É um imperativo moral para o PSOL expulsar de suas fileiras o prefeito eleito de Macapá, Clécio Luís, por trombetear posições que o descaracterizariam como partido de esquerda.

Em entrevista concedida à "Folha de S. Paulo", Clécio ofende a nossa inteligência ao afirmar:

* que o PSOL deveria rever o veto a financiamento de bancos e empreiteiras, pois "para enfrentarmos eleições, nós temos que ter estrutura para podermos nos movimentar", passando a dispor "das mesmas ferramentas" dos demais partidos; e
* que, por não ter "relações orgânicas com esses grupos", o PSOL não se tornaria um partido promíscuo (como todos os outros que seguiram o mesmo caminho...).

Se o Clécio acredita que bancos e empreiteiras sejam entidades beneméritas, prontas para financiarem candidatos do PSOL sem nenhuma contrapartida ilegal e/ou imoral, está no lugar errado. Que vá procurar sua turma entre os que ainda creem em Papai Noel e não enxergam (ou não querem ver) as distorções da democracia sob o capitalismo putrefato.

Quanto à sua proposta de uma "política de reaproximação" com outros partidos, inclusive o PT, implicaria trair o compromisso fundamental do PSOL com o socialismo revolucionário.

Revolucionários existem para acabarem com a exploração do homem pelo homem. Reformistas cumprem o papel de atenuarem os malefícios do capitalismo, desviando para a mesa dos explorados algumas migalhas a mais do banquete dos exploradores. Não há nem jamais haverá identidade ESTRATÉGICA possível entre ambos.

Podem somar forças em algumas circunstâncias, mas a aliança será sempre, exclusivamente, TÁTICA. P. ex., quanto ao apoio e defesa de políticas sociais, mas nunca perdendo de vista que aos revolucionários cumpre aprofundá-las, não se detendo nos limites aceitáveis para os capitalistas.

Ou seja, devemos, sim, somar forças com os reformistas quando se trata de evitar retrocessos e respaldar avanços, ainda que homeopáticos. Mas, nunca nos restringindo a eles nem deixando de ressaltar que a nossa luta é por objetivos maiores, por conquistas verdadeiras e definitivas, não por meros paliativos.

Queremos isso e queremos muito mais, porque os trabalhadores merecem muito mais. Merecem ser os senhores de uma sociedade igualitária e livre.

Depois de aceitar apoios extremamente questionáveis para ser eleito, Clécio está fornecendo à imprensa burguesa os maiores trunfos para a desmoralização do partido desde a sua fundação. Salta aos olhos que a mensagem implícita do jornal da ditabranda é: "Vejam como os políticos do PSOL mudam seu discurso quando chegam ao poder. Mostram-se tão oportunistas quanto todos os outros".

O que podemos esperar do seu governo, além de outras 'flexibilizações de princípios' que envergonharão e desacreditarão o PSOL?

Se não o expulsar, o partido estará abrindo mão de algo muito mais valioso do que a prefeitura de Macapá: a sua identidade.