| O eleitorado queria o novo. Teve de se contentar com o menos velho Por Celso Lungaretti 29/10/2012 às 02:02 "...a esquerda consequente fez campanha pelo voto nulo no 2º turno e tem um resultado apreciável para exibir: 500.578 votos (7,26%). Somados aos votos em branco e à abstenção, são quase três eleitores em cada dez que não viram motivos para votar nem em Haddad, nem em Serra..." Na eleição para prefeito de São Paulo havia duas certezas:
* a chegada de José Serra no 2º turno;
* sua derrota final.
Os sucessivos e cada vez mais insatisfatórios mandatos dos tucanos e seus aliados, no Estado e na cidade de São Paulo, saturaram o eleitorado. Com enorme rejeição, Serra jamais conseguiria remar contra esta maré. Seu eleitorado cativo só lhe permitiria levar a disputa para a prorrogação, tornando-se, a partir daí, presa fácil para o adversário.
Mais: os eleitores ansiavam pelo 'novo'.
Muito se falará sobre o talento que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem para eleger postes, mas a sorte desempenhou papel importante.
O espaço da novidade foi imediatamente ocupado por Celso Russomanno, beneficiando-se do prestígio televisivo e do apoio da Igreja Universal.
Sua arrancada fulminante impediu que um 'novo' mais consistente (e menos identificado com a velha podridão) se afirmasse.
Nas duas semanas que antecederam o 1º turno, a propaganda do PT desconstruiu Russomanno, explorando episódios do seu passado e plantando na cabeça do eleitor a idéia de que ele iria encarecer o transporte coletivo. Não era bem isto, mas só candidato tolo faz propostas complicadas, que podem ser voltadas contra si, tendo pouco tempo no horário eleitoral para as explicar.
O esvaziamento do balão Russomanno, em cima da hora, não deu aos eleitores oportunidade para se direcionarem a outro 'novo'. O caminho ficou aberto para o triunfo de Fernando Haddad.
A esquerda consequente fez campanha pelo voto nulo no 2º turno e tem um resultado apreciável para exibir: 500.578 votos (7,26%).
Somados aos votos em branco (299.224, 4,34%) e à abstenção (1.722.880, 19,99%), são quase três eleitores em cada dez (29,2%) que não viram motivos para votar nem em Haddad (3.387.720, 39,3%), nem em Serra (2.708.768, 31,4%).
Lembrem-se: estamos num país em que O VOTO NÃO É FACULTATIVO (!), TENDO-SE MANTIDO, MESMO DEPOIS DA REDEMOCRATIZAÇÃO, SEU AUTORITÁRIO CARÁTER COMPULSÓRIO (!!) ATÉ A AVANÇADA IDADE DE 70 ANOS (!!!). Então, tais números evidenciam um enorme desânimo e insatisfação com as opções predominantes.
E que predominam exatamente porque o jogo é de cartas marcadas: os maiores partidos usam e abusam do poder econômico, além de praticamente monopolizarem o horário gratuíto.
De quebra, dão um jeito de fazer com que sejam cancelados os debates televisivos QUANDO TEMEM UMA ALTERAÇÃO DO QUADRO ELEITORAL. Foi o que a TV Record fez nos dois turnos e a Globo no 1º turno.
Ou seja, o sistema aprendeu como evitar que uma nova Luíza Erundina conquiste um governo importante, o que é fundamental para o deslanche de um pequeno partido.
Se já tivesse tal expertise em 1988, o PT levaria muito mais tempo para crescer e talvez não estivesse hoje, paradoxalmente, em condições de barrar os herdeiros dos seus ideais de outrora, como acaba de fazer na cidade do Rio de Janeiro, onde sua opção política foi, simplesmente, IMORAL.
Email:: naufrago-da-utopia@uol.com.br URL:: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com >>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria O 'novo' mais consistente (e menos identificado com a velha podridão) está alinhado com a velha, truculenta e arqui-corrupta elite desse país, apedrejando Zé Genoino e Zé Dirceu em nome do falso moralismo pequeno-burguês.
O verdadeiro 'novo' não está à procura de votos para representar o povo, o verdadeiro nome está na luta para enterrar a democracia representatativa (na qual todo poder emana do povo e em seu nome é exercido) e para fazer emergir a auto-gestão. Quer dizer que os votos nulos, 7,26%, foram graças à campanha do PSOL? Engraçado é que o PSOL não conseguiu nem 3% de votos no primeiro turno.
Tá vacilando, Celso? Se o PSOL falso moralista pequeno-burguês não tivesse feito campanha pelo voto nulo, a sua quantidade continuaria tal e qual, pois o PSOL é um partido igual aos demais. A esquerda consequente (PSOL e PSTU) que se coligou em muitos estados com o PSDB e outros partidos tão sujos quanto o PSDEM, é esquerda consequente?
Consegue votos para a nulidade e não consegue votos prá si mesma? Os votos nulos foram consequência do Psol? A abstenção, foi culpa de quem? Herdeiros dos ideais de outrora do PT? O futuro do PSOL é o PT do passado?
A culpa da desconstrução do Russomano foi a falta de tempo na TV? Quando ele subiu, não tinha a mesma quantidade de tempo, por acaso?
Celso, essas eleições te deixaram pior. Saíste revigorado, como o Serra?
O esvaziamento do balão Russomanno, em cima da hora, só deu aos eleitores oportunidade para se re-direcionarem a velho?
