A revolução russa, baseada na autogestão popular via Soviets (Conselhos Operários), que permitia ao povo russo se autogerir administrativa e economicamente, foi derrotada pela ação de Lênin e seus seguidores, que se aproveitaram da fragilidade e atraso econômico do pais na época, e da contra revolução financiada e armada pelo capitalismo mundial, unida a invasão estrangeira coligada (que foram dadas da bandeja pela burguesia mundial para Lênin usar de pretexto e convencer o povo russo a abrir mão do seu auto poder e entrega-lo para a burocracia leninista, que em alguns momento usou da força para isso), para tomar o poder para si arrancando-o do povo.

Lênin restabeleceu o aparelho estatal de poder, destruido pela revolução, ao criar uma nova policia, ou guarda, e criar um novo exército, sendo que o antigo exército tinha implodido e se tornado Soviet também. E ao estatizar as empresas no chamado "comunismo de guerra" (mais sentido faria se fosse chamado de estatismo restaurador do capitalismo) Lênin introduz o método de produção burgues chamado taylorismo, restaurando as antigas relações burguesas de produção baseadas no escravizante sistema de trabalho assalariado.

Após derrotar a revolução popular o governo de Lênin devolveu empresas para seus antigos donos e reabriu a economia russa para o capital dos EUA e da Europa Ocidental, na politica econômica que ficou conhecida como NEP, conforme combinado desde o inicio com a burguesia mundial.

A experiencia dos Conselhos Operários (Soviets) se repetiu na Europa (Alemanha, Itália, Espanha, leste europeu, etc) e no mundo inteiro, desde aquela época até os dias de hoje, mas a ação dos sindicatos e partidos burgueses burocratas de esquerda derrotou quase todas essas experiencias, sendo que algumas só foram derrotadas pelo uso da força, como na revolução espanhola dos anos trinta, onde eles (Conselhos Operários) também estiveram presentes.





O socialismo não depende de uma vontade idealista da humanidade para nascer, é a humanidade que é obrigada objetivamente a criar o comunismo/socialismo por ser a unica forma de sociedade possível, viável, racional, o resto é caos e morre por via "natural", pois a natureza caótica é implosiva. O capitalismo e todos os sistemas de classes são sinônimo de opressão, tirania, autoritarismo, totalitarismo e miséria, e morrem por serem econômico e socialmente insustentáveis, já o socialismo é o fim de tudo isso, dai a sua inevitabilidade.


Comunismo/Socialismo para Marx é:


Abolição do poder estatal + anti estatismo e anti privatismo

Na ditadura do proletariado, no socialismo/comunismo, o Estado não tem nenhum poder, a autogestão social é absoluta, com a abolição de todas as formas de hierarquias e classes sociais, com a horizontalização de todas as relações sociais, extinguindo exército e policia, desprovendo de poderes todos os representantes que, de políticos, são reduzidos a meros porta vozes totalmente subordinados à vontade popular.

A economia é cooperativa, autogerida e planificada coletivamente pelos trabalhadores.

Como nos Soviets antes de sua estatização pelo leninismo

Os Soviets ou Conselhos Operários (antes da burocratização por Lênin na Russia e pelo sindicalismo no resto da Europa), assim como o sistema Comunal da Comuna de Paris, são os grandes exemplos de autogestão, de socialismo.

A economia estatizada (cubana, coreana, etc) não elimina o trabalho assalariado, não elimina a escravidão assalariada e a mais valia dela derivada, e nem elimina o exército e a policia, portanto, é tão capitalista quanto a economia privatizada.





Para Marx:

Ditadura do proletariado/comunismo/socialismo são a mesma coisa, sendo a primeira o comunismo ou socialismo em armas contra a burguesia mundial, nada mais do que isso.

A ditadura do proletariado/comunismo/socialismo só existe onde a classe assalariada coletiviza os meios de produção via cooperativas autogeridas unidas e planificadas horizontalmente por toda a classe assalariada, abolindo o dinheiro, a concorrência, e a hierarquia laboral. Como resultado desse processo o sistema de trabalho assalariado é abolido, as próprias classes sociais são abolidas.

A ditadura do proletariado/comunismo/socialismo só existe onde o poder estatal (o aparelho estatal de poder) foi abolido pela classe assalariada revolucionária (que deixa de ser uma classe já que extingue todas as classes sociais em seu processo revolucionário), ou seja, onde a policia, o exército, os impostos, e todo o aparelho burocrático do Estado, foram extintos, tornando-se o Estado uma mera ferramenta da auto administração coletiva dos trabalhadores, totalmente abaixo e subordinado à vontade popular, sem poder algum.

Para Marx a militância revolucionária só deve se organizar para a ação quando há um movimento real e revolucionário dos assalariados, em curso ou em vias de se por em curso, caso contrário essa militância não só será inútil como poderá até mesmo ser prejudicial, dai Marx ter concordado com a extinção da AIT na década de setenta do século dezenove, e dele mesmo ter abandonado qualquer militância política após isso, devido ao refluxo do movimento operário revolucionário naquele momento, que entrou numa fase conservadora.

Para Marx, também, as lutas econômicas do assalariados se dão pelas greves, e as lutas políticas dos assalariados se dão sempre pelas greves gerais, ou para arrancar grandes concessões legais do Estado burguês ou para derrubá-lo de vez (derrubando junto e coletivizando a propriedade empresarial) e substituí-lo pelos conselhos ou clubes operários, mas podem se dar também pelo uso das armas por parte dos trabalhadores, nos países mais atrasados do capitalismo (lembrando que as revoluções nesses países só vingam se forem imediatamente seguidas por revoluções nos países centrais do capitalismo)

A participação em eleições pelos trabalhadores (se ocorrer espontaneamente por vontade deles mesmos) só faz algum sentido revolucionário se for para reafirmar as posições revolucionárias dos trabalhadores e não para se curvar ao Estado burguês, mas sim para avisá-lo de que ele esta prestes a ser destruído, pois a classe assalariada estará em armas e auto organizada em seus próprios órgãos de auto organização administrativa (Comunas proletárias, Conselhos operários, etc). Sem esse cenário a participação em eleições pelos trabalhadores significará apenas a rendição, a aceitação da classe assalariada ao sistema capitalista.

Para Marx, toda e qualquer ação revolucionária da classe assalariada é espontânea e auto dirigida, sobrando para a militância revolucionária comunista apenas acatar todas as decisões a ações da classe assalariada, ajudando-a a acelerar a sua vitória mundial contra a classe burguesa e seus Estados. Não cabe à militância comunista socialista dirigir e nem dar lições à classe trabalhadora revolucionária, mas, ao contrário, aprender com eles e apoia-los em suas ações revolucionárias espontâneas.

Para Marx, a classe trabalhadora revolucionária INTEIRA é o partido revolucionário e não os partidos seitas da esquerda burocrata (puramente religiosos burocratas, como a LBI) ou os partidos maiores e abertamente burgueses burocratas, como o PT.

A classe trabalhadora inteira, auto organizada, deve ser o partido revolucionário, e não seitas ridículas que se acham substitutas de uma classe social inteira.