A Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência reúne diversos grupos que resistem à ação violenta do estado, incluindo as Chacinas da Candelária, do Borel e de Acari. O grupo Mães de Maio é fruto da resistência de familiares das vítimas da chacina de maio de 2006 ocorrida em São Paulo, quando a polícia executou, em uma semana, quase 500 pessoas a esmo. Em Goiânia, o Comitê pelo fim da violência vem politizando as execuções praticadas por policiais e desaparecimentos após abordagem policial, reunindo familiares de vítimas que buscam justiça nos tribunais do estado e ou que lutam pela federalização de investigações.

Com este encontro, o Comitê pretende fortalecer sua articulação com grupos afins de outros estados, num fortalecimento mútuo contra a impunidade policial e pelo fim da violência empregada pelo estado contra suas populações, em especial as populações negras, periféricas, e contra a militância política de oposição às injustiças. O debate contará com apresentações culturais de abertura e encerramento e terá espaço para manifestação, troca de relatos e experiências de resistência.

O contexto goiano Goiás é um dos estados mais violentos do país, em que há mais mortos e desaparecidos pela Polícia Militar no atual regime democrático do que em toda a Ditadura Civil-Militar. Onde os movimentos sociais são criminalizados, manifestações são repreendidas ou até mesmo impedidas de acontecer, devido a abusos policiais. A população em geral ? principalmente os moradores das periferias e os negros ? são vítimas em potencial da cotidiana violência legalizada do estado. Vítimas não só do descaso e omissão do poder público, mas também do seu aparato armado. São vítimas de violência física e psicológica e no seu limite, de execuções e assassinatos.

A impunidade é praticamente absoluta, o que torna ainda mais cruel essa violência. Em Goiás, a população vive submetida ao medo, não sabendo a quem recorrer, e continuam assim vítimas do descaso do estado, de sua impunidade e de sua violência. Mas, frente a todos esses problemas, mesmo com temor, não há resignação; ao contrário, as vítimas transformam sua dor em resistência, em luta.