Qual era mesmo a novidade do Russomano? Á institucionalização das mílicas com base na reedição de uma lei dos anos de chumbo?
 | O Lungaretti quer ser como nossos pais. Ele ama o passado e não vê vindo no vento o cheiro da nova estação.
Como Nossos Pais Elis Regina
Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos Quero lhe contar como vivi e tudo que aconteceu comigo Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão Digo que estou encantada com uma nova invenção Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração Já faz tempo que eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos Ainda somos os mesmos e vivemos Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu tô por fora, ou então que eu tô inventando Mas é você que ama o passado e que não vê É você que ama o passado e que não vê Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude Tá em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo que fizemos Nós ainda somos os mesmos e vivemos Ainda somos os mesmos e vivemos Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais  | Modo PSOL de governar? Gilvan Rocha Participamos, como membros fundadores, da organização do Partido dos Trabalhadores - PT. Como antigos militantes, desconfiávamos de sua imprecisão política. Apostávamos, entretanto, no seu instinto de classe, na sua intuição. É evidente que esses atributos são insuficientes para assegurar um rumo político de grandes consequências. Na falta de um discurso elaborado, o velho PT limitava-se a se dizer "um partido diferente". Quanto a nós, timidamente, perguntávamos: "mas em quê consiste tal diferença?" Seria diferente porque maior? Seria diferente porque mais aguerrido? Seria diferente porque possuído de miopia? Ou seria diferente por se tratar de um partido que traduzisse os interesses históricos dos trabalhadores? Ou seja, seria diferente porque teria os olhos voltados para a conquista de uma nova ordem econômica e social como negação radical da sociedade capitalista? Essa sim, uma diferença substancial! Nada se respondia e continuava a repetir-se: "o PT é um partido diferente." À falta de estabelecer essa diferença, propôs-se o PT a espalmar a bandeira da moralização do capitalismo. Numa feliz expressão do político gaúcho Leonel Brizola, o PT foi chamado de UDN de macacão. Pretender moralizar o capitalismo corresponde ao mesmo que pretender enxugar gelo. "GENIOS" DO PT Mas, os "gênios" do PT não enxergavam essa verdade. Em 1984, como membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, tornei público um artigo sob o título: "PT, uma proposta e muitos riscos". Neste artigo, dizia de forma peremptória, que essa nova agremiação política trazia para a burguesia o perigo de levantar bem alto a bandeira do anticapitalismo, a bandeira do socialismo. Por outro lado, essa nova e gloriosa organização política que brotava das fábricas, dos campos, dos meios estudantis poderia descambar para o reformismo e se transformar num instrumento eficaz de sustentação do próprio sistema capitalista. Infelizmente, foi justamente isso que aconteceu, quando os petistas lograram, através de expedientes espúrios, chegar ao governo. E é grave que do seu ventre tenha nascido o PSOL, proclamando "uma nova forma de fazer política". É evidente, que essa nova forma não existe, desde que ela não seja explicitamente anticapitalista e se negue a colocar-se como agremiação cujo intento é galgar postos nos diversos aparelhos de governo, sejam eles, federal, estadual ou municipal. Em outras palavras: ou teremos a bandeira do socialismo ou repetiremos a trilha sinistra do velho PT. http://www.tribunadaimprensa.com.br/  | Mas de qual socialismo o Senhor está a falar? Há socialismos para todos os gostos. Vá no último capítulo do Manifesto Comunista e vai ver que existe o socialismo burguês, o socialismo reacionário, etc.
Hoje em dia a burguesia é socialista. Ela socializa seus prejuízos mas não socializa os seus lucros.
O socialismo que interessa à libertação do proletariado é o socialismo científico.  | Muita gente aqui comete o mesmo erro do finado Raymundo Araújo, de supor que eu escreva como uma espécie de porta-voz informal do PSOL.
Longe disto. Agora, p. ex., não foi o PSOL o único agrupamento de esquerda a defender o voto nulo.
E a análise que eu fiz da eleição paulistana é minha mesmo, tanto que a redigi na noite de domingo, antes de o partido assumir qualquer posicionamento.
Sequer é certa a minha permanência no PSOL, porque uma das minhas posições mais categóricas é quanto à necessidade de união de todas as forças anticapitalistas, acima de ambições pessoais e da guerrinha autofágica entre as tendências, que eu sempre detestei.
Lamentei imensamente encontrar na esquerda de hoje a mesmíssima falta de grandeza daquela na qual me iniciei em 1967. Aos 16/17 anos eu já não suportava as briguinhas de egos e disputas de nacos insignificantes de poder interno, com a tendência adversária dentro do mesmo partido sendo combatida com mais virulência e animosidade do que a burguesia, o imperialismo, a repressão, etc. Lamentável.
Nunca esquecerei que, depois de um congresso da UEE que acabou rachado, participei de uma manifestação estudantil na qual o Zé Dirceu discursou, na condição de presidente da UEE, num lado do largo São Francisco; e a Catarina Melloni, também se apresentando como presidente da UEE, discursou simultaneamente, no outro extremo do mesmo largo. Que palhaçada!
Durante a luta armada aprendemos, a duras penas, que tínhamos de nos unir, pois o inimigo possuía poder de fogo imensamente superior. Na verdade, é a única boa lembrança que guardo daquele período trágico. Por um breve momento, os revolucionários nos imbuímos dos sentimentos de verdadeiros revolucionários, colocando a causa acima das vaidades exacerbadas e das querelas mesquinhas.
Estou chegando à conclusão de que talvez possa contribuir melhor para tal união de forças como independente do que como filiado a algum partido. Tomarei uma decisão até o fim do ano.
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