Por mais difícil que pareça, é preciso aceitar que os filhos não pertencem aos pais. Eles são do mundo. Sendo assim, devemos criá-los para o mundo. Uma frase de autor desconhecido resume muito bem essa situação: ?filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem?. Segundo o autor, ?ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo?.

As relações humanas nos tornam seres extremamente complexos. Basta pensarmos que dois filhos, frutos da mesma criação e educação, são extremamente diferentes, no que diz respeito à personalidade e caráter. É comum, durante a gestação, muitas mulheres começarem a se preocupar com laços e vínculos. No simbolismo astrológico, a Lua representa a natureza emocional e a autonutrição. Ou seja: tudo aquilo que precisamos para nos sentir seguros emocionalmente. Ademais, a Lua é também a influência da mãe, o primeiro vínculo da criança com o mundo exterior, bem como sua fonte de alimento, tanto físico quanto emocional, raiz de sensação de segurança, afinal é ela que atende todas as nossas necessidades básicas. A qualidade da atenção recebida nos primeiros anos de vida, nos quais a criança é ainda muito dependente e receptiva, irá determinar o tipo de sentimento de segurança que o indivíduo levará consigo por toda a vida. Tanto é verdade que podemos analisar que as pessoas que foram abandonadas ou separadas das mães muito cedo têm dificuldades em estabelecer vínculos emocionais consistentes. O temor de abandono faz com que elas sempre abandonem, antes de serem abandonadas.

A felicidade do ser humano provém, necessariamente, de um relacionamento equilibrado e amoroso tanto com a figura materna, quanto paterna. Todos os pais que mantém uma relação tranquila e afetuosa com seu filho fazem com que a criança aprenda e desenvolva uma espécie de ?nutrição emocional?. O resultado é a independência, a adaptação e a integração à sociedade. Com isso, os filhos, quando adultos, serão pessoas sociáveis e capacitadas para a autêntica vida de amizade. Está mais do que comprovado que, se as relações familiares são adequadas, os filhos conseguem adaptar-se muito mais facilmente à convivência social.

A maior dádiva da maternidade é, simplesmente, ver os filhos crescerem e se libertarem da influência dos pais. Enquanto estiverem precisando, os pais devem ser ?um porto seguro de águas calmas?. Saber que eles estão prontos, e que podem caminhar sem a nossa ajuda, é a grande recompensa. Vê-los partir, deixá-los lançarem-se ao oceano conturbado da vida, é uma situação difícil, porém inevitável. Nessa hora é preciso coragem e humildade para enfrentar esta nova fase.

No aconselhamento astrológico, costumo analisar muitos mapas que sinalizam, inequivocamente, conflitos e carências originários na infância. Tenho visto adolescentes inseguros e carentes, que vivem pedindo pedir perdão por haverem nascido, bem como adolescentes de meia idade, preocupados em corresponder às expectativas e anseios de suas mães, incapazes de romper o cordão umbilical, e de se autoafirmarem como indivíduos autosuficientes. Sempre aconselho que os pais amem seus filhos. Mas não é aquele amor teórico ou abstrato. Diariamente, os filhos necessitam de expressões concretas do amor dos pais. Precisam de carinho, atenção e afeto. Num ambiente onde há amor, é inevitável que haja aceitação.

* Regina Lara Campos é astróloga do Portal Pé de Jujuba (www.pedejujuba.com.br).