Esta noite perdi o sono e resolvi reler SOBRE A VIOLÊNCIA, de Hannah Arendt. O que mais poderia fazer? Sair às ruas para matar e morrer como policiais e criminosos? Não faria isto, pois neste momento estas duas categorias em guerra já podem ser chamadas por um único nome: criminosos.

Não tenho vergonha alguma de dizer que nada posso fazer para deter a "guerra civil" que ocorre toda noite nas ruas de São Paulo. Não apoio a violência dos criminosos, nem tampouco tolero a ferocidade terrorista e hedionda da PM de São Paulo. A CF/88 proíbe a pena de morte e este comando supremo e inquestionável se destina, ou deveria se destinar, a limitar o uso da violência pelos agentes do Estado. Mas não responsabilizo os soldados que matam e morrem, porque sei que eles cumprem ordens. Quem lava as mãos com o sangue dos paulistas mortos todas as noites são os coronéis da PM, o Secretário de Segurança Pública e o governador do Estado.

Pela manhã separei alguns fragmentos do livro e enviei para o governador de São Paulo pelo Twitter. Esta é a minha modesta contribuição para a discussão.

"A violência pode destruir o poder; ela é absolutamente incapaz de criá-lo." (SOBRE A VIOLÊNCIA, p. 74, Hannah Arendt) @geraldoalckmin_

Poder e violência são opostos: onde um domina absolutamente, o outro está ausente.SOBRE A VIOLÊNCIA, p 73, Hannah Arendt @geraldoalckmin_

"Onde os comandos não são mais obedecidos, os meios de violência são inúteis..." SOBRE A VIOLÊNCIA, p. 65, Hannah Arendt @geraldoalckmin_

"O domínio pela pura violência advém de onde o poder está sendo perdido." (SOBRE A VIOLÊNCIA, p. 71, Hannah Arendt)

@geraldoalckmin_, médico que deve salvar vidas, governa fazendo cadáveres todas as noites. Não leu SOBRE A VIOLÊNCIA de Hannah Arendt?

A cada dia fica mais evidente para todos (menos para os jornais e jornalistas que devotam uma fidelidade canina a quadrilha tucana) que Geraldo Alckimin comanda uma PM que já pode ser chamada de "esquadrão noturno da morte". Todas as noites, a PM tem produzido dezenas de cadáveres. Com raiva, os criminosos executam policiais de folga, o que também é lamentável e condenável.

Do jeito que as coisas vão, em breve o governador de São Paulo terá que autorizar a construção de uma nova Fábrica Pública de Caixões e mandar contratar centenas de coveiros para enterrar todos os presuntos que a PM dele tem feito. Por isto, como cidadão responsável sugeri ao mesmo o início desta nova política pública:

Ao invés de visitar uma fábrica de carros em Piracicaba, @geraldoalckmin_ deveria construir uma fábrica de caixões 'marca PM' em São Paulo.

Quando eu era adolescente, foi lançada a música TERCEIRA GUERRA, cujo refrão pode ser muito bem ser considerado o hino da quadrilha tucana que comanda chacinas noturnas em São Paulo.

"Eu vi a barca* atravessando a avenida
Pareciam degoladores."

 http://www.youtube.com/watch?v=IM6nyZCRSX4&feature=relmfu

*barca era como os paulistanos chamavam as viaturas da PM na década de 1980.