O que desestimula a poupança e causa inflação são os baixos salários, não as altas taxas de juro.

Se os salários fossem relativamente elevados, os trabalhadores recorreriam menos a empréstimos, e não ficariam cada vez mais pobres, pois ao recorrer ao crédito terão que pagar não só o principal mas também altas taxas de juros.

O Delfim Netto justificava os baixos salários, durante os anos de chumbo, com o argumento falacioso de que a propensão marginal dos pobres a consumir eh elevada. Ora, isso não é verdade. A verdade é que o consumo dos trabalhadores é muito baixo em razão de seus reduzidos salários.

Se em vez de arrochar os salários, o Delfim tivesse aumentado o poder aquisitivo dos trabalhadores, esses recorreriam menos a empréstimos, poupariam mais, pois pagariam menos juros, a oferta de crédito teria aumentado ao mesmo tempo em que a sua procura teria diminuído, o que faria cair as taxas de juros.

Com taxas de juros mais baixas, os empresários do setor produtivo pagariam menos juros e produziriam mais, aumentando a oferta de produtos e serviços, o que faria baixar os preços dos mesmos.

Portanto o que desestimula a poupança e provoca a inflação são os baixos salários, e não as baixas taxas de juros. Altas taxas de juros contribuem para que o poder aquisitivo dos trabalhadores sejam cada vez mais baixos, o que desestimula a poupaça e provoca inflação.

A solução é aumentar os salários e reduzir a taxa de juros.