dos oligarcas. Se vocês vão a Ouro Preto, verão certas áreas constantenmente pretas em virtude das cinzas das queimadas praticadas ali. O motivo: os oligarcas não deixam crescer floresta ali, porque isso diminuiria o valor econômico da área. Legal?
2. É preciso tomarmos consciência de que a expansão da língua inglesa - a língua do império de turno - é de grande interesse estratégico para os senhores da guerra. Foi assim com os romanos, foi assim com os franceses, foi assim com os russos e vai ser assim com - que o diabo os carregue - eventuais impérios que nos pisem no futuro. Neste sentido, considerar como óbvio que cada um de nós aprenda a língua do patrão cagão e - ainda pior - ficar anunciando gratuitamente o fato de pertencer ao grupo dos que se ajoelharam diante da estratégia (e da política) linguística do império, não chega a ser nenhuma virtude para alguém que busca a justiça social. Não digo que ninguém deva aprender inglês. O que eu digo é que o inglês é uma língua como qualquer outra e não deve ser colocada numa hierarquia superior, somente porque existe um império manejando-a para seus 'sagrados' interesses de controle e dominação. Quem é que ganha e quem paga a conta das tantas escolas de inglês existentes o 'Pátrio Tráseiro'? Quem tira vantagem e quem sai apanhando, se um número cada vez maior de vassalos repetir a ladainha imperial, de que 'sem inglês é impossível fazer pesquisas científicas'?
Precisamos ser justos, e para isso é preciso abrir os olhos para todas as áreas da vida. Reequilibrar o ecosistema linguístico é tão importante quanto reequilibrar o ecosistema biológico ou de trabalhar para tecnologia livre (Software livre -GNU Linux - aos invés de Windows, Mac ...).
Ou seja, temos que ser cada vez coerentes e diminuir contradições no nosso discurso e na prática cotidiana. Apagar incêndio na favela e ao mesmo tempo comprar o combustível do incendiário não é uma forma eficiente nem coerente de agir em pról dos que vivem em favelas!  | Este relato é semelhante aos relatos dos moradores de antigos cortiços da Vila Madalena durante a década de 1980.
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