| Taxas de Juro, Salários, Poupança e Inflação Por Zenaide 08/11/2012 às 11:30 Quem defende altas taxas de juros justificam-nas dizendo que elas estimulam a poupança e mantém a inflação baixa. Esses argumentos são falaciosos. O que desestimula a poupança e causa inflação são os baixos salários, não as altas taxas de juro.
Se os salários fossem relativamente elevados, os trabalhadores recorreriam menos a empréstimos, e não ficariam cada vez mais pobres, pois ao recorrer ao crédito terão que pagar não só o principal mas também altas taxas de juros.
O Delfim Netto justificava os baixos salários, durante os anos de chumbo, com o argumento falacioso de que a propensão marginal dos pobres a consumir eh elevada. Ora, isso não é verdade. A verdade é que o consumo dos trabalhadores é muito baixo em razão de seus reduzidos salários.
Se em vez de arrochar os salários, o Delfim tivesse aumentado o poder aquisitivo dos trabalhadores, esses recorreriam menos a empréstimos, poupariam mais, pois pagariam menos juros, a oferta de crédito teria aumentado ao mesmo tempo em que a sua procura teria diminuído, o que faria cair as taxas de juros.
Com taxas de juros mais baixas, os empresários do setor produtivo pagariam menos juros e produziriam mais, aumentando a oferta de produtos e serviços, o que faria baixar os preços dos mesmos.
Portanto o que desestimula a poupança e provoca a inflação são os baixos salários, e não as baixas taxas de juros. Altas taxas de juros contribuem para que o poder aquisitivo dos trabalhadores sejam cada vez mais baixos, o que desestimula a poupaça e provoca inflação.
A solução é aumentar os salários e reduzir a taxa de juros.
>>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Um comentário totalmente inóquo: se o Delfim aumentasse o salário dos trabalhadores, eles teriam mais dinheiro para poupar, os bancos teriam mais dinheiro em caixa e poderiam emprestar a taxas menores. É... se eu fosse feliz, eu não seria triste, né?
Tudo bem, mas desde quando o Delfim, o quem quer que fosse, tinha poderes para aumentar os salários de todo um povo? Os salários são pactuados pelo mercado de trabalho, isso é, por uma multidão, e multidões são como nuvens, fazem o que querem e não há como manobrá-las. O máximo que o governo pode fazer é aumentar o salário mínimo. Mas isso não é mesmo que aumentar o salário médio. O aumento do salário mínimo acima da inflação apenas cria um achatamento pela base na pirâmide salarial: aquele cidadão que até a véspera ganhava pouco menos que o mínimo, passa a ganhar exatamente um mínimo. E aquele outro cidadão que ganhava um real a mais que o mínimo, continua ganhando a mesma coisa.  | Os salários são pactuados pela multidão, e multidões são como nuvens, fazem o que querem e não há como manobrá-las. Engraçado é que a maioria esmagadora das multidões é formada por trabalhadores que ganham um salário mínimo e que queriam ganhar mais do que ganham. Porque não fazem o que querem, porque estipulam o salário mínimo em 650 reais e não em 920 reais, por exemplo?
O Delfim não podia aumentar o salário mínimo porque o Brasil precisava forma uma poupança interna e o aumento do salário m[inimo desestimularia a formação dessa poupança interna em virtude da propensão marginal dos pobres a consumir ser muito elevada mas podia mantê-lo baixo?  | O Pedro Mundim está insinuando que quem ganha um salário médio não quer que quem ganhe um salário mínimo tenha seu salário equiparado ao salário médio.
Por outro lado, o Mundim tem repetido ad nauseam que ao pobre importa o que ele ganha em termos absolutos, não em termos relativos.
Das duas, uma: entrou numa contradição insanável ou a lei segundo ao qual ao pobre não importa o relativo, mas o absoluto, perdeu a sua vigência. Na época os salários não eram pactuados - era uma ditadura, lembram-se? Os militares promoveram um arrocho salarial, contendo o aumento dos salários enquanto o faturamento das empresas só aumentavam. Além do mais, era proibido fazer greve e os sindicatos estavam suspensos.
Não me esqueço da célebre frase do Delfim, hoje incensado até por lullo-petistas: "É preciso fazer o bolo crescer para depois repartir". Pois é, o bolo cresceu só que não foi repartido...  | As multidões queriam ver o Taradão, mandante do assassinato da Missionária Americana Dorothy Stang, na cadeia; queria ver o Abdelmassih, estuprador de pacientes anestesiadas, na cadeia; a multidão quer ver o Daniel Dantas na cadeia, mas o seu querer não é respeitado. Foram liberados e não tiveram seus passaportes apreendidos.
A multidão quer uma jornada de trabalho mais reduzida mas seu desejo não é uma ordem. A multidão foi contra a privataria tucana em vão. O patrimônio público foi privatizado a preço de banana em fim de feira.
A multidão não queria a reforma do Código Florestal, não quer o aumento das tarifas de transportes coletivos urbanos, etc.
O poder da minoria privilegiada e parasitária é muito mais eficaz, pois são mais unidos e organizados. Se as multiões fossem mais unidas e mais organizadas, aí,sim, seu desejo seria um ordem. Os salários eram pac(martelo)uados por multidões.
Retire-se o 'T' do pacto, substituindo-o por um martelo. Queria que alguém escrevesse Pacto Social trocando o T de pacto por um martelo e o S de social por um cifrão ($). São os pactos sociais da burguesia com o proletariado. É... se eu fosse feliz, eu não seria triste, né?
Se os militares não tivessem suicidadado o Herzog, ele teria vivido mais, talvez até ainda estaria vivo e feliz.  | "O Pedro Mundim está insinuando que quem ganha um salário médio não quer que quem ganhe um salário mínimo tenha seu salário equiparado ao salário médio" Bem, se você interpretou minhas palavras desta maneira, é uma opinião pessoal sua, pois não foi isso que eu quis dizer. Já ouviu falar da falácia do espantalho? Está aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fal%C3%A1cia_do_espantalho Se bem que, se o trabalhador que ganha um salário mediano for realmente contra que o trabalhador que ganha um salário inferior seja equiparado a ele, até que teria um motivo válido para pensar assim, pois quem vai sair perdendo é ele mesmo. Se esse aumento decorresse de uma flutuação do mercado de trabalho, seria indiferente. Mas se decorre de um decreto do governo, convém lembrar que todo aumento forçado do preço de um ítem acima de seu valor de mercado causa inflação. O trabalhador que ganha um salário médio, então, tem seu poder de compra diminuído. É isso que eu chamo de um achatamento pela base na pirâmide salarial. Sim, todos os salários são pactuados, independente do regime político. E as multidões, sim, sempre fazem o que querem. O problema é que nem sempre elas querem o que você quer.  | O Mundim ainda comete os mesmos equívocos que o Sr. Weston cometia na década de 60 do século XIX. No trecho do livro de Marx abaixo transcrito, onde tiver a palavra Weston, substitua-a por Pedro Mundim: "Produção e salários O argumento do cidadão Weston baseia-se, na realidade, em duas premissas: 1ª ) que o volume da produção nacional é algo de fixo, uma quantidade ou grandeza constante, como diriam os matemáticos; 2ª ) que o montante dos salários reais, isto é, dos salários medidos pelo volume de mercadorias que permitem adquirir, é também uma soma fixa, uma grandeza constante. Pois bem, a sua primeira asserção é manifestamente falsa. Podeis ver que o valor e o volume da produção aumentam de ano para ano, que as forças produtivas do trabalho nacional crescem e que a quantidade de dinheiro necessária para pôr em circulação esta crescente produção varia sem cessar. O que é exato no fim de cada ano e para diferentes anos comparados entre si, também o é com respeito a cada dia médio do ano. O volume ou grandeza da produção nacional varia continuamente. Não é uma grandeza constante, mas variável, e assim tem que ser, mesmo sem levar em conta as flutuações da população, devido às contínuas mudanças que se operam na acumulação de capital e nas forças produtivas do trabalho. É inteiramente certo que se hoje houvesse um aumento da taxa geral de salários, este aumento por si só, quaisquer que fôssem os seus resultados ulteriores, não alteraria imediatamente o volume da produção. Em primeiro lugar, teria que brotar do estado de coisas existente. E se a produção nacional, antes da elevação dos salários era variável, e não fixa, ela continuaria a sê-lo, também, depois da alta. Admitamos, porém, que o volume da produção nacional fôsse constante em vez de variável. Ainda neste caso, aquilo que o nosso amigo Weston considera uma conclusão lógica permaneceria como uma afirmação gratuita. Se tomo um determinado número, digamos 8, os limites absolutos dêste algarismo não impedem que variem os limites relativos de seus componentes. Por exemplo: se o lucro fosse igual a 6 e os salários a 2, estes poderiam aumentar até 6 e o lucro baixar a 2, que o número resultante não deixaria por isso de ser 8. Desta maneira, o volume fixo da produção jamais conseguirá provar que seja fixo o montante dos salários. Como, então, nosso amigo Weston demonstra essa fixidez? Simplesmente, afirmando-a. Mas mesmo dando como boa a sua afirmativa, ela teria efeito em dois sentidos, ao passo que ele quer fazê-la vigorar apenas em um. Se o volume dos salários representa uma quantidade constante, não poderá aumentar, nem diminuir. Portanto, se os operários agem como tolos (no caso do Pedro Mundim é o governo que age como tolo dando aumento temporário de salário acima de seu preço de mercado), ao arrancarem um aumento temporário de salários, não menos tolamente estariam agindo os capitalistas, ao impor uma baixa temporária dos salários. Nosso amigo Weston não nega que, em certas circunstâncias, os operários podem arrancar aumentos de salários, mas, segundo ele, como por lei natural a soma dos salários é fixa, êste aumento provocará, necessariamente, uma reação. Por outro lado, ele sabe também que os capitalistas podem, do mesmo modo, impor uma baixa de salários, e tanto assim que o estão tentando continuamente. De acordo com o princípio do nível constante dos salários, neste caso deveria ter lugar uma reação, exatamente como no anterior. Por conseguinte, os operários agiriam com acerto reagindo contra as baixas de salários ou contra as tentativas em tal sentido. Procederiam, portanto, acertadamente, ao arrancar aumentos de salários, pois toda reação contra uma baixa de salários é uma ação a favor do seu aumento. Logo, mesmo que aceitássemos o princípio do nível constante dos salários, como sustenta o cidadão Weston, vemos que os operários devem, em certas circunstâncias, unir-se e lutar pelo aumento de salários. Para negar esta conclusão ele teria que renunciar à premissa em que se baseia. Não deveria dizer que o volume dos salários é uma grandeza constante, mas, sim, que embora não possa, nem deva aumentar, pode e deve baixar todas as vezes que o capital sinta vontade de diminuí-lo. Se o capitalista quer vos alimentar com batatas, em vez de carne, ou com aveia em vez de trigo, deveis acatar a sua vontade como uma lei da economia política e vos submeter a ela. Se num país, por exemplo, nos Estados Unidos, as taxas de salários são mais altas do que em outro, por exemplo na Inglaterra, deveis explicar esta diferença no nível dos salários como uma diferença entre a vontade do capitalista norte-americano e a do capitalista inglês; método este que, sem dúvida, simplificaria imenso não já apenas o estudo dos fenômenos econômicos, como também o de todos os demais fenômenos. Ainda assim caberia perguntar: Por que a vontade do capitalista norte-americano difere da do capitalista inglês? E para responder a esta questão, não teriam outro remédio senão ir além dos domínios da vontade. É possível que venha um padre dizer-me que Deus quer na França uma coisa e na Inglaterra outra. E se o convido a explicar esta dualidade de vontade, êle poderá ter a impudência de responder que está nos desígnios de Deus ter uma vontade em França e outra na Inglaterra. Mas nosso amigo Weston será, com certeza, a última pessoa a converter em argumento esta negação completa de todo raciocínio. Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites. 2 - Produção, salários, lucros A conferência proferida pelo cidadão Weston poderia ser condensada a ponto de caber numa casca de noz. Toda a sua argumentação reduz-se ao seguinte: se a classe operária obriga a classe capitalista a pagar-lhe, sob a forma de salário em dinheiro, 5 xelins em vez de 4, o capitalista devolver-lhe-á sob a forma de mercadorias, o valor de 4 xelins em vez do valor de 5. Então a classe operária terá que pagar 5 xelins pelo que antes da alta de salários lhe custava apenas 4. E por que ocorre isto? Por que o capitalista só entrega o valor de 4 xelins por 5? Porque o montante dos salários é fixo. Mas por que fixo precisamente no valor de 4 xelins em mercadorias? Por que não em 3, em 2, ou outra qualquer quantia? Se o limite do montante dos salários está fixado por uma lei econômica, independente tanto da vontade do capitalista como da do operário, a primeira coisa que deveria ter feito o cidadão Weston era expor e demonstrar essa lei. Deveria provar, além disso, que a soma de salários efetivamente pagos em cada momento dado, corresponde sempre, exatamente, à soma necessária dos salários, e nunca se desvia dela. Em compensação, se o limite dado da soma de salários depende da simples vontade do capitalista, ou das proporções da sua avareza, trata-se de um limite arbitrário, que nada tem em si de necessário. Tanto pode ser modificado pela vontade do capitalista, como também se pode fazê-lo variar contra a sua vontade. O cidadão Weston ilustrou a sua teoria dizendo-nos que se uma terrina contém determinada quantidade de sopa, destinada a determinado número de pessoas, a quantidade de sopa não aumentará se se aumentar o tamanho das colheres. Seja-me permitido considerar este exemplo pouco substancioso. Ele me faz lembrar um pouco aquele apólogo de que se valeu Menênio Agripa. Quando a plebe romana entrou em luta contra os patrícios, o patrício Agripa disse-lhes que a pança patrícia é que alimentava os membros plebeus do organismo político. Mas Agripa não conseguiu demonstrar como se alimentam os membros de um homem quando se enche a barriga de outro. O cidadão Weston, por sua vez, se esquece de que a terrina da qual comem os operários contém todo o produto do trabalho nacional, e o que os impede de tirar dela uma ração maior não é nem o tamanho reduzido da terrina, nem a escassez do seu conteúdo, mas unicamente a pequena dimensão de suas colheres..." Karl Marx, Salário, preço e lucro http://www.marxists.org/portugues/marx/1865/salario/cap01.htm Quanto à falácia do espantalho, o que você queria dizer não foi o que eu entendi, mas foi isso que você acabou dizendo, né? É o contorcionismo chinês do Pedro Mundim para salvar o seu discurso.  | Ao tentar dar aumento para os trabalhadores que ganham um salário mínimo acima da inflação, o governo não melhora a situação dos mesmos, só acaba piorando a situação de quem ganha acima do salário mínimo, pois esse aumento sempre causa inflação. A inflação causada por esse aumento anulará o aumento do salário mínimo e prejudicará quem ganha acima do salário mínimo. Ou seja, ao tentar dar ganho real para os trabalhadores, o governo acaba aumentando os lucros dos capitalistas.
Se a oferta de mão-de-obra diminui, mantendo-se inalterada a sua demanda, ou se a sua procura aumenta, mantendo-se inalterada a sua oferta, o aumento real de salário é automático. Ou seja, ao tentar intervir no mercado de trabalho, o governo sempre acaba beneficiando a classe burguesa, mesmo quando tenta beneficiar os trabalhadores, e prejudicando os trabalhadores.
Muito bem, Mundim. Eu nunca tinha pensado nisso antes.  | O comentarista Pedro Mundim afirmou que todo aumento forçado do preço de um ítem acima de seu valor de mercado causa inflação.
Não necessariamente. Só ocorre inflação, se a demanda do item que teve seu preço elevado for inelástica. Se a demanda for elástica, o aumento de preço não causa necessariamente inflação, pode causar a redução da demanda.
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