Imagine uma sociedade com uma determinada quantidade de riqueza, a qual se encontra bastante concentrada nas mãos de um punhado de parasitas sociais.

Se, em vez dessa riqueza ficar concentrada nas mãos desse punhado de parasitas sociais, unicamente em razão de seus odiosos privilégios, ela fosse distribuída com base no mérito e no esforço de cada membro da sociedade, essa sociedade ficaria mais rica, ficaria menos rica ou continuaria tão rica quanto anteriormente?

Eu acho que a sociedade não ficará mais rica imediatamente, mas ela ficaria menos pobre. E ficando menos pobre, a demanda efetiva aumentaria, e esse aumento da demanda efetiva alavancaria os investimentos produtivos e o aumento da riqueza.

Já o crescimento econômico não contribui, necessariamente, para reduzir a pobreza e, dessa forma, melhorar as condições objetivas de vida da população. Foi o que deu a entender o Deputado Federal Delfim Netto em artigo recente publicado na Carta Capital. Disse o Deputado no citado artigo:

"Outro aspecto ­significativo foi a autorização para o aumento das dívidas de 17 estados, cujas condições financeiras e administrativas são adequadas para acelerar suas próprias obras de infraestrutura: mobilidade urbana em suas capitais, estradas, saneamento básico e habitação, importante não apenas para ajudar a estimular o crescimento econômico, mas também melhorar as condições objetivas de vida de suas populações."

Assim, a redução das desigualdades sociais através de uma melhor distribuição da renda e da riqueza contribui muito mais para a redução da pobreza e para o crescimento da economia do que o crescimento da economia contribui para a redução da pobreza e das desigualdades sociais